Espanha

‘O melhor para Endrick é isso. O mesmo que aconteceu comigo vai acontecer com ele’

Ex-meia usa própria trajetória para justificar empréstimo do atacante brasileiro, que busca minutos e protagonismo fora do Real Madrid

Toni Kroos usou a própria trajetória para contextualizar o momento vivido por Endrick no Real Madrid e defendeu, sem rodeios, que o empréstimo é o caminho mais saudável para o desenvolvimento do atacante brasileiro. Na visão do alemão, a prioridade em idade tão jovem não passa por status ou paciência no banco, mas por minutos em campo, erros, acertos e protagonismo — algo difícil de encontrar em um elenco tão competitivo quanto o do clube merengue.

Ao relembrar os próprios 18 anos, Kroos destacou que viveu dilema semelhante no Bayern de Munique e optou por sair para o Bayer Leverkusen em busca de experiência. A leitura, segundo ele, é simples: talento precisa de contexto para florescer. E, no caso de Endrick, a falta de oportunidades no Real torna natural a escolha por um empréstimo que ofereça ritmo e responsabilidade.

— O mais importante para Endrick é jogar, e se você não tem muitas oportunidades de jogar no Real Madrid, o melhor é ser emprestado para outro clube para ganhar experiência. Pensei o mesmo quando tinha 18 anos. Estava no Bayern de Munique e decidi ir para o Bayer Leverkusen. O mesmo vai acontecer com o Endrick — disse Kroos em entrevista ao jornal espanhol “AS”.

Endrick irritado durante jogo do Real Madrid
Endrick irritado durante jogo do Real Madrid (Foto: Imago)

Endrick escolhe o Lyon como etapa estratégica

É nesse cenário que o acerto com o Lyon surge como movimento calculado. O atacante de 19 anos assinou contrato de seis meses com o clube francês, até o fim da temporada, permanecendo vinculado ao Real Madrid até 2030. O empréstimo não prevê opção de compra, reforçando a ideia de que a saída é vista como etapa de amadurecimento, e não como ruptura de projeto.

As conversas começaram ainda em novembro e, desde o início, Endrick se mostrou receptivo à ideia de atuar na França. Nem mesmo o interesse do Manchester United, que buscava alternativas após a lesão de Benjamin Sesko, alterou o plano traçado pelo jogador e seu estafe. O objetivo é claro: jogar com regularidade para se manter competitivo e seguir no radar da seleção brasileira, de olho na Copa do Mundo.

O próprio Carlo Ancelotti reconheceu publicamente que a pouca minutagem em Madri pesa contra convocações, ainda que não feche as portas para o retorno de Endrick ao grupo. Internamente, o Real chegou a priorizar um empréstimo dentro de LaLiga, pensando no processo de obtenção do passaporte espanhol, mas outros fatores acabaram sendo decisivos.

Pesou a favor do Lyon o contexto esportivo e institucional. O clube ocupa a quinta colocação na Ligue 1, lidera a Liga Europa e carrega tradição no desenvolvimento de jovens — especialmente brasileiros. A presença de Paulo Fonseca no comando técnico também foi vista como um diferencial, tanto pela facilidade de comunicação quanto pelo histórico do português com atletas do Brasil ao longo da carreira.

A mudança ganha ainda mais sentido quando se observa o cenário recente em Madri. Após chegar ao clube na última temporada e somar 37 partidas e sete gols, com destaque na Copa do Rei, Endrick perdeu espaço a partir da troca de comando técnico. Em 2025/26 — com Xabi Alonso —, atuou em apenas três jogos do Real, sendo titular uma única vez.

Diante disso, a avaliação de Kroos soa menos como opinião e mais como diagnóstico: para crescer, Endrick precisa jogar — e o Lyon oferece, hoje, esse palco.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo