Espanha

‘Messi tinha esse poder. Se ele tivesse dito não, eu não teria assinado com o Barcelona’

Ex-jogador relembra negociação improvável com clube catalão e revela como aval de craque argentino foi decisivo para sua chegada ao Barça

Kevin-Prince Boateng nunca escondeu que sua curta passagem pelo Barcelona foi um daqueles episódios improváveis que só o futebol é capaz de produzir. À época, ele já era um jogador experiente, com trajetória marcada por altos e baixos, mas a chance de vestir a camisa de um dos principais clubes do mundo surgiu de forma tão repentina quanto intrigante.

Em entrevista ao podcast “Unscripted”, de Josh Mansour, o ex-meia relembrou os bastidores da negociação que, segundo ele, teve um protagonista incontornável: Lionel Messi.

Boateng contou que o interesse do Barça era real, direto e veio de todos os níveis da hierarquia esportiva do clube. Em pouco tempo, passou de observador distante a potencial reforço — e tudo indicava que o acerto seria selado rapidamente. No entanto, o entusiasmo inicial deu lugar a uma surpresa ainda maior quando descobriu que, antes de qualquer assinatura, havia um último aval a ser conquistado: o do maior jogador da história do clube catalão.

— Eu poderia assinar com o Barcelona, ​​mas se Messi dissesse não, o negócio não aconteceria. Éric Abidal me queria no Barça, o diretor esportivo me queria, o presidente me queria, o técnico me queria, então eu disse “ok”, vamos assinar’, mas eles me disseram que precisavam consultar Messi primeiro.

Com a revelação de que a contratação dependia da aprovação de Messi, Boateng disse que percebeu a dimensão peculiar daquele processo. Todo o acerto formal já estava encaminhado, mas a palavra final caberia ao principal astro do elenco. Para ele, tratava-se de uma situação incomum, na qual a estrutura do clube parecia suspensa até que o capitão desse seu aval.

— Ele tinha esse poder. Fui dormir na esperança de que Messi aprovasse minha contratação. Se ele tivesse dito não, eu não teria assinado com o Barça — concluiu.

Como foi a passagem de Boateng pelo Barcelona?

Boateng durante apresentação no Barcelona
Boateng durante apresentação no Barcelona (Foto: Imago)

A passagem de Kevin Boateng pelo Barcelona, em 2019, foi tão surpreendente quanto discreta. Contratado por empréstimo junto ao Sassuolo para ser uma opção pontual no ataque, ele chegou ao clube com a missão de oferecer profundidade ao elenco em meio a uma temporada desgastante. Contudo, acabou utilizado poucas vezes.

Foram apenas quatro partidas oficiais, nenhuma como protagonista, e sem gols marcados — um cenário que rapidamente transformou sua chegada inusitada em uma lembrança quase folclórica da era Valverde.

O contexto esportivo também não ajudou Boateng a ganhar espaço. O Barça vivia uma fase em que suas peças ofensivas já estavam bem encaixadas no modelo de jogo, com titulares estabelecidos e concorrência intensa nas funções mais adiantadas.

Além disso, o próprio atleta deu a entender mais tarde que sua adaptação ao ritmo e às exigências táticas do clube foi mais complexa do que imaginava. Assim, seu papel acabou limitado a aparições esporádicas e minutos de rotação, sem tempo suficiente para causar impacto real.

Apesar da curta trajetória na Catalunha, o alemão-ganês tratou a experiência como um privilégio. Jamais escondeu que treinar ao lado de Messi — e dividir um vestiário com jogadores de altíssimo nível — representou um capítulo marcante na carreira.

Fora do Barça, Boateng construiu uma carreira marcada por versatilidade, personalidade forte e passagens por centros importantes. Revelado pelo Hertha Berlin, atuou em clubes como Borussia Dortmund, Portsmouth, Milan, Schalke, Las Palmas e Fiorentina, somando momentos de destaque e fases de instabilidade. Entre altos e baixos, consolidou-se como um jogador talentoso, fisicamente imponente e capaz de atuar em diversas funções ofensivas.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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