‘Pior momento possível’: Jornal espanhol aponta erros do Barcelona com Vitor Roque
Brasileiro teve rápida experiência no futebol europeu, até retornar ao Brasil
Há exatos dois anos, Vitor Roque desembarcava na Espanha ao ser transferido para o Barcelona, após deixar o Athletico-PR, em um contrato que teria duração até 2031, com uma multa rescisória de 500 milhões de euros (R$ 2,7 bilhões).
O atacante brasileiro teve a sua contratação antecipada pelos Blaugranas devido à grave lesão de Gavi. Na época, o Barça vivia um alívio financeiro graças à lacuna salarial criada pela longa ausência do meio-campista.
A folga financeira resultou em um acordo com o Furacão por 30 milhões de euros, mais bônus que poderiam elevar o total para 61 milhões de euros — estes nunca chegaram a ser acionados.
— Naquela época, o Barça entendia que precisava reforçar seu ataque pensando no futuro, para substituir Lewandowski e acelerar a adaptação, inicialmente planejada para julho de 2024, de um atacante considerado uma das grandes promessas do futebol brasileiro — explica o jornalista Vítor González, no “Sport”.
Para González, a chegada do atacante se deu em um momento delicado da equipe, que vivia uma série de resultados negativos e viu o seu desfecho com a demissão de Xavi Hernández, após a eliminação na Supercopa da Espanha.
— Vitor Roque chegou a uma equipe que já apresentava fragilidades estruturais, com um clima tenso no vestiário, onde o próprio Xavi havia se demitido após os maus resultados na sequência da derrota para o Real Madrid na final da Supercopa da Espanha.

Para além da dificuldade na adaptação ao futebol europeu, as chances de desenvolvimento no elenco Blaugrana também foi reduzida. Isso porque Roque somou apenas 16 partidas.
— O brasileiro teve pouco tempo em campo, quase sempre entrando como substituto, e nunca conseguiu se firmar. Disputou 16 partidas oficiais e marcou dois gols, sem conseguir se firmar ou conquistar totalmente a confiança da comissão técnica — aponta.
Chegada de Hansi Flick e liberação de Vitor Roque
A chegada de Hansi Flick para assumir o comando do Barcelona foi decisiva no futuro de Vitor Roque. O treinador optou por emprestar o brasileiro ao Betis com o objetivo de dar tempo de jogo ao atacante e reduzir a folha salarial do clube.
No Villamarín, Roque, de fato, teve mais oportunidades, somando 33 jogos e sete gols, mas ainda não havia se destacado como esperado. Em contrapartida, o Barça já trabalhava em uma transferência definitiva para ajudar a equilibrar as finanças devido as regras do Fair Play Financeiro, já pensando em Ferran Torres como um substituto para Lewandowski.
Entre idas e vindas, a despedida do futebol europeu aconteceu, de fato, em fevereiro deste ano em transferência para o Palmeiras. Com a negociação, o Barcelona recebeu um valor fixo de 25 milhões de euros (R$ 163 milhões), além de 5 milhões (R$ 32 milhões) em bônus, mantendo 20% de uma futura venda de Vitor Roque.

— O acordo incluiu uma cláusula paralela com o Betis para rescindir o empréstimo e facilitar sua ida para o Brasil: o Barça cedeu mais 30% dos direitos de Abde, reduzindo sua porcentagem em uma futura venda do ponta de 50% para 20%, como compensação pela quebra do contrato de empréstimo de Vítor Roque –, relembrou o jornalista Vítor González, do “Sport”.
O retorno do Tigrinho ao Brasil alavancou o jogador ao seu melhor momento desde que saiu do país. Em 2025, marcou 20 gols em 56 partidas e serviu cinco assistências e voltou a ser convocado para a seleção brasileira. Além dos números individuais, foi vice-campeão da Libertadores e do Campeonato Brasileiro.
— Dois anos depois, Roque demonstra seu talento em seu país natal, chegando perto da glória na Copa Libertadores e retornando à seleção sob o comando de Ancelotti. Mas, na mente dos torcedores do Barcelona, Tigrinho ainda paira como uma contratação que chegou no pior momento possível e durante um período de instabilidade que prejudicou sua adaptação –, afirmou o jornalista.
— Uma aposta de Deco que não deu certo, embora, como ele está provando, certamente não lhe faltasse talento — concluiu Vítor González.



