Espanha

Jogou a toalha?

O Barcelona faz uma campanha quase irrepreensível no Campeonato Espanhol. Lidera, está invicto, tem o melhor ataque e a defesa menos vazada. Ainda tem o artilheiro da competição: Messi, com 15 gols. Um dos poucos quesitos em que os blaugranas não dominam a classificação é “campanha em casa”, em que os catalães estão um pouco abaixo de Real Madrid e Mallorca. Tudo porque deixaram de vencer uma única vez, em um 1 a 1 com o Villarreal.

Não foi um acidente. Foi um resultado normal pelo que jogou o Submarino Amarillo naquela noite de sábado. Um time sólido, que tem volume de jogo, estilo definido e sabe como usar suas armas, mesmo diante de um adversário notoriamente mais forte. Não fosse pelo péssimo início de temporada, estaria no mesmo passo de Valencia, Sevilla, Mallorca e Deportivo de La Coruña, times que lutam por duas vagas na Liga dos Campeões.

Em teoria, dá para achar que o time, com uma série de bons resultados, entraria nessa disputa. Mas a diretoria não parece acreditar nisso. Vendo que o projeto atual demonstrava sinais de instabilidade, achou melhor mudar tudo. O técnico Ernesto Valverde foi demitido e fica a sensação de que o clube já aceita abrir mão da atual temporada para se ajustar para a próxima.

Os motivos da demissão não são claros, mas há pistas. O presidente Fernando Roig alegou que o motivo não foram os resultados, e sim, uma análise do que estava ocorrendo na equipe. A decisão seria “dura, mas necessária”. O dirigente negou que houvesse um racha entre elenco e treinador, mas é difícil acreditar completamente. Sobretudo por essa declaração: “o que se vê em campo é consequência de tudo o que se passa durante a semana”.

Roig pode ter seus motivos, e a pífia apresentação do Villarreal contra o Osasuna não ajudou a causa de Valverde. O que dá motivo para preocupação para os torcedores amarelos não é a troca de técnico em si, mas como seguir no resto da temporada. No caso, com o novato Juan Carlos Garrido, que vinha comandando o Villarreal B na Segundona espanhola.

A escolha de Garrido é simples: solução barata e, por isso, de baixo risco. Ele conhece o elenco, sobretudo os jogadores que passaram pelas categorias de base. No entanto, não tem experiência e dificilmente terá força para impor mudanças mais radicais se achar necessário. Pelo menos, não no meio da temporada. Tudo bem, ele não terá salário alto e, se der errado, o clube não se comprometeu com um técnico caro e de longo contrato (como fez o Valencia com Ronald Koeman em 2007/08). E, claro, há sempre a possibilidade de a equipe engrenar.

A solução lembra a de dois outros clubes que, nos últimos anos, têm ocupado patamar semelhante ao do Villarreal na classificação do Espanhol: Sevilla e Atlético de Madrid. Os dois clubes trocaram de comandantes no meio de temporadas e apostaram em nomes caseiros e baratos. Os sevillistas o fizeram quando efetivaram Manolo Gimenez – auxiliar técnico – após a saída de Juande Ramos. Os colchoneros tiveram atitude parecida quando chamaram Abel Resino – então treinador do Castellón, mas ex-goleiro do time madrileno – para o lugar de Javier Aguirre.

Nos dois casos, a mudança não serviu para dar impulso imediato ao time. Manolo Gimenez e Abel mantiveram Sevilla e Atlético no mesmo passo (claudicante) que já vinham. Os resultados só vieram na temporada seguinte. O clube andaluz voltou a ocupar as primeiras posições da Espanha, enquanto que os rojiblancos continuaram instáveis e sem uma liderança clara para os momentos decisivos (tanto que já trocaram novamente de comandante).

O Villarreal parece caminhar no mesmo sentido. Demitir Ernesto Valverde não é o fim do mundo, nem significa que o clube vá afundar. É sinal apenas que a diretoria já se acostumou à ideia de a temporada 2009/10 não levar nada a El Madrigal. Apertou o botão do “piloto automático” e torce para o time se encontrar. Se isso ocorrer, posarão de gênios e contabilizarão os lucros.

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Equipe Trivela

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