Em um clássico de duas superpotências como são atualmente Real Madrid e Barcelona, é difícil imaginar uma goleada. Mesmo que, evidentemente, os dois times sejam muito capazes disso. Só que mais do que craques aos montes, é preciso ser um time. O Real Madrid de Rafa Benítez não é. O de Luis Enrique é. Coletivamente, o time catalão funciona bem, defensiva e ofensivamente. O confronto entre os dois evidenciou os problemas do time da capital. E, pior, em pleno Santiago Bernabéu. Os 4 a 0 saíram baratos, uma promoção de Black Friday. Poderia ter sido seis, sete, talvez mais até oito. E explicamos alguns fatores que levaram a isso.
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Sergi Roberto titular
Um grande mérito do Barcelona veio na escalação. Quando Lionel Messi foi relacionado para o jogo, a pergunta que ficou era se ele começaria ou não o confronto com o Real Madrid. Ficou no banco. Era especulado que Munir, atacante, substituísse o camisa 10. A escolha de Luis Enrique, porém, foi Sergi Roberto. Um jogador que não é atacante e, por isso, mudou um pouco o jeito do time jogar.
Vale lembrar que Sergi Roberto começou a temporada atuando como lateral direito. Isso porque o time teve diversos problemas de lesão na posição e o jogador teve que ser improvisado. Foi bem, ganhou a confiança de Luis Enrique, o que fez o jogador, de 23 anos, se tornar uma opção mais frequente também para o meio-campo, sua posição de origem.
Com isso, o Barcelona não jogou com os três atacantes, dois deles abertos, como tantas outras vezes. Foi um meio-campo com Sergi Roberto mais à direita, Iniesta mais à esquerda, e muita compactação. Com a bola, Sergi Roberto foi o responsável direto pelo primeiro gol do Barcelona, em uma infiltração pelo meio, puxando a marcação do lado para dentro, e abrindo um buraco. Foi onde ele tocou para Suárez, que finalizou com classe. Sua participação foi muito importante e mostra que o time ganha uma opção de jogo por ali, em um setor crucial para o estilo de jogo do Barcelona.
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Neymar decisivo, Suárez matador
Mais uma vez, Neymar foi um destaque do Barcelona sem Messi. Foi perigoso pelos lados do campo, buscou o jogo, participou bem e criou jogadas que poderiam ter acabado em uma goleada por ainda mis gols. Ele mesmo marcou o segundo, em um lance que os madridistas reclamaram de impedimento. No replay, há uma dúvida, mas ele parece mesmo impedido.
Mais do que o gol, Neymar teve criatividade, teve inteligência e soube ter a bola nos pés muitas e muitas vezes. Nos números, isso fica claro: Alba foi quem mais tocou na bola, 89 vezes, seguido por Kroos, do Real Madrid, com 81. Neymar não ficou entre os que mais tocaram na bola no jogo, mas tocou 73 vezes. Só um jogador do Real Madrid tocou mais na bola que ele, e foi o já citado Kroos, que apesar de muitos toques, só tocou de lado, sem dar ritmo, sem conseguir controlar o jogo.
Suárez também foi decisivo. Marcou dois gols, o que é um destaque óbvio, mas também mostra o que o faz tão difícil de marcar: ele cai pelos lados do campo, busca o jogo e ajuda a equipe a construir jogadas. O que é muito importante em um time tão criativo e que gosta tanto de trocar passes rápidos. Não é o Barcelona do tiki-taka de Guardiola mais, mas tem o passe como elemento básico. Só que tem o jogo mais incisivo, mais agressivo, como uma característica. Junto com Neymar, foi quem mais chutou a gol, quatro vezes. E chutar quatro vezes e marcar duas vezes é mais do que excelente.
Bravo fechando o gol
O goleiro do Barcelona esteve em um grande dia. Fez ao menos três defesas muito, mas muito forte. Foram sete defesas no total, o que mostra que, nos momentos que o Real Madrid criou, o goleiro do Barcelona ajudou a impedir os gols. Cristiano Ronaldo teve a chance mais clara do time merengue nos pés, Bravo saiu fechando bem o ângulo e conseguiu defender. Impediu uma cabeçada de Ronaldo de entrar, no final. Aos 32 anos, Bravo mostra segurança e uma forma impecável no gol.
Apesar do destaque do chileno, é preciso também falar sobre o bom posicionamento defensivo. Daniel Alves e Jordi Alba são jogadores de presença ofensiva, mas souberam guardar posição com a formação ofensiva do Real Madrid. Piqué foi muito bem também, embora seja mais importante ainda lembrar o papel de Sergio Busquets. O volante, como sempre, é invisível em campo. Mesmo assim, consegue ser importante demais na marcação e no início das jogadas, desarmando e já começando o jogo de velocidade e ataque do Barcelona.
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Benítez, uma pressão difícil de segurar
O Santiago Bernabéu protestou. A formação escolhida por Benítez foi ofensiva. O 4-4-2 que algumas vezes o ex-técnico Carlo Ancelotti escalou, mas muito mais exposto. James Rodríguez e Bale ficaram pelos lados, Benzema e Cristiano Ronaldo na frente. Para isso, tirou Casemiro. A pressão era para tirar um dos volantes defensivos, porque se queria um time ofensivo contra os rivais.
Os torcedores pediram a demissão do técnico. A questão não é só números. O Real Madrid só tinha sofrido uma derrota na temporada até aqui. O problema é que o futebol não é convincente, a defesa, mesmo sofrendo poucos gols, mostrava fragilidades. Um time com tantos craques não conseguir jogar bem é preocupante.
Agora, o Real Madrid terá que lidar com muita dor de cabeça. A pressão pela demissão de Benítez virá, mas só isso não resolverá o problema. Será preciso mais e, durante a temporada, o time terá que se reinventar. A distância para o Barcelona na liga aumentou para seis pontos. Na Champions League, será preciso uma campanha melhor. A classificação é importante, mas ainda é pouco. Isso se o treinador sobreviver a este domingo. Já se diz que Zinedine Zidane, técnico do time B, pode assumir o cargo do espanhol, que está na frigideira.
Veja os gols do Barcelona no jogo:
O gol de Suárez
O gol de Neymar:
O gol de Iniesta:
O segundo gol de Suárez
*O título é uma referência ao vídeo abaixo, que se tornou viral na internet nesta semana:



