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Iniesta defende estilo da Espanha e diz que não é herói

Vencer duas Eurocopas em seguida e uma Copa do Mundo no meio é algo que só a Espanha conseguiu na história. É uma das muitas marcas que a equipe deixou na história, mas certamente não é a única. O estilo de jogo de posse de bola, dominante, de muita paciência, conseguiu quase todos os títulos possíveis desde 2008. A Copa das Confederações é uma das poucas conquistas que não foram para a galeria de títulos espanhola. Mas o estilo de jogo é questionado e a derrota do Barcelona para o Bayern Munique por uma goleada deixou no ar a dúvida se finalmente encontraram uma fórmula para vencer o tiki-taka espanhol. Andrés Iniesta, autor do gol do título mundial em 2010, não acredita nisso. Para ele, a Espanha tem que manter o estilo que levou a equipe às conquistas.

Em entrevista ao jornal El País, o camisa 6 da Espanha foi perguntado se o time precisa aprender a jogar de outra maneira. “Não fomos nada mal jogando assim, não é? O que nos fez grande é a ideia e o estilo. Quando encontramos o caminho, melhor não sair dele”, analisou o meio-campista, de 29 anos.

O repórter insiste e pergunta que na Liga dos Campeões, pareceu que a ideia não funciona e que a Alemanha encontrou uma maneira de tirar do caminho. O meia foi enfático na resposta. “Isso é falar por falar. A Alemanha terá que nos vencer se quiser nos tirar do trono. Alemanha, Brasil, Argentina, quem quer que seja. E com tudo que nos custou, não vamos cair facilmente. Temos ido muito bem, o modelo segue sendo válido, estamos convencidos disso. Seguimos sendo competitivos e quando ganha e faz as coisas bem… Seguimos sendo uma referência mundial, mas é claro que somos exigidos a melhorar, a crescer, porque os rivais também melhoraram”, analisou o jogador do Barcelona.

Uma característica marcante do Barcelona e que também foi da Espanha na última Eurocopa foi a ausência de centroavante. Em 2008 e 2010, o time jogou com um atacante mais fixo, ainda que na Copa do Mundo esse jogador tenha sido David Villa. Como o time se comportará na Copa das Confederações, sem ter um centroavante fixo? Há quem diga que a falta de objetividade da Espanha seria amenizada com a presença de um camisa 9. Para Iniesta, esse não é um problema.

“Com um falso 9 ganhamos a Eurocopa. Somos obrigados a fazer algo diferente para surpreender o rival.  Se trata de incorporar matizes. Esse debate choca quando é o modelo que tem dado êxitos à seleção, antes com o ‘vamos, vamos’ não íamos. Ganhamos jogando assim, com toque de bola e paciência. Não conseguiríamos de outra maneira. Mas quando ganhamos tanto, temos mais responsabilidades de perder. A torcida quer é ver jogar bem e que a Espanha ganha, com um 9 ou sem ele. Isso causou danos aos rivais, porque não é fácil se adaptar uma equipe que não sabe o que vai fazer. A Espanha tem um grande variedade de jogo e a intenção é melhorar a cada dia. Não olhamos para trás, mas sim o que podemos conseguir”, declarou o jogador.

Fim do ciclo do Barcelona? Longe disso

Muitos viram a temporada do Barcelona como frustrante pela forma como o time perdeu a Liga dos Campeões para o Bayern Munique e a derrota para o rival Real Madrid na Copa do Rei, mas para Iniesta, é preciso ressaltar a grande campanha do time no Campeonato Espanhol. Foi a melhor campanha da história do clube na liga.

“Estou orgulhoso da temporada porque as complicações durante o ano fizeram isso muito especial. Não é fácil não ter o líder durante meses. O dia a dia se faz muito complicado. Mas tentamos lidar com isso da melhor forma possível. A figura do treinador é imprescindível. Seja como seja, fale como fale, transmita como transmita, o treinador é um líder, o ponto onde deve girar tudo. A opinião do treinador é fundamental para dar o caminho. Temos coisas a melhorar e vai ser mais difícil, cada ano é mais difícil”, afirmou Iniesta.

Perguntado se o Barcelona jogou pior nesta temporada, o jogador rechaçou. “Não [jogamos pior]. É impossível ganhar a liga com tantos pontos e tanta distância se não faz as coisas bem. Se te descuidar, te pegam. Seria injusto dizer que jogamos mal somando 100 pontos”, declarou. Como a derrota para o Bayern foi muito marcante, perguntaram ao jogador se esse foi o fim do ciclo do Barcelona.

“Não. Sei que há muita gente desejando que nosso cilo termine, mas seguimos vivos. Os ciclos são anos conseguindo coisas e este ciclo está durando muito. Mas não é uma palavra, é um feito, é um ciclo com todas as coisas da lei. Tentaremos estendê-lo, porque sabemos que quando acabam se fica mal e custa a voltar a vencer. Não se pode tirar o que conseguimos com base em uma eliminatória que não chegamos nas melhores condições. Eles [Bayern] chegaram na plenitude e passaram por cima de nós. Quando nós que fizemos isso e disseram ‘que estes são bons’, gostamos de ouvir, assim, é justo reconhecer que eles foram melhorar, até o ano que vem. Ponto”, disse Iniesta.

Iniesta recusou o rótulo de herói por ter feito o gol da final da Copa do Mundo. Herói, para ele, são as pessoas trabalhadoras. “Herói? Imagina. Me sinto muito querido, é evidente. A torcida me demonstra muito carinho a cada passo. Mas um herói é outra coisa. Heróis são os que lutam contra uma doença, os que tem que emigrar para dar de comer aos seus filhos… Eu sopu só um privilegiado que joga futebol e que às vezes tem a sorte de fazer feliz muita gente fazendo um gol ou dando um passe, ajudando a ganhar uma partida. E isso é o bom dessa seleção, demos um dia de alegria a esses heróis anônimos sem muitas oportunidades para sorrir. Não sei, é o que acredito. Além disso, eu nunca ganhei nada sozinho, o que conseguimos, conseguimos todos. É a nossa força, ser conscientes de que somos uma equipe e que nada é melhor que nada”, declarou.

Iniesta é um dos grandes líderes e grandes símbolos dessa seleção espanhola tão vitoriosa. Só que é mais do que isso. É um grande personagem, que merece respeito por tudo que demonstra ser.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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