Herói improvável, goleiro do Real Madrid mostra resiliência e fala sobre futuro
Reserva do Real Madrid há três anos, Andriy Lunin ganhou a posição de Kepa e foi o herói em classificação para a Liga dos Campeões
Com um elenco já recheado de estrelas como Vinicius Júnior, Rodrygo, Rüdiger, Alaba, Kroos e Modric, o Real Madrid se reforçou ainda mais nesta janela ao trazer Jude Bellingham. Assim como já esperado, o inglês encaixou bem no novo esquema montado por Carlo Ancelotti, e inclusive é o vice-artilheiro da La Liga, com 16 gols.
Mas se era óbvio que com um elenco tão forte o Real Madrid de fato fosse o grande favorito para vencer La Liga e chegasse forte para a disputa da Champions League, não era de se esperar que um dos destaques da equipe fosse o terceiro goleiro Andriy Lunin.
Após superar a desconfiança e a preocupação por uma guerra em seu país, mostrou resiliência ao longo dos últimos anos, ganhou a confiança do treinador e foi o grande herói da recente classificação merengue para as semifinais do torneio europeu.
Nascido em Kransnonrad, Lunin foi revelado pelo Dnipro, um time que chegou à final da Liga Europa em 2015, e estreou pelo clube que não existe mais em 2016, ainda com 17 anos. Com a crise crescente que fez o seu antigo clube fechar, o goleiro foi negociado com o Zorya Luhansk, e ainda muito jovem, foi destaque da equipe, e estreou ainda com 18 anos pela seleção de seu país.
Chegada repentina e de obstáculos no Real Madrid
O desempenho mesmo sendo muito jovem fez com que o Real Madrid, em junho de 2018, desembolsasse 8,5 milhões de euros ao Zorya, fazendo dele até agora o primeiro e único ucraniano a vestir a camisa merengue. Apesar de pertencer ao time da capital espanhola há 6 anos, Lunin demorou muito para ganhar espaço.
Ele chegou ao Real Madrid na mesma janela de Thibaut Courtois, e de imediato foi emprestado ao Leganés, mas passou a temporada toda no banco de reservas. A temporada seguinte foi ainda pior para o ucraniano. Ele foi cedido ao Valladolid, mas também sem espaço, deixou o time após 4 meses e no mesmo dia foi emprestado novamente ao Real Oviedo, onde também não conseguiu jogar.
De volta ao Real Madrid, ele fez sua estreia pelo time somente em janeiro de 2021, em uma derrota da equipe na Copa do Rei, e até a temporada passada, só havia atuado em 16 jogos pelos merengues. A falta de espaço fez com que ele também perdesse espaço na Seleção Ucraniana. Inclusive, a guerra em seu país-natal afetou a estadia de Lunin.
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Guerra mexeu com a cabeça do atleta
Pouco após os bombardeios russos, que atingiram a Ucrânia em 2022, o ucraniano passou a treinar com menos foco, o que o prejudicou em campo. Tanto que na época, o técnico Carlo Ancelotti disse que vinha dando apoio para fazer com que Lunin voltasse a ter bom desempenho para talvez ganhar novas oportunidades.
— Falei com ele, tanto eu quanto o presidente, para mostrar o nosso carinho porque o momento é difícil. A guerra é um horror. Todo o clube que transmitir carinho a ele. Evidentemente ele não tem o espírito de antes, porque tem pessoas perto de Kiev e está preocupado. Isso o afeta. Acredito que os treinos o auxiliam a não pensar na guerra.
E depois de tanta espera, a grande oportunidade da carreira que Lunin tanto esperava apareceu, mesmo que de forma trágica. No começo da temporada, Courtois teve uma grave lesão no ligamento do joelho, que o deixaria 8 meses afastado dos gramados. Mas ao invés de dar oportunidade ao ucraniano, o Real Madrid bateu na porta do Chelsea, e por empréstimo contratou Kepa Arrizabalaga.
Demorou, mas chegou
O que poderia deixar Lunin magoado, na verdade, o fortaleceu. Focado nos treinamentos, o goleiro foi mostrando uma forma cada vez melhor e a partir de novembro, assumiu a titularidade da meta merengue. Desde então foram 25 jogos como titular do Real Madrid, uma nova oportunidade na Seleção Ucraniana que garantiu sua vaga na Eurocopa, e o auge nesta semana.
O goleiro brilhou na última quarta-feira ao pegar pênaltis de Bernardo Silva e Mateo Kovacic, que asseguraram ao Real Madrid uma vaga nas semifinais da Champions League. Aoesar de ter sido essencial nas cobranças de pênaltis do duelo contra o Manchester City, no Etihad Stadium, ele mostrou modéstia no discurso.
— Não sou o herói e nem o cara do time, o herói é o conjunto. Me dediquei ao máximo após os 120 minutos de jogo, e agora me sinto a pessoa mais feliz do mundo — disse ao canal Movistar Plus+.
Mesmo sendo de poucas palavras, ele aproveitou para falar sobre a resiliência mostrada nos últimos anos, e como não desistiu de dar o seu melhor para ter a oportunidade de assumir a titularidade de um dos maiores clubes do mundo.
— Sempre estive trabalhando sem falar muito e tentando aproveitar as oportunidades em que me chamavam. E no fim, o trabalho está tendo recompensa.
Qual o próximo passo do goleiro?
O bom desempenho faz com que o futuro do goleiro ucraniano esteja cada vez mais em cheque. Por mais que tenha contrato até 2025, recentemente, Lunin se tornou alvo de interesse do Arsenal, que vê no goleiro de 1,91 metros um concorrente para David Raya para as próximas temporadas.
— Agora estou concentrado na temporada. Quando ela acabar, falaremos (sobre uma possível renovação) — disse Lunin, que segundo a imprensa espanhola, tem o menor salário do elenco profissional merengue.
Ainda não se sabe se Lunin ficará. Com o retorno de Courtois à titularidade para a temporada 2024/2025, não parece um mau negócio que o ucraniano deixe Madri de vez. Mais valorizado e sendo herói de uma classificação épica, o goleiro mostrou que além de talento embaixo das traves, tem uma mentalidade forte e resiliente.



