‘Se Hansi Flick não fizer isso, deve ser demitido do Barcelona’
Ex-goleiro questiona encaixe do técnico no clube catalão e contesta 'coragem' atribuida ao alemão por seu estilo de jogo
Apesar da liderança em LaLiga e do título da Supercopa da Espanha diante do Real Madrid, o Barcelona não vem agradando a todos na temporada 2025/26. Para o ex-goleiro polonês Jan Tomaszewski, por exemplo, os resultados não escondem problemas estruturais mais profundos no trabalho de Hansi Flick.
Em declaração recente, o ídolo do futebol polônes adotou um tom duro ao avaliar o impacto do treinador alemão, apontando desgaste físico, queda de rendimento coletivo e uma equipe que, segundo ele, está longe de expressar todo o seu potencial técnico.
Na visão de Tomaszewski, o discurso de intensidade e coragem vendido por Flick não se sustenta quando confrontado com atuações irregulares em jogos grandes da temporada europeia — como a vitória por 4 a 2 sobre o Slavia Praga, pela Champions League.
O ex-arqueiro entende que a sobrecarga do elenco tem reflexos diretos dentro de campo, com jogadores abaixo do nível esperado e decisões que comprometem o desempenho do time em momentos-chave.
— Os jogadores estão simplesmente sobrecarregados. Flick finge ser corajoso após uma partida ruim como a de Praga. Acho que, infelizmente, os jogadores estão atuando com apenas 40/50% do seu potencial.
A crítica, porém, vai além da gestão física e do rendimento imediato. Para Tomaszewski, existe um descompasso claro entre o perfil do treinador e a identidade histórica do Barcelona, algo que nem títulos domésticos, nem boa campanha na liga conseguem mascarar. Na avaliação dele, o plantel é forte, talentoso e competitivo, mas estaria sendo limitado por um modelo de jogo que não potencializa suas principais virtudes.
— Flick precisa ganhar a Champions League. Se não ganhar, deve ser demitido, porque simplesmente não se encaixa neste time. Ele os transformou em jogadores incompletos, e o Barça tem um time fantástico.
O que ele quis dizer com ‘Flick finge ser corajoso’?

Quando Tomaszewski afirma que Flick “finge ser corajoso”, ele não está falando de postura emocional, mas de discurso. A crítica mira a maneira como o alemão enquadra atuações problemáticas como provas de caráter, dificuldade externa ou mérito competitivo, deslocando o foco dos erros estruturais do próprio Barcelona.
O ex-goleiro deixa claro que há uma diferença clara entre reconhecer limitações reais e transformar jogos abaixo do esperado em narrativas de superação.
No caso específico de Praga, a leitura é que Flick tenta legitimar um desempenho instável exaltando fatores como frio, força física do adversário e reação no segundo tempo. Ao fazer isso, segundo Tomaszewski, o treinador constrói uma imagem de “coragem” — resistência, luta, adaptação — que não corresponde à superioridade técnica e ao contexto da partida, sobretudo contra um dos piores times da Champions.
No entendimento do polonês, esse tipo de discurso acaba sendo uma “cortina de fumaça”. Em vez de admitir que o time sofre mais do que deveria, que começa jogos decisivos jogando mal e que perde controle mesmo após virar o placar, Flick relativiza os problemas ao enquadrá-los como desafios externos superados. É aí que entra o “fingimento”: a coragem estaria mais na retórica pós-jogo do que em soluções práticas dentro de campo.
Declaração de Hansi Flick após Slavia Praga 2 x 4 Barcelona:
— Não foi fácil hoje. Estava muito frio e o Slavia é um time físico. Eu disse antes do jogo que seria físico e que eles têm ótimos jogadores e não é fácil se defender contra eles.
— Estou muito feliz com a reação da equipe e, no final, merecemos os três pontos, especialmente depois da nossa atuação muito melhor no segundo tempo.



