Espanha

Guia do Campeonato Espanhol – parte 2

Na semana passada, não se sabia quando o Campeonato Espanhol ia começar. Agora, não se sabe se ele efetivamente começou. Na primeira rodada, o Real Madrid fez 6 a 0 fora de casa e o Barcelona meteu 5 a 0 em uma equipe que, teoricamente, briga por uma vaga na Liga dos Campeões.

A disparidade técnica foi tão grande que dirigentes de Sevilla e Villarreal contestaram fortemente o sistema de distribuição de recursos da liga, e como isso leva a um domínio exagerado de Barça e Real. Apesar de alguns termos fortes, como “a pior porcaria do mundo”, há alguma razão nas reclamações. O que o leitor assíduo dessa coluna já sabe há tempos.

Mas vamos deixar de enrolação. É hora da segunda parte do guia de La Liga, com a segunda metade dos times (pela ordem alfabética). Com os reclamões Villarreal e Sevilla, o dominante Real Madrid e um punhado de time que só quer ter um campeonato longe das últimas posições.

Obs.: para ver a primeira parte do guia, clique aqui.

OSASUNA

Nome: Club Atlético Osasuna
Fundação: 1920
Site oficial: www.osasuna.es
Estádio: Reyno de Navarra (19.553 lugares)
Técnico: José Luis Mendilibar
Colocação em 2010/11:
Competição europeia: nenhuma
Destaque: Ricardo
Fique de Olho: Lamah
Quem chegou: Marc Bertrán (Tenerife),  Ibrahima (Numancia), Rubén (Mallorca), Echaide (Huesca), Andrés (Huesca), Nino (Tenerife), Raitala (Hoffenheim/ALE), Raúl García (Atlético de Madrid), Lamah (Le Mans/FRA)
Quem saiu: Monreal (Málaga), Pandiani (sem clube), Josetxo (Huesca), Corominas (Espanyol), Oier Sanjurjo (Celta), Camuñas (Villarreal), Aranda (Levante), Soriano (Almería), Nacho Zabal (Numancia), Galán (Kilmarnock/ESC)
Objetivo na temporada: pelotão intermediário

O Osasuna começa a fazer uma amizade com o perigo. O clube sempre se virou bem com elencos experientes, muita raça e bons resultados no alçapão do Reyno de Navarra. Mas os navarros continuam se desfazendo de sua base, sem reposição à altura. O quarteto Puñal, Nekounam, Ricardo e Flaño garantem um mínimo de continuidade, mas, dos reforços, só o jovem atacante belga Lamah e o volante Raúl García (de volta a Pamplona, onde teve seus melhores momentos) pintam como bons nomes. Ainda é um time com vocação para o meio da tabela, mas é preciso renovar melhor o grupo para os anos seguintes.

RACING DE SANTANDER

Nome: Real Racing Club de Santander
Fundação: 1913
Site oficial: www.realracingclub.es
Estádio: El Sardinero (22.400 lugares)
Técnico: Héctor Cúper
Colocação em 2010/11: 12º
Competição europeia: nenhuma
Destaque: Munitis
Fique de Olho: Acosta
Quem chegou: Acosta (Sevilla), Stuani (Reggina)
Quem saiu: Lacen (Getafe), Giovanni dos Santos (Tottenham/ING), Coltorti (Lausanne/SUI), Henrique (Palmeiras/BRA), Tziolis (Siena), Rosenberg (Werder Bremen/ALE), Iván Bolado (Cartagena), Pinillos (aposentou), Brian Sarmiento (sem clube)
Objetivo na temporada: escapar do rebaixamento

Outra equipe que costuma fazer temporadas no pelotão intermediário, mas começa a sofrer com o desgaste de seu elenco e a dificuldade de repor à altura. O Racing se livrou de jogadores com salários altos e desempenho mediano, como Rosenberg e Tziolis, mas não compensou isso com investimentos altos. Acosta pode ser uma surpresa se tiver a continuidade que lhe faltou no Sevila e se Ariel (ex-Coritiba) mostrar evolução depois de uma temporada apagada. Toño é um goleiro decente e Munitis segue sua trajetória de ídolo máximo da torcida, mas não parece ter condições de repetir a boa temporada 2007/08, quando, sob o comando de Marcelino, terminou em sexto lugar.

RAYO VALLECANO

Nome: Rayo Vallecano de Madrid
Fundação: 1924
Site oficial: www.rayovallecano.es
Estádio: Teresa Rivero (15.489 lugares)
Técnico: José Ramón Sandoval
Colocação em 2010/11: 2º (segunda divisão)
Competição europeia: nenhuma
Destaque: Tamudo
Fique de Olho: Pacheco
Quem chegou: Sueliton (São José-RS/BRA), Michu (Celta), Botelho (Arsenal), Jordi Figueras (Rubin Kazan/RUS), Alberto Perea (Atlético de Madrid), Trashorras (Celta), Labaka (Real Sociedad), Pacheco (Atlético de Madrid), Tamudo (Real Sociedad)
Quem saiu: Coke (Sevilla), Óscar Trejo (Mallorca), Yuma (Salamanca), Salva (aposentou), Brayan Angulo (Atlético Baleares), Amaya (Betis), Juan Carlos Martín (Hércules), Borja (Córdoba), Quero (Córdoba)
Objetivo na temporada: escapar do rebaixamento

Dizer que o objetivo do Rayo Vallecano é terminar a temporada na primeira divisão é quase uma bondade. Se o Rayo terminar a temporada, qualquer que seja a situação, já estará de bom tamanho. O clube tem salários atrasados e ameaças de greve. Chegou a sugerir que a comissão técnica e alguns jogadores aceitassem redução salarial. Nesse cenário, chegar à primeira divisão – depois de uma campanha milagrosa na Segundona – servirá para fazer algum caixa e atenuar os problemas financeiros. Investir no time é um luxo que o terceiro time de Madri não pode se dar.

REAL MADRID

Nome: Real Madrid Club de Fútbol
Fundação: 1902
Site oficial: www.realmadrid.com
Estádio: Santiago Bernabéu (80.354 lugares)
Técnico: José Mourinho
Colocação em 2010/11:
Competição europeia: Liga dos Campeões
Destaque: Cristiano Ronaldo
Fique de Olho: Coentrão
Quem chegou: Sahin (Borussia Dortmund/ALE), Altintop (Bayern de Munique/ALE), José Callejón (Espanyol), Varane (Lens/FRA), Coentrão (Benfica/POR)
Quem saiu: Dudek (sem clube), Adebayor (Manchester City/ING), Sarabia (Getafe), Garay (Benfica/POR), Acuña (Girona), Mateos (Zaragoza), Juan Carlos (Zaragoza), Canales (Valencia)
Objetivo na temporada: título

Talvez seja o único time do mundo capaz de superar o Barcelona em um campeonato de pontos corridos. É uma equipe forte em todos os setores, com bom banco de reservas e capacidade de se reforçar no meio da temporada se precisar. E já provou que consegue parar o Barcelona (só precisa aprender a parar o Barcelona sem deixar de fazer seu próprio jogo). Mas é uma temporada decisiva para o projeto-Mourinho. O Real se entregou completamente ao técnico português, crente que ele devolverá o título da Liga dos Campeões ao clube. Em 2010/11 chegou perto, mas ele teve um voto de confiança (afinal, precisou de dois anos para levar a Internazionale ao topo da europa). Agora, ganhar é obrigação. Até porque seu estilo começa a ser contestado pelos madridistas mais tradicionalistas, que torcem o nariz para alguns expedientes extracampo do técnico.

REAL SOCIEDAD

Nome: Real Sociedad de Fútbol
Fundação: 1909
Site oficial: www.realsociedad.com
Estádio: Anoeta (32.200 lugares)
Técnico: Philippe Montanier
Colocação em 2010/11: 15º
Competição europeia: nenhuma
Destaque: Joseba Llorente
Fique de Olho: Mariga
Quem chegou: Vela (Arsenal/ING), Mariga (Internazionale/ITA)
Quem saiu: Tamudo (Rayo Vallecano), Diego Rivas (Hércules), Sutil (Murcia), Labaka (Rayo Vallecano), Albistegi (Logroñés)
Objetivo na temporada: pelotão intermediário

É praticamente o mesmo time da temporada passada. Mas não se deixe enganar pela 15ª posição. A Real Sociedad, quando consegue um mínimo de consistência, é um time para passar a temporada em uma situação bem mais confortável na tabela. A defesa não é das mais seguras, mas o meio-campo e o ataque contam com jogadores como Xabi Prieto, Aranburu e Llorente, capazes de carregar a equipe contra adversários mais fracos. Com Vela e Mariga, a diretoria busca dar um pouco de brilho e leveza ao time. Cabe ao técnico francês Philippe Montanier (responsável pela boa campanha do Valenciennes na última Ligue 1) fazer o time atingir a estabilidade que faltou em 2010/11.

SEVILLA

Nome: Sevilla Fútbol Club
Fundação: 1905
Site oficial: www.sevillafc.es
Estádio: Ramón Sánchez Pizjuan (18.500 lugares)
Técnico: Marcelino García Toral
Colocação em 2010/11:
Competição europeia: Liga Europa
Destaque: Jesús Navas
Fique de Olho: Luna
Quem chegou: Martín Cáceres (Barcelona), Trochowski (Hamburg/ALE), Manu del Moral (Getafe), Coke (Rayo Vallecano), Emir Spahic (Montpellier/FRA), José Gómez Campana (Sevilla B)
Quem saiu: Zokora (Trabzonspor/TUR), Dragutinovic (sem clube), Renato (Botafogo/BRA), Diego Capel (Sporting/POR), Redondo (Sabadell), Sergio Sánchez (Málaga), Acosta (Racing de Santander), Cala (AEK/GRE), Juan Carlos (AEK/GRE), Romaric (Bursaspor/TUR), Alfaro (Mallorca), Koné (Levante)
Objetivo na temporada: vaga na Liga dos Campeões

O Sevilla viveu na última temporada na sombra de seu passado recente. Manteve a aposta na observação de talentos baratos ou jogadores criados nas categorias de base, mas o grupo já estava desgastado. O 5º lugar na Liga foi enganoso, pois o futebol como um todo foi pobre e arrastado. Nesta temporada, a direção tomou uma atitude dura e promoveu uma semi-reformulação. Decisão correta. Saíram jogadores que já deram muito aos sevillistas, mas tinham pouco a acrescentar no futuro, como Koné, Dragutinovic, Capel, Romaric e Renato. Dos recém-chegados, merecem atenção os meias Trochowski e Del Moral. Não são garotos, mas têm capacidade para acrescentarem muito a um time que tem uma boa estrutura no meio-campo (Medel fica na marcação, Navas é o fator de desequilíbrio) e um ataque de respeito (Kanouté e Negredo). A série de acertos segue na escolha do técnico, o inteligente e ousado Marcelino, responsável por excelentes trabalhos no Recreativo de Huelva e no Racing de Santander.

SPORTING DE GIJÓN

Nome: Real Sporting de Gijón
Fundação: 1905
Site oficial: www.realsporting.com
Estádio: El Molinón (29.538 lugares)
Técnico: Manolo Preciado
Colocação em 2010/11: 10º
Competição europeia: nenhuma
Destaque: Juan Pablo
Fique de Olho: Óscar Trejo
Quem chegou: Damián Suárez (Defensor Sporting/URU), Ricardo León (Tenerife), Óscar Trejo (Mallorca), Sergio Álvarez (Sporting de Gijón B), André Castro (Porto/POR)
Quem saiu: Sastre (Huesca), Diego Castro (Getafe), José Ángel (Roma/ITA), Jorge García (Murcia)
Objetivo na temporada: pelotão intermediário

Se você gosta de espetáculo, times jogando para frente e futebol envolvente, não espere partidas empolgantes do Sporting de Gijón. Se você admira um time aguerrido, capaz de dificultar até a vida de Barcelona e Real Madrid apenas na determinação e garra, acompanhe de perto o time asturiano. Manolo Preciado montou uma estrutura muito sólida na defesa (e só perdeu um nome importante do setor, o lateral-esquerdo José Ángel), e tem a confiança de seus jogadores a ponto de a dedicação tática ser comovente. O Sporting vai fazer muito jogo com placar apertado e, entre perdas e ganhos, tem condições de ficar no meio da tabela.

VALENCIA

Nome: Valencia Club de Fútbol
Fundação: 1919
Site oficial: www.valenciacf.com
Estádio: Mestalla (55.000 lugares)
Técnico: Unai Emery
Colocação em 2010/11:
Competição europeia: Liga Europa
Destaque: Pablo Hernández
Fique de Olho: Diego Alves
Quem chegou: Diego Alves (Almería), Parejo (Getafe), Rami (Lille/FRA), Piatti (Almería), Canales (Real Madrid)
Quem saiu: Moyá (Getafe), Vicente (sem clube), César (Villarreal), Joaquín (Málaga), Manuel Fernandes (Besiktas/TUR), Stankevicius (Sampdoria/ITA), David Navarro (Neuchâtel Xamax/SUI), Michel (Hércules), Isco (Málaga), Del Horno (Levante), Aaron (Almería), Renan (sem clube), Chori Domínguez (River Plate/ARG), Lozano (Alcoyano), Mata (Chelsea/ING)
Objetivo na temporada: vaga na Liga dos Campeões

Unai Emery é um técnico inteligente e que conhece muito bem seus jogadores, mas tem penado um pouco desde que chegou a Valencia. Conseguiu montar uma base e obter bons resultados em campo (o time foi o melhor dos mortais – também conhecido como “terceiro colocado, atrás apenas de Real e Barcelona” – nas duas últimas temporadas), mas o jogo dos ches ainda não flui. É um time esteticamente sem-graça, que não tem a velocidade dos bons momentos de Rafa Benítez e Quique Sánchez-Flores. Mas há motivos para esperança. Jogadores que não deram certo, como Moyá, Stankevicius e Del Horno deixaram Mestalla. Mata, vendido ao Chelsea, fará falta, mas sua negociação deu ao clube o alívio financeiro necessário. Com os bons Diego Alves, Piatti e Canales tendo oportunidade de mostrar serviço em um time que já tem uma base sólida (Albelda e Banega dando segurança no meio-campo, Pablo Hernández criando as jogadas e Soldado de referência no ataque), o Valencia é forte candidato a uma vaga na Liga dos Campeões. E até a dar trabalho a Barcelona e Real Madrid nos confrontos diretos.

VILLARREAL

Nome: Villarreal Club de Fútbol
Fundação: 1923
Site oficial: www.villarrealcf.es
Estádio: El Madrigal (25.000 lugares)
Técnico: Juan Carlos Garrido
Colocação em 2010/11:
Competição europeia: Liga dos Campeões
Destaque: Borja Valero
Fique de Olho: Hernán Pérez
Quem chegou: César (Valencia), Zapata (Udinese/ITA), Camuñas (Osasuna), Bordás (Villarreal B), Hernán Pérez (Villarreal B)
Quem saiu: Cicinho (Roma/ITA), Xavier Oliva (aposentou), Matilla (Betis), Jefferson Montero (Betis), Juan Carlos (Elche), Capdevila (Benfica/POR), Cazorla (Málaga), Marcano (Olympiacos/GRE), Cristóbal (Karpaty/UCR), Altidore (AZ/HOL)
Objetivo na temporada: vaga na Liga dos Campeões

O Villarreal sempre começa o campeonato como candidato a um lugar na Liga dos Campeões. Mas é prudente colocar o Submarino Amarillo como azarão nessa briga nesta temporada. Pelas limitações financeiras que motivaram seu presidente a bradar contra o sistema econômico de La Liga (se tem dúvida, releia os dois primeiros parágrafos deste texto), o máximo que os catellonenses conseguiram foi manter a ótima dupla de ataque Nilmar-Rossi. Mas isso veio a um custo: a saída de Cazorla, homem fundamental para ditar o ritmo do time, e do veterano Capdevila. Sem reposição à altura, caberá a Borja Valero assumir ainda mais a condução do meio-campo. Com as atenções divididas com a Liga dos Campeões, é possível que o Villarreal sofra um pouco de instabilidade durante o ano.

ZARAGOZA

Nome: Real Zaragoza
Fundação: 1932
Site oficial: www.realzaragoza.com
Estádio: La Romareda (34.596 lugares)
Técnico: Javier Aguirre
Colocação em 2010/11: 13º
Competição europeia: nenhuma
Destaque: Lafita
Fique de Olho: Rúben Micael
Quem chegou: Edu Oriol (Barcelona B), Abraham (Barcelona B), Juan Carlos (Real Madrid), Mateos (Real Madrid), Efraín Juarez (Celtic/ESC), Roberto (Benfica/POR), Zuculini (Hoffenheim/ALE), Fernando Meira (Zenit/RUS), Rúben Micael (Porto/POR), Barrera (West Ham/ING)
Quem saiu: Ander Herrera (Athletic Bilbao), Edmílson (Ceará/BRA), Gabi (Atlético de Madrid), N’Daw (Saint-Étienne/FRA), Sinama Pongolle (Saint-Étienne/FRA), Bertolo (Palermo/ITA), Marco Pérez (Independiente/ARG), Diogo (sem clube), Jorge López (sem clube), Jarosik (Sparta Praga/TCH), Boutahar (sem clube), Contini (Siena/ITA), Goni (Cartagena)
Objetivo na temporada: pelotão intermediário

Muita instabilidade fora de campo, algo sempre preocupante. A direção trocou meio time, e ainda se envolveu em uma polêmica ao usar dinheiro de “investidores” ligados ao presidente Agapito Iglesias para contratar o goleiro Roberto. Assim, enquanto jogadores estão com salários atrasados, o clube encontra parceiros para bancar € 8,5 milhões no goleiro reserva do Benfica. Não é o melhor exemplo de gerenciamento empresarial e de grupo. Javier Aguirre não é um técnico brilhante, mas costuma ter sucesso na administração dos humores de um elenco. Terá de colocar esse talento à prova para que o Zaragoza não entre em uma sequência de crises internas que poderiam resultar em rebaixamento. Uma tragédia pela tradição e capacidade de investimento do clube.

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Equipe Trivela

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