Espanha

Guia da Liga Espanhola – II

A Espanha tem amistoso com a Grécia nesta quarta, mas pouca gente se importa. Afinal, a Fúria parece ter encontrado seu caminho nas eliminatórias da Euro 2008 e o que a torcida realmente espera é o início do campeonato local, marcado para este sábado. Assim, é hora de a Trivela publicar a segunda (e última) parte do Guia da Liga Espanhola, com os 10 últimos times na ordem alfabética. Destaque para Real Madrid, Valencia e Sevilla, três dos quatro representantes espanhóis na Liga dos Campeões.

Obs.: veja a primeira parte do guia clicando aqui.

MURCIA

Nome do Clube: Real Murcia Club de Fútbol (Murcia)
Estádio: Nueva Condomina (32.045 lugares)
Principal jogador: Fernando Baiano
Fique de olho: Arzo
Competição continental que disputa: nenhuma
Contratações: Curro Torres (Valencia), Íñigo (Eibar) Regueiro (Valencia), Gallardo (Sevilla), Arzo (Recreativo de Huelva), De Lucas (Alavés), Matías (Celta B), Pablo García (Celta), Madrigal (Deportivo B), Goitom (Ciudad de Murcia), Carini (Internazionale/ITA), Mejía (Real Madrid) e Fernando Baiano (Celta)
Quem saiu: Ramón González (Xérez), Juanmi, Noel Williams (Elche) Acciari (Córdoba), Capi (Las Palmas), Emerson, Lledó, Aranda (Granada 74), Adrián Martín, Antoñito, Juanma (Hércules), Samuel, Ramón (Xerez), Pablo Ruiz, (Xerez) e Nacho Garro (Alavés)
Técnico: Lucas Alcaraz
Objetivo na temporada: ficar no pelotão intermediário

O Murcia fez uma campanha bastante agressiva no mercado e se credencia como potencial surpresa do Campeonato Espanhol. A estratégia do clube foi inteligente, trazendo jogadores com experiência em alto nível para se juntar com o grupo que tirou o time da Segundona na temporada passada. Para cada setor veio um nome interessante. É assim com o bom goleiro Carini, os defensores Mejía, Arzo e Curro Torres, o volante Pablo García, o meia Regueiro e o atacante Fernando Baiano. Como é uma base nova, pode dar tudo errado e a equipe ficar na rabeira da tabela. Mas há potencial para uma boa campanha.

OSASUNA

Nome do Clube: Club Atlético Osasuna (Pamplona)
Estádio: Reyno de Navarra (19.800 lugares)
Principal jogador: Cruchaga
Fique de olho: Vela
Competição continental que disputa: nenhuma
Contratações: Dady (Belenenses/POR), Pandiani (Espanyol), Nicolás Medina (Universidad de Chile/CHI), Portillo (Gimnàstic), Margairaz (Zurich/SUI), Hugo Viana (Valencia) e Vela (Arsenal)
Quem saiu: Webó (Mallorca), Valdo (Espanyol), David López (Athletic de Bibao), Soldado (Real Madrid), Raúl García (Atlético de Madrid), Muñoz (Athletic de Bilbao), Juanlu, Fran Moreno (Albacete), Romeo (San Lorenzo/ARG) e Milosevic
Técnico: Cuco Ziganda
Objetivo na temporada: ficar no pelotão intermediário

Depois de duas boas temporadas, com quarto lugar na liga (2005/6) e semifinal da Copa da Uefa (2006/7), o Osasuna terá um ano de transição. A base das duas últimas temporadas foi desfeita, com saída de Milosevic, Webó e Raúl García, e é hora de apostar em novas caras. Cruchaga, Ricardo e Delporte continuam no Reyno de Navarra e podem ajudar a reorganizar o time, que terá os promissores Vela e Medina, além do oportunista atacante Pandiani, como destaques.

RACING DE SANTANDER

Nome do Clube: Real Racing Club de Santander (Santander)
Estádio: El Sardinero (22.124 lugares)
Principal jogador: Munitis
Fique de olho: Garay
Competição continental que disputa: nenhuma
Contratações: Sarmiento (Estudiantes/ARG), Jordi López (Mallorca), Ayoze (Ciudad de Murcia), Jonathan Valle (Málaga), Samuel (Sporting Gijón), Duscher (Deportivo de La Coruña) e Jorge López (Valencia)
Quem saiu: Zigic (Valencia), Rubén (Celta), Felipe Melo (Almería), Scaloni (Lazio/ITA), Pablo Alfaro (aposentado), Matabuena, Balboa (Real Madrid), Neru (Sporting Gijón), Cristian Álvarez (Córdoba) e Juanjo (Sevilla Atlético)
Técnico: Marcelino García Toral
Objetivo na temporada: ficar no pelotão intermediário

O Racing é uma das principais incógnitas desta temporada. Em 2006/7, Miguel Ángel Portugal montou uma equipe bastante competitiva e consistente, mas algumas das principais figuras – incluindo o próprio técnico – dessa campanha se foram. A diretoria decidiu repetir a fórmula. Trouxe Marcelino, treinador-revelação da última temporada pelo Recreativo, e jogadores baratos. Entre os que ficaram no clube, destacam-se Munitis, Toño e Garay. É difícil adivinhar se um projeto de risco como esse dará certo. Mas é sempre necessário lembrar que o Racing tem uma incrível capacidade de fazer bons resultados em casa e ficar no meio da tabela.

REAL MADRID

Nome do Clube: Real Madrid Club de Fútbol (Madri)
Estádio: Santiago Bernabéu (80.354 lugares)
Principal jogador: Van Nistelrooy
Fique de olho: Drenthe
Competição continental que disputa: Liga dos Campeões
Contratações: Sneijder (Ajax/HOL), Dudek (Liverpool/ING), Pepe (Porto/POR), Saviola (Barcelona), Metzelder (Borussia Dortmund/ALE), Soldado (Osasuna), Júlio Baptista (Arsenal/ING), Balboa (Racing de Santander) e Drenthe (Feyenoord/HOL)
Quem saiu: Emerson (Milan/ITA), Cassano (Sampdoria/ITA), Mejía (Murcia), Pavón (Zaragoza), Raúl Bravo (Olympiacos/GRE), Diego López (Villarreal), Roberto Carlos (Fenerbahçe/TUR), Beckham (Los Angeles Galaxy/EUA), Miñambres, Reyes (Atlético de Madrid) e Helguera (Valencia)
Técnico: Bernard Schuster
Objetivo na temporada: lutar pelo título

No papel, é um time bastante bom: Casillas; Sergio Ramos, Cannavaro, Metzelder e Drenthe; Gago, Diarra (Guti), Raúl e Sneijder; Robinho (Higuaín) e Van Nistelrooy. No entanto, o clube já começou a despertar fantasmas antes mesmo de o campeonato começar. O desempenho na pré-temporada foi decepcionante, com um futebol amarrado que não chegou perto da ofensividade e fluidez esperada com a contratação do técnico alemão Bernd Schuster. O insucesso na contratação de um jogador de peso fez que dois reforços muito bons, como Drenthe e Sneijder, ficassem com gosto de “prêmio de consolação”. Agora, fala-se em uma contratação de Diego Milito na emergência. Esse clima de instabilidade pode atrapalhar muito um time que tem condições de fazer uma boa campanha no Campeonato Espanhol e na Liga dos Campeões. Por isso, um bom início de temproada pode ser fundamental para viabilizar os meses seguintes.

RECREATIVO DE HUELVA

Nome do Clube: Real Club Recreativo de Huelva (Huelva)
Estádio: Nuevo Colombino (20.161 lugares)
Principal jogador: Sinama-Pongolle
Fique de olho: Varela
Competição continental que disputa: nenhuma
Contratações: Barbosa (Villarreal), Calvo (Boca Juniors/ARG), Cáceres, Marcos (Villarreal), Quique Álvarez (Villarreal), Sorrentino (AEK/GRE), Camuñas (Xerez), Beto (Bordeaux/FRA), Silvestre Varela (Sporting/POR) e Martins (Sporting/POR)
Quem saiu: Arzo (Murcia), López Vallejo (Zaragoza), Cazorla (Villarreal), Merino (aposentado), Uche (Getafe), Mario (Getafe), Viqueira (Levante), Cheli (Málaga) e Laquait
Técnico: Victor Muñoz
Objetivo na temporada: escapar do rebaixamento

O clube mais antigo da Espanha foi a grande surpresa da temporada passada. Com um futebol rápido, montou um sistema para usar contra-ataques e ficar na luta pela Copa da Uefa até as últimas rodadas. Nesta temporada, porém, a sensação é de que o clube andaluz, mais uma vez, lutará para não ser rebaixado. À exceção de Sinama-Pongolle, toda a estrutura da equipe – López Vallejo, Arzo, Viqueira, Cazorla e Uche – deixou Huelva. Como os investimentos em reforços não foram dos mais pesados, os blanquiazules devem descer alguns degraus.

SEVILLA

Nome do Clube: Sevilla Fútbol Club (Sevilha)
Estádio: Ramón Sánchez Pizjuan (42.649 lugares)
Principal jogador: Kanouté
Fique de olho: Fazio
Competição continental que disputa: Liga dos Campeões
Contratações: Mosquera (Pachuca/MEX), Keita (Lens/FRA), De Mul (Ajax/HOL), Boulahrouz (Chelsea/ING), De Sanctis (Udinese/ITA) e Jesuli (Real Sociedad)
Quem saiu: Aitor Ocio (Athletic de Bilbao), Cobeño (Almería), Kepa (Getafe), David (Levante) e Gallardo (Murcia)
Técnico: Juande Ramos
Objetivo na temporada: lutar por vaga na Liga dos Campeões

Poucos clubes na Europa têm um projeto tão bem elaborado quanto o Sevilla. O clube sistematicamente aposta em jovens valores, montando uma base sempre talentosa e com grande potencial de mercado. Com a Liga dos Campeões pela frente, o clube decidiu vender menos e comprar mais. Mesmo se o lateral-direito Daniel Alves sair, Hinkel já é um bom substituto. Boulahrouz pode dar segurança à defesa, De Sanctis pode tirar o posto de titular de Palop e o ataque continua rápido e poderoso, com Kanouté de referência e Kerzhakov e Luis Fabiano disputando a segunda vaga. Até poderia lutar pelo título nacional (as vitórias contundentes sobre o Real Madrid na Supercopa da Espanha, 1×0 em Sevilha e 5×3 em Madri, comprovam isso), mas o fato de ter a Liga dos Campeões pela frente pode tirar um pouco o foco dos sevillistas do campeonato doméstico.

VALENCIA

Nome do Clube: Valencia Club de Fútbol (Valência)
Estádio: Mestalla (55.000 lugares)
Principal jogador: Villa
Fique de olho: Alexis
Competição continental que disputa: Liga dos Campeões
Contratações: Alexis (Getafe), Arizmendi (Deportivo de La Coruña), Mata (Real Madrid Castilla), Hildebrand (Stuttgart/ALE), Sunny (Poli Ejido), Caneira (Sporting/POR), Helguera (Real Madrid) e Zigic (Racing)
Quem saiu: Regueiro (Murcia), Tavano (Livorno/ITA), Ayala (Zaragoza), Pallardó (Getafe), Jorge López (Racing de Santander), Butelle (Valladolid), Sisi (Valladolid), Hugo Viana (Osasuna), Aaron Ñíguez (Xerez), David Navarro (Mallorca) e Curro Torres (Murcia)
Técnico: Quique Sánchez Flores
Objetivo na temporada: lutar pelo título

Palpites sempre são passíveis de erro, mas, pelas informações que se apresentaram até o momento, pode-se dizer sem cometer injustiça: o Valencia é candidato ao título espanhol. Ao contrário de Barcelona e Real Madrid (com Atlético de Madrid como coadjuvante), que disputam quem gasta mais em contratações no verão, os ches descobriram um sistema muito eficiente de buscar talentos nativos, a ponto de ser, hoje, a base da seleção espanhola. Com isso, os valencianistas conseguem manter uma base por várias temporadas, formando uma equipe entrosada, consistente, confiante e que conhece os meios para se impor em casa. Os destaques continuam sendo Villa, David Silva, Cañizares, Miguel e Albelda, mas a diretoria foi inteligente ao dar profundidade ao elenco. Com Zigic, Hildebrand, Arizmendi, Baraja e Morientes, o Valencia tem o melhor banco de reservas do futebol espanhol.

VALLADOLID

Nome do Clube: Real Valladolid Club de Fútbol (Valladolid)
Estádio: José Zorrilla (26.512 lugares)
Principal jogador: Estoyanoff
Fique de olho: Borja
Competição continental que disputa: nenhuma
Contratações: Alexis (Levante), Bartholomew Ogbeche (Alavés), Estoyanoff (Deportivo de La Coruña), Vivar Dorado (Getafe), Diego Camacho (Levante), Sesma (Cádiz), De La Cuesta (Cádiz), Butelle (Valencia), Sisi (Valencia), Alberto (Real Sociedad) e Cifuentes (Real Sociedad)
Quem saiu: Manchev (Levante), Iván Hernández (Sporting Gijón), Jacobo (Numancia), Chema, Alberto, Gonzalo Vicente, Mario Suárez (Atlético de Madrid B) e Toché
Técnico: José Luis Mendilibar
Objetivo na temporada: escapar do rebaixamento

A trajetória dos riojanos na Segundona deu sinais de que poderia surgir um fantasma na Liga Espanhola 2007/8. O Valladolid manteve a base, com Álvaro Rubio e Borja no meio-campo e a boa dupla de zaga Bea e Javier Baraja. No entanto, a campanha no mercado foi discreta demais, com Estoyanoff de principal destaque ao lado de nomes que empolgam pouco, como Butelle e Vivar Dorado. Se o time que conquistou a segunda divisão mostrar competência para disputar a primeira, o Valladolid pode ficar no pelotão intermediário. Caso contrário, terá dificuldades na competição.

VILLARREAL

Nome do Clube: Villarreal Club de Fútbol (Vila-Real)
Estádio: El Madrigal (23.000 lugares)
Principal jogador: Pires
Fique de olho: Cáceres
Competição continental que disputa: Copa da Uefa
Contratações: Rossi (Manchester United/ING), Tomasson (Sttutgart/ALE), Mavuba (Bordeaux/FRA), Cáceres (Defensor Sporting/URU), Diego López (Real Madrid), Capdevila (Deportivo de La Coruña), Tomané (Sporting Gijón), Cazorla (Recreativo de Huelva) e Molo (Almería)
Quem saiu: Barbosa (Recreativo de Huelva), Vidangossy (Almería), Somoza (Betis), José Enrique (Newcastle/ING), Marcos (Recreativo de Huelva), Forlán (Atlético de Madrid), Arruabarrena (AEK/GRE), Quique Álvarez (Recreativo de Huelva), Tacchinardi e Peña (Celta)
Técnico: Manuel Pellegrini
Objetivo na temporada: lutar por vaga na Copa da Uefa

Na data de publicação desta coluna, Riquelme ainda era jogador do Villarreal. No entanto, ninguém acredita que o meia argentino fique em El Madrigal. Considerando que o atacante uruguaio Forlán também deixou o clube, fica evidente que é um momento de mudanças no Submarino Amarillo. Manuel Pellegrini terá de montar um novo time, com novas referências e, eventualmente, novo estilo de jogo. Pires, Tomasson, Marcos Senna e Cygan se destacam como possíveis líderes pela experiência, mas o desempenho de Nihat, Matias Fernández, Mavuba e Cazorla serão fundamentais para o Villarreal se manter como força regional no cenário espanhol.

ZARAGOZA

Nome do Clube: Real Zaragoza (Zaragoza)
Estádio: La Romareda (34.596 lugares)
Principal jogador: Diego Milito
Fique de olho: Zapater
Competição continental que disputa: Copa da Uefa
Contratações: López Vallejo (Villarreal), Matuzalém (Zaragoza) Pavón (Real Madrid), Ricardo Oliveira (Milan/ITA), Paredes (Getafe), Gabi (Atlético de Madrid), Generelo (Gimnàstic) e Ayala (Villarreal)
Quem saiu: Corona (Almería), Gabriel Milito (Barcelona), Piqué (Manchester United/ING), Aranzábal (aposentado), Ewerthon (Stuttgart/ALE) e Longás (Tenerife)
Técnico: Victor Fernández
Objetivo na temporada: lutar por vaga na Copa da Uefa

O Zaragoza tem uma equipe interessante, com futebol rápido e de muito talento no setor ofensivo. Isso deve continuar para essa temporada, pois Sérgio García, Ricardo Oliveira, Diego Milito (pretendido pelo Real Madrid), Aimar e D’Alessandro continuam no clube aragonês. No entanto, fica uma ligeira sensação de que os maños deram um passo para trás em relação à temporada passada, quando lutaram por vaga na Liga dos Campeões por 30 rodadas. Basicamente, o clube não deu um passo adiante para se consolidar como força. Pior, ainda desmontou a defesa com as saídas de Gabriel Milito e Pique, apostando no veterano Ayala (que vem em má fase) e o pouco confiável Pavón. No geral, a equipe ainda é forte e pode ter ambições internacionais, mas dificilmente ficará com algo além de vaga na Copa da Uefa.

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Equipe Trivela

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