Espanha

Golpe estratégico

Era o jogo para manter o Campeonato Espanhol vivo. O Real Madrid, por melhor que fosse sua fase, teria muito trabalho para superar um Vicente Calderón lotado, um Atlético de Madrid em boa fase e o calor da rivalidade madrilena. Um tropeço poderia reduzir a diferença entre os merengues e o Barcelona a 4 ou 5 pontos. Mas nada disso aconteceu. Bastou uma jogada para traumas aflorarem e o Atlético caísse como tem caído sistematicamente diante do rival.

A última vitória dos atléticos foi no primeiro turno da temporada 1999/2000. Naquele dia, Hasselbaink teve grande atuação e os colchoneros fizeram 3 a 1 no Santiago Bernabéu. Encontrar a última vitória do Atlético em Manzanares obriga a voltar ainda mais no tempo, em 12 de junho de 1999. Nos 3 a 1, até Juninho (o Paulista) fez gol. É muito tempo sem vitória em um clássico, algo que sempre é lembrado quando os dois grandes de Madri se enfrentam.

O Real, ainda que não tenha pautado sua atuação pelos traumas do rival, soube como explorar isso. Logo no primeiro minuto de jogo, Robinho avançou pela esquerda, deixou Pablo para trás e cruzou para Raúl desviar ao gol. Difícil ser mais contundente para assumir o comando psicológico do duelo.

Os colchoneros até pressionaram em busca do empate. Nada deu certo. Casillas fez três grandes defesas. Quando a bola passou pelo goleiro, como em cabeçada de Thiago Motta, a trave estava no caminho. O Atlético até parecia ter assimilado bem o gol sofrido, mas passar por série de eventos negativos em uma partida não costuma ser bem digerida pelos rojiblancos. Isso ficou mais evidente ainda quando Van Nistelrooy fez o segundo gol madridista.

De repente, toda a idéia de que “há coisas que só acontecem com o Atlético de Madrid” reapareceu com força. O ânimo do time desabou. No segundo tempo, o Real não teve de fazer força para manter a vantagem e o tabu de quase nove anos sem derrota para o rival local.

Mais que os três pontos, o triunfo madridista é importante pelo recado que deixa. Foi o segundo grande desafio merengue na temporada (o primeiro foi o confronto contra o Barcelona no Camp Nou) e a segunda vitória. Mesmo sem jogar o futebol vistoso que a torcida e imprensa tanto cobram, esse Real de Schuster tem uma solidez que assusta. Raúl vive boa fase. Van Nistelrooy é quase certeza de gol, Pepe é a feliz surpresa na zaga e Casillas ganha espaço para pleitear o status de melhor goleiro do mundo. O técnico alemão ainda soube tirar o melhor de Júlio Baptista e Robinho, dois jogadores que sempre estiveram aquém das expectativas no clube.

Entre os times que lutam por vaga na Liga dos Campeões, o Real ainda precisa enfrentar Barcelona, Villarreal e Espanyol. Mas todos esses duelos serão no Santiago Bernabéu. Contra Sevilla e Valencia, que estão mal, mas têm potencial e podem atrapalhar, os confrontos também serão no Paseo de la Castellana. Fica difícil imaginar onde os merengues podem perder os pontos que tem de vantagem sobre o Barça.

É cedo para cravar, mas esse Real Madrid tem pinta de campeão. Só precisa administrar o que já construiu para transformar essa sensação em realidade.

CURTAS

– Depois de duas operações no joelho, Valerón está de volta ao Deportivo de La Coruña. O meia ficou parado por dois anos.

– Mais Deportivo. O uruguaio Munúa foi condenado a seis anos de prisão pela agressão ao israelense Aouate. Os dois goleiros deportivistas brigaram no vestiário após um treino. Por ser réu primário, Munúa poderá pagar € 3,6 mil euros e ficar em liberdade.

– Álvaro Torres, ex-agente de Juande Ramos, disse que o técnico é mau caráter e acertou com o Tottenham nas suas costas para não ter de lhe dar comissão. Torres afirmou que entrará na Justiça contra o treinador.

– O Espanyol fez um acordo com o Consulado do Equador em Barcelona. Para o jogo contra o Betis, cuja data (27 de janeiro) coincide com o Dia do Equador, o clube oferecerá convites gratuitos para imigrantes equatorianos que quiserem ir ao Olímpic de Montjuïc. O clube calcula que 8 mil equatorianos irão ao estádio.

– O objetivo é se aproximar de uma comunidade de quase 100 mil imigrantes equatorianos na Catalunha e conquistar um novo grupo de torcedores. O Espanyol já fez esse tipo de promoção com imigrantes mexicanos e argentinos.

– Veja a seleção Trivela da 20ª rodada do Campeonato Espanhol: Casillas (Real Madrid); Zambrotta (Barcelona), Gabriel Milito (Barcelona), Cáceres (Recreativo de Huelva) e Capdevila (Villarreal); Javi García (Osasuna), Casquero (Getafe), Pires (Villarreal) e Raúl (Real Madrid); Diego Milito (Zaragoza) e Llorente (Valladolid).

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Equipe Trivela

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