Gary Neville sobre hipocrisia, técnicos estrangeiros e treinar o Manchester United um dia
Gary Neville aceitou um desafio muito difícil: começar a carreira como técnico principal, em outro país, sem falar a língua da maioria dos jogadores, e em um clube com bastante pressão, como o Valencia. Consciente de todas essas dificuldades, aceitou o chamado de Peter Lim, principal acionista dos espanhóis e do Salford City, do qual Neville é sócio com outros membros da turma de 1992, do Manchester United.
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O que o fez aceitar a missão? O medo de parecer hipócrita. “Se eu ficar na televisão falando sobre a falta de técnicos britânicos, e no segundo seguinte recusar a chance de treinar um clube da Champions League – um clube que pode ficar entre os quatro primeiros da Espanha -, eu perco toda a minha credibilidade”, afirmou, em entrevista à Sky Sports, da qual era um dos principais comentaristas. “Eu sinto que tomei a decisão correta e que, durante cinco ou seis meses (seu contrato vai até o final da temporada), eu vou ter a melhor experiência da minha vida”.
Nesse franco bate-papo com a ex-empresa, Neville falou sobre técnicos estrangeiros, a barreira da língua, seu trabalho com comentarista, a possibilidade de um dia treinar o Manchester United, entre outras coisas. Traduzimos os melhores trechos. O resto da entrevista está aqui.
Treinará o Manchester United?
Não, eu não me vejo treinando o Manchester United. Eu sei o que quero fazer com a minha vida, e isso não está na minha mente.
Ser comentarista
Trabalhar na Sky foi provavelmente uma das melhores decisões que eu tomei para assistir a mais futebol e começar a gostar de tipos diferentes de futebol. Eu só vi o Manchester United ao vivo durante 25 anos, então ver outros clubes jogarem, entender estilos diferentes, e ver a Champions League, foi uma experiência brilhante.
Técnicos estrangeiros
Eu me lembro de quando Mauricio Pochettino chegou ao Southampton, pensando que Nigel Adkins (antecessor do argentino) havia feito um grande trabalho. “Por que trouxeram um técnico estrangeiro?”. Então, em três ou quatro semanas, eu pensei: “wow, ele é bom”. Ele causou um grande imapcto no time.
Se eu fosse um torcedor do Valencia, um repórter da imprensa espanhola, estaria dizendo: “é um risco, é um grande risco”. E eu acho que é um grande risco para mim, mas é um risco calculado porque eu conheço os donos e sei o que estou fazendo aqui. Sei o que está acontecendo com o clube.
Língua e tradutor
É óbvio que eu preciso aprender a línga o mais rápido possível. Esse é o maior desafio. É o único desafio porque eu me comunico bem em inglês, mas não consigo fazer o mesmo em espanhol. Eu me apoio em um espanhol muito ruim e às vezes em um tradutor.
O que eu encontrei na minha primeira conversa com o time: você fala, espera, fala, espera. Você quer causar um impacto com palavras grandes e nem sabe se o tradutor está conseguindo captar o impacto e enfatizar as palavras como você quer. Estou consciente disso e tentando deixar tudo o mais simples possível. Estou tendo reuniões com três jogadores por vez ao invés de 23. É como funciona na Inglaterra, inclusive.



