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Garrafa de água vira troca de farpas entre La Liga e Barcelona

O jogaço entre Valencia e Barcelona, pela última rodada de La Liga, foi marcado por um incidente no último minuto de bola rolando. A partida seguia empatada por 2 a 2 quando Aymen Abdennour derrubou Luis Suárez na área e o árbitro apitou pênalti. Lionel Messi foi para a cobrança, bateu forte e até fez Diego Alves se deslocar para o lado certo, mas colocou o time da casa em desvantagem no placar e na tabela de classificação. Com a reviravolta do resultado no último suspiro de jogo, um torcedor de Los Che arremessou uma garrafa nos jogadores do Barça, que comemoravam o gol da virada perto da torcida oponente. Fato este que, para Javier Tebas, presidente de La Liga, foi a causa da confusão.

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Segundo o polêmico dirigente, os blaugrana provocaram e confrontaram os torcedores do Valencia depois do gol de Messi, o que gerou certo tumulto na arquibancada e fez com que um fã atingisse Neymar e Suárez com o objeto. Quer dizer, para Tebas, os atacantes teriam insinuado um choque maior do que foi. “Talvez eles tenham caído sobre o gramado porque sentiram a água da garrafa”, opinou o presidente em entrevista ao Sportyou. “Aquela cena pareceu um jogo de boliche. Todos nós vimos aquelas imagens e tinham muitas crianças assistindo. Se meus filhos me vissem fingindo ter sido atingido por algo, eu ficaria com vergonha quando eu fosse vê-los mais tarde”, disse ainda. “Não gostei nem um pouco do que aconteceu no final do jogo”.

Tebas nunca escondeu que é torcedor do principal rival do Barcelona, o Real Madrid. O dirigente, no entanto, negou que isso influencie seu posicionamento sobre o episódio ocorrido no Mestalla, e insistiu que todos que atuam no futebol espanhol devem se comportar de forma respeitosa, independe de qual time o jogador defenda. “Alguns anos atrás eu condenei a postura de Cristiano Ronaldo diante de um árbitro, também. O que os jogadores devem tentar fazer é manter o seu espírito esportivo em todos os momentos”, afirmou. “Não sei se foi o Neymar quem ofendeu os torcedores do Valencia ou se foi outra pessoa, mas nós precisamos nos livrar desse tipo de conduta aqui na Espanha”.

“Eu estava em Valencia e em poucas ocasiões vi um ambiente tão hostil dentro e fora de campo”, disse Jordi Mestre, vice-presidente do Barcelona, em entrevista à TV3. “O que Tebas deve fazer é se certificar que não há violência dentro dos estádios e que os jogadores não serão atacados, já que são eles que providenciam o espetáculo que permitem que ele venda os direitos de televisão de La Liga para a Ásia e para os Estados Unidos”, rebateu as declarações de Tebas o dirigente culé. “Ele é o presidente da liga, e deveria estar preocupado em se dedicar a tomar conta dos atletas que jogam nela”.  Também do lado do Barça, Luis Enrique saiu em defesa de seus comandados, dizendo que “eles só estavam comemorando o gol da virada diante de um adversário que tornou as coisas difíceis durante o jogo”.

O cerne da questão sobre as falas do presidente de La Liga talvez seja ele não ter dado tanta importância para o fato de que um objeto foi arremessado nos jogadores. Foi uma garrafa de água, mas poderia ter sido algo pior, por que não? Aliás, não importa o que foi lançado. Esse incidente esbarra no assunto de segurança nos estádios e na preservação da integridade física dos atletas, questões que devem ser tratadas por quem dirige a liga. É claro que o ponto que Tebas tocou sobre respeito também importa, mas falando disso ele acabou fazendo vistas grossas para o outro lado da história. Lado este que vem sido bem trabalhado pelo Valencia, que busca identificar o responsável pelo episódio e puni-lo.

Foto de Nathalia Perez

Nathalia Perez

Jornalista em formação trabalhando a favor de um meio esportivo mais humano. Meus heróis sempre foram jogadores de futebol, mas hoje em dia são muito mais heroínas.

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