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Garra do Atleti tornou Real presa fácil na vitória mais categórica comandada por Simeone

A derrota dolorida na final da Champions League da temporada passada parece ter sido o último passo para que Simeone entendesse completamente como se derrota um time de estrelas como o Real Madrid. É preciso técnica, é verdade, mas seria impossível competir com os merengues apenas a partir deste quesito. Era preciso mais. O ingrediente final era colocar a alma na ponta da chuteira. O Atlético de Madrid do argentino já tinha isso, mas aprendeu a elevar essa qualidade ao ponto necessário para derrotar um adversário tão grande de maneira tão inquestionável. Nesta temporada, Ancelotti não sabe o que é vencer os Colchoneros, e o baile por 4 a 0, neste sábado, no Vicente Calderón, foi a prova definitiva de que os soldados de Cholo dominaram a arte de se impôr frente a seu maior oponente.

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Não faço ideia de que palavras Simeone usa em suas preleções, mas faria de tudo para poder presenciar uma delas. O argentino tira o máximo de seus jogadores de maneira poucas vezes vista no futebol. O nível de concentração do Atlético, do primeiro ao último minuto, tornou tranquila uma partida que tinha tudo para ser equilibradíssima. Sem deixar o Real Madrid respirar, os rojiblancos empurraram o rival logo no início do jogo e, com apenas 18 minutos, já venciam por 2 a 0. Primeiro em chute rasteiro de Tiago, que contou com falha de Casillas para abrir o placar. Em seguida, com uma pintura de bicicleta de Saúl, que há pouco havia entrado no lugar do contundido Koke.

Sem a mesma intensidade dos primeiros minutos, o Atleti seguiu no domínio do jogo no restante do primeiro tempo e se saiu bem na parte mais difícil do duelo. Ancelotti sacou Khedira no intervalo, para colocar Jesé e buscar o empate. Nos primeiros 15 minutos de segunda etapa, empurrou os donos da casa, que resistiram com uma disciplina ímpar na marcação. Aguentando bem em seu próprio campo e lançando-se ao ataque com velocidade, o Atlético superou esse momento de pressão. Griezmann, Saúl e Mandzukic eram os motores que conduziam o time de Simeone ao ataque. O croata não limitava-se a ficar isolado lá na frente. Ajudava na marcação e movimentava-se sem posição fixa nas subidas dos Colchoneros. A partir dessa dinâmica, o gol de Griezmann aos 22 minutos foi então o último golpe para sepultar as chances de reação do Real.

Bale, Benzema e Cristiano Ronaldo passaram despercebidos no jogo, e não se pode nem culpar o trio. Em momento algum o jogo pareceu propício para que um deles exercesse sua individualidade. A aplicação defensiva do Atleti, somada ao cenário positivo que foi construído com os dois gols antes da metade do primeiro tempo, colocaram o Real Madrid em posição incomum no jogo. As ausências de Sergio Ramos, James Rodríguez e Modric também tiveram seu peso, embora a sensação tenha sido de que, independentemente de quem estivesse do outro lado, não faria muita diferença. O que desequilibrou mesmo o duelo foi o espírito com que o Atleti entrou em campo.

O quarto gol, de Mandzukic, já nos minutos finais de partida, foi a última evidência da concentração extrema do time de Simeone para o jogo. Uma atuação coletiva para ser lembrada por muito tempo. Tudo deu certo para o Atlético de Madrid. Embora até agora tenha levado notável vantagem na temporada nos confrontos diretos, é difícil imaginar que os Colchoneros conseguissem repetir a performance deste sábado se enfrentasse o Real outras inúmeras vezes. É inegável que o argentino aprendeu como encarar de igual para igual seu maior adversário, mas o resultado de hoje, do jeito como foi conquistado, certamente saiu melhor que a encomenda para o comandante.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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