Espanha

Força e tradição de A Coruña

No início dos anos 90, o futebol espanhol era uma febre no Brasil. Foi o início da difusão da televisão a cabo no país, assim, tudo que vinha do exterior era uma novidade para a maioria. Nesse tempo, o torcedor brasileiro se acostumou a ver grandes jogos de Barcelona e Real Madrid, mas uma terceira equipe tinha seus adeptos por aqui: o Deportivo de La Coruña.

Até hoje, os mais saudosistas gostam de se lembrar daquele time formado por Fran, Bebeto, Mauro Silva, Aldana, Majarín, Djukic, todos integrantes do que ficou conhecido como “Super Depor”, duas vezes vice-campeão espanhol e com um título da Copa do Rei. Alguns anos mais tarde, com alguns desses jogadores ainda no elenco e a adição de outros, como Djalminha e Donato, a equipe de A Coruña levantou sua primeira e até hoje única taça de campeão nacional (1999/2000).

Desde então, o clube foi caindo pelas tabelas e nunca mais conseguiu se impor diante dos grandes. Viu seu espaço de terceiro time do país ser ocupado por outros postulantes, com muito mais tradição, como Valencia e Sevilla, por exemplo. Perdeu território para clubes menores também, e aos poucos foi se contentando em voltar a ser uma pequena equipe da Galícia, que por um momento na história, sonhou em ser grande.

Nesta temporada, depois de alguns anos se reestruturando, o bom trabalho da diretoria e do técnico Miguel Ángel Lotina está dando certo. No final de semana, o Depor bateu, com autoridade, o Villarreal por 3 a 0 no estádio Riazor. O resultado fez com que a equipe subisse para a sexta posição, com 33 pontos. Se a competição acabasse hoje, o clube estaria classificado para a Liga Europa (atual Copa Uefa).

Lotina soube montar um time sem estrelas, mas extremamente eficiente. Além disso, conta com o bom momento vivido por alguns jogadores.

Na defesa, o goleiro Aranzubia passa por ótima fase e é um dos pilares dessa equipe. À sua frente, o zagueiro português Zé Castro voltou a jogar bem, enquanto a lateral-esquerda tem sido muito bem ocupada pelo brasileiro Filipe e na direita Manuel Pablo dá conta do recado. Outro fator do sucesso é a dupla de volantes Tomás e Guzmán, fortes na marcação e com boa saída de bola.

O setor ofensivo mistura a juventude do meia Lafita com a experiência de Valerón e o oportunismo do centroavante Riki. Sem falar no talento de Verdú, o camisa 10 do time, que finalmente desencantou. Tudo isso resulta em um Deportivo forte e com condições de sonhar além.

As próximas semanas serão decisivas para as pretensões do clube, até porque enfrenta adversários que ocupam a parte de baixo da tabela (Mallorca e Osasuna, para depois pegar o Valencia). Foram disputadas apenas 21 rodadas até agora, portanto, esse é o momento que o Depor não pode se desgarrar das posições para as copas europeias. Sem falar que nos dias 18 e 26 os blanquiazules encaram o Aalborg na próxima e eliminatória fase da Copa Uefa.

No atual ritmo, o Deportivo passa sem problemas pelos dinamarqueses. Depois, depende da sorte nos cruzamentos. Enquanto isso, tem que concentrar as forças no Campeonato Espanhol, para não voltar a ser o pequeno e pobre time galego. O sonhos de grandeza podem estar de volta ao Riazor.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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