Real Madrid: Florentino Pérez ignora crise e ataca imprensa em coletiva emergencial
Presidente do Real Madrid, Florentino Pérez concedeu uma coletiva de imprensa emergencial nesta terça-feira (12), diretamente do centro de treinamentos de Valdebebas, e tratou, inicialmente, sobre as “campanhas contra ele”, principalmente por parte da imprensa, além de anunciar novas eleições três anos antes do fim de seu mandato.
Apesar de antecipar as eleições presidenciais do Real Madrid, Florentino confirmou que será candidato, em uma ação que pode ser interpretada como um desafio aos seus opositores e que contraria os rumores de uma possível renúncia por conta de problemas de saúde.
— Ainda sou o presidente do clube que possui receita de 50 bilhões de euros. Minha saúde está excelente e se me dissessem que eu tenho um câncer, eu iria me tratar em um centro especializado para isso. Isso é falso […] Eu deixarei o Real Madrid quando alguém me vencer nas eleições — começou por afirmar.
Ao contrário do esperado, Florentino Pérez ignorou a crise no futebol do clube, tanto pela falta de títulos, quanto pelas polêmicas recentes como a briga entre Federico Valverde e Aurelien Tchouaméni.
O presidente, que não convocava uma entrevista deste caráter desde 2015, quando tratou da eliminação do clube na Copa do Rei pela escalação indevida de Denis Cheryshev, escolheu atacar a imprensa local, indicando que ela é um instrumento contra o Real Madrid e seu mandato.
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— Existem setores que querem tomar o controle do clube. Primeiro, os jornalistas, que nos coloca em situação de caos. Digam isso para a Europa e eles acharão ridículo após títulos e sucesso que tivemos […] Os jornalistas são terríveis e estão fazendo um trabalho horrível — acusou o presidente.
A partir disso, os ânimos se exaltaram entre Florentino e alguns jornalistas presentes na coletiva, o que acabou por desencadear novas acusações, não só à imprensa local, principalmente ao jornal “ABC”, mas referente a LaLiga e o Barcelona, com o caso Negreira.
— LaLiga é nosso inimigo eterno. Eles tinham um sistema de corrupção no Caso Negreira com o Barcelona. Mas nós vamos lutar, lutar contra todos […] Este é o maior escândalo da história do futebol — atacou Pérez.
Florentino Pérez se recusou a falar de futebol
A decisão urgente de falar com a imprensa nesta terça-feira (12), levando em consideração que não concedia uma coletiva deste caráter sobre o futebol desde 2015, dimensiona o grau da crise interna no Real Madrid, mesmo que sem ter sido explicada por Florentino Pérez. A partir do discurso de convocar novas eleições e “defender o Real Madrid” como instituição, o presidente se recusou a falar sobre o futebol e o novo treinador.
— Nós não falaremos disso agora. Estamos falando sobre manter o controle do Real Madrid, nós, os sócios, não os jornalistas — respondeu Pérez.
Diante da grande polêmica da temporada merengue, a briga entre Federico Valverde e Aurelien Tchouaméni na última semana, Florentino Pérez minimizou o ocorrido entre seus jogadores e admitiu que este tipo de conflito é “normal” em quase todos os anos.
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— Estou aqui há 26 anos e não houve um único ano em que não houvesse dois jogadores, ou até quatro, brigando. Eles brigam todos os anos desde que cheguei, como jovens fazem. Pra mim, o pior, é o vazamento, porque sugere que há mais do que uma briga. No dia seguinte, eles são amigos e vão tomar café — disse.
A coletiva de Florentino Pérez, além de desafiar e intimidar a imprensa e seus opositores, pode ser interpretada como uma estratégia para tirar o foco do vestiário do Real Madrid, que vem de semanas bastante atribuladas, tanto por polêmicas, quanto pelo fato de passar o segundo ano consecutivo sem títulos de expressão. Inclusive, esta foi a única questão que o presidente merengue não se esquivou e admitiu que o desempenho está aquém.