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Feyenoord: novo técnico já começa trabalho sob pressão

“Play-offs? Ah, não, Ibiza. Boa sorte hoje à noite.” Nem precisava (minto: precisava, já que gozações sem violência são sempre bem vindas ao futebol). Mas a foto postada pelo sueco Mattias Johansson, lateral direito do AZ, em seu perfil no Twitter, foi um tapa com luva de pelica no Feyenoord. Afinal de contas, o Stadionclub chegou a estar sete pontos à frente dos Alkmaarders, na terceira posição do Campeonato Holandês – o que lhe garantiria vaga direta na terceira fase preliminar da Liga Europa.

E no entanto, quem teve tempo para festejar com uma viagem ao famoso balneário espanhol foi o AZ. Tudo por causa de um fim de temporada dos mais infelizes que poderiam acontecer para o Feyenoord. Nas últimas cinco rodadas da Eredivisie, a equipe conquistou apenas dois pontos. O que culminou na perda da terceira posição, exatamente na última rodada. E numa vexaminosa queda: seria necessário disputar play-offs para tentar outra vaga na terceira fase preliminar da Liga Europa. Podia piorar? Claro que sim: o time de Roterdã caiu para o Heerenveen, ficando sem lugar nenhum nas competições continentais em 2015/16.

Não que o Feyenoord merecesse muito isso, convenhamos. Ainda estão frescos na memória os episódios lamentáveis dos hooligans em Roma e Roterdã, nos dois jogos pela segunda fase da Liga Europa. No entanto, uma queda tão brusca no desempenho acabou com o projeto acalentado pela diretoria e, principalmente, pela torcida: jogar competições continentais e ter um time forte o suficiente para sonhar com o fim do tabu de (já vamos para) 16 anos sem conquistar o título holandês, já que o Ajax peleja para sair da crise e o PSV tende a enfraquecer-se, perdendo jogadores fundamentais.

Por que, afinal, o Stadionclub morreu na praia ao final da temporada regular? Nunca se saberá ao certo. Mas é impossível não pensar que o elenco simplesmente cansou-se de Fred Rutten mais cedo do que o recomendado. Tudo bem que, já em março, oficializou-se que o técnico não renovaria contrato. O que já era cogitado, uma vez que a diretoria do clube nunca foi agradada com o estilo de jogo exibido pelo time sob Rutten. Todavia, bem ou mal, bons resultados continuavam acontecendo. Basta lembrar da vitória sobre o campeão PSV, em De Kuip, por 2 a 1. Ou da goleada sobre… o AZ, algoz do fim de temporada (4 a 1), na 29ª rodada.

Até por isso, o ídolo Giovanni van Bronckhorst foi anunciado como novo técnico apenas para 2015/16. Já trabalhando desde 2011 como auxiliar na comissão técnica, “Gio” teria tempo para ver os últimos retoques de Rutten. Mais do que isso, contava com uma campanha tranquila no Holandês. E poderia viver o melhor dos ambientes: respaldado pela torcida, assumiria o cargo no início da próxima temporada, com o presente da volta de outro ídolo, Dirk Kuyt, a De Kuip.

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Só que o destino começou a atrapalhar os planos, com o péssimo desempenho final na Eredivisie. Com resultados que incluíram a primeiríssima derrota do Feyenoord em sua história – e em sua casa – para o Go Ahead Eagles, que terminou rebaixado (1 a 0, na 31ª rodada), começou o buchicho de que a saída de Fred Rutten seria antecipada. O buchicho virou um pedido da torcida na penúltima rodada, com vexatórios 4 a 1 sofridos também em seu estádio para o Vitesse. Esperava-se, pelo menos, um esforço final contra o Zwolle, na partida derradeira, há quase duas semanas. Que nada: 3 a 0.

Rutten saiu lamurioso. Ainda na zona mista do estádio Ijsseldelta, em Zwolle, anunciou: “Vou conversar com [o diretor técnico] Martin van Geel para determinar o que é melhor para o clube”. Estava claro que era o fim da linha para o treinador no Feyenoord – fato consumado horas depois, após a reunião com Martin van Geel. Van Bronckhorst foi promovido antecipadamente, às pressas, e só pôde fazer alguns ajustes para a “semifinal” dos play-offs. Por exemplo, experimentar Bilal Basacikoglu na ponta esquerda, já que Elvis Manu estava lesionado.

Aí quem agiu foi o azar: o Heerenveen fez 1 a 0 com um gol cujo autor, Simon Thern, estava claramente impedido. A pressão para a volta, em De Kuip, era quase irrespirável. Van Bronckhorst fez novamente o que estava ao alcance, tirando Colin Kazim-Richards do time e dando chance a Anass Achahbar, das raras boas novas que o Feyenoord teve na temporada. Até deu certo, com Toornstra fazendo 1 a 0 e levando o jogo para a prorrogação. Mas bastaram cinco minutos na primeira parte do tempo extra para o alemão Mark Uth, artilheiro dos visitantes, virar o jogo. Veio o 2 a 2, com Kazim-Richards vindo do banco, mas era tarde. Não haveria competições continentais para o Stadionclub.

Van Bronckhorst ainda mostrou elogios (“Não podia pedir a meus jogadores mais do que isso, estou orgulhoso deles, deram tudo o que podiam”, opinou à FOX Sports holandesa), mas o abatimento era claro. E só aumentou quando Jordy Clasie declarou, ao ser perguntado se deixaria o clube: “Quem sabe? Vou para os treinos com a seleção, e depois penso nisso. Estou aqui há quatro anos. Tenho ambições, mas não quero sair imediatamente”.

No entanto, é quase certo que Clasie tomará outros rumos (Southampton, Porto e Roma são os concorrentes mais falados pelo meio-campista). Assim como o ponta-de-lança Lex Immers, cortejado pelo Porto. E Karim El Ahmadi, Jean-Paul Boëtius, Tonny Trindade de Vilhena. Enfim, além de já estar com a pressão da próxima temporada sobre sua cabeça, Van Bronckhorst terá de remontar a equipe, provavelmente. Desafio nada desprezível para alguém que iniciará sua primeira experiência como técnico de uma equipe profissional adulta.

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