Muita competência do Sevilla e falta de sorte: o Barça perde mais uma no Espanhol
Três tropeços nas últimas seis partidas. Uma marca que até seria normal para qualquer clube. Mas não para o Barcelona. Não para o time que arrasou a Europa na última temporada. Messi pode até fazer falta, mas a derrota deste sábado não pode ser colocada na conta da lesão do camisa 10. Afinal, Luis Suárez e Neymar estavam afiados, só que abusaram da falta de sorte acertando a trave três vezes. E também esbarraram na tarde esplendorosa do goleiro Sergio Rico. O camisa 1 foi o grande destaque na excelente vitória do Sevilla por 2 a 1 no Estádio Ramón Sánchez-Pizjuán. Resultado que afasta os andaluzes da zona de rebaixamento e colocam pressão sobre o trabalho de Luis Enrique no Camp Nou, com os catalães devendo terminar a rodada na quarta posição.
O primeiro tempo foi bastante movimentado para os dois lados, mas nem dava noção da vida complicada que o Barcelona teria na sequência. O Sevilla se fechava bem na defesa e conseguia ameaçar a meta de Claudio Bravo, especialmente explorando as pontas e as jogadas de bola parada. No entanto, os blaugranas tinham as oportunidades mais claras. Luis Suárez e Neymar estavam acesos, chamando bastante a responsabilidade. Pararam nas traves, duas vezes. Primeiro, o brasileiro cobrou falta cheia de capricho e deu um enorme azar: a bola bateu no poste, nas costas do goleiro, no poste de novo e cruzou sobre a linha. Inacreditável. E já no final da primeira etapa, Luisito chutou colocado, acertando a forquilha.
No entanto, o Sevilla voltou voando para o segundo tempo. E o talento de Krohn-Dehli fez muita diferença nos primeiros 15 minutos. A jogada do primeiro gol tem todos os méritos de Gameiro, que teve muita liberdade pelo lado direito e avançou em velocidade até a linha de fundo. Cruzou rasteiro para o dinamarquês completar de primeira. Depois, foi a vez de Krohn-Dehli retribuir o presente, levantando uma bola perfeita na cabeça de Iborra. Livre de marcação, o camisa 8 não teve trabalho para vencer Bravo e balançar as redes.
Depois disso, só o Barcelona finalizou nos 30 minutos finais de jogo. E quem se consagrou foi o goleiro Sergio Rico, em atuação magistral. O camisa 1 do Sevilla voou duas vezes no canto para salvar os chutes de Neymar, o primeiro à queima-roupa, operando um milagre. Exercendo enorme pressão, os blaugranas tiveram um pênalti contestável a seu favor, que Neymar converteu (e Rico ficou a um triz de pegar) aos 27 minutos. Mas, depois disso, a segurança defensiva dos andaluzes pesou. Os catalães tiveram pouquíssimos espaços para criar chances claras. Na única vez em que o empate pareceu próximo, Luis Suárez esbarrou mais uma vez na trave. Definitivamente, não era a tarde do Barcelona.
O Sevilla merece os louros pela vitória que conquistou. Depois do fraco início de temporada, o time de Unai Emery dá uma enorme prova de recuperação e ganha moral para a sequência do campeonato. Por mais que tenha perdido peças importantes no último mercado, a qualidade é muito superior ao que indica a posição na tabela. Atualmente em décimo, os andaluzes devem cair até o final da rodada, mas têm tempo para a recuperação. Já no Barcelona, a questão é bem mais delicada.
É claro que a visita ao Ramón Sánchez-Pizjuán costuma ser um dos jogos mais difíceis do calendário. Sim, os blaugranas deram um bocado de azar, por mais que tenham sido ajudados pela arbitragem. E a falta de profundidade do elenco (por um problema interno, ressalte-se) pesa conta. Contudo, um time tão forte não pode se dar ao luxo de mais um jogo com pouca consistência no meio de campo e desleixos fatais à defesa. Ainda que Neymar e Suárez consigam segurar as pontas na ausência de Messi, o sistema defensivo não pode exigir tantos gols da dupla. A tarde da Andaluzia não foi tão ruim quanto a goleada do Celta. Mesmo assim, há muito a se melhorar. Até porque o Barcelona não costuma tropeçar tanto ou mesmo sofrer tanto para conquistar as suas vitórias, como tem acontecido nas últimas semanas.