A falta de alma do Schalke 04 contra o Real Madrid provou que até mata-mata pode ser chato
Mata-mata é conhecido como um sistema de disputa que tende à emoção. O risco iminente de uma eliminação costuma dar contornos dramáticos aos jogos. Um time perdendo em casa é algo terrível, mesmo no primeiro jogo, e costuma causa desespero e ranger de dentes. Bom, ao menos normalmente. O jogo entre Schalke 04 e Real Madrid nesta quarta-feira em Gelsenkirchen esteve bem longe disso. O jogo foi na Alemanha, o Real Madrid dominou a posse de bola, controlou o jogo, mas não fez muita força. O Schalke perdia o jogo, mas não fazia tanta força para reverter. Mesmo perdendo em casa.
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Não é um problema do sistema de disputa, claro. Foi um jogo de oitavas de final da Champions League, o que deveria significa um jogo empolgante. Ainda mais para os torcedores do Schalke, sempre ávidos por glórias, o que não quer dizer títulos, necessariamente. Eliminar o Real Madrid já poderia ser uma grande história. Só que talvez pela lembrança da goleada massacrante que sofreu na temporada passada, um 6 a 1 em casa que evidentemente deixa marcas. Desta vez, o time não foi humilhado em casa. E pareceu estar bastante conformado com isso. Não deveria.
Como falamos no nosso guia das oitavas de final da Champions League, a chance do Schalke conseguir algo na eliminatória seria fazer tudo certo e dar tudo errado para os espanhóis. Bom, o jogo do Real Madrid passou longe de ser grande coisa. O Schalke tentou se soltar um pouco no segundo tempo, mas bem pouco. Em parte, provavelmente por medo de sofrer contra-ataques de um ataque que tem sido mortal, como foi na temporada passada ali no mesmo estádio. Benzema, Cristiano Ronaldo e Bale costumam dar muito trabalho. Em parte, também por falta de qualidade. O Schalke não é um time que não consegue causar tantos problemas ao adversários, ainda mais sem a sua principal referência, Huntelaar, que saiu machucado ainda no primeiro tempo.
É verdade que o Schalke chegou a acertar o travessão quando o placar ainda estava 1 a 0, mas foi um lance mais casual do que uma jogada efetivamente construída. O gol de Marcelo pouco depois, já na parte final do jogo, aos 34 minutos, já praticamente decretava o vencedor. Afinal, seriam precisos dois lances de alguma sorte para empatar, porque já dava para perceber que o time alemão não tinha tantas qualidades para pressionar os merengues em busca de um empate.
Depois do jogo empate sem graça por 0 a 0 entre Shakhtar Donetsk e Bayern de Munique e o empate decepcionante por 1 a 1 entre PSG e Chelsea, tivemos mais um jogo fraco neste Schalke e Real Madrid. Faltou alma ao time alemão, brio de quem quer vencer nem que seja na vontade, na força da torcida, no grito. Isso é o que tem diferenciado muitas vezes o que vemos na Libertadores da Champions League. Os grandes times da Champions League são melhores que os da Libertadores, mas falta a muitos dos times que não são favoritos ALMA. E quando falta alma, o futebol sofre.
A vitória do Real Madrid por 2 a 0 jogando fora de casa contra o Schalke 04 mostra que até jogo decisivo de mata-mata pode ser chato. Porque parece que os jogadores, o técnico e os dirigentes (para não falar algumas vezes até a torcida) acham normal que o seu time perca em casa para um favorito ao título. Por mais que isso aconteça de qualquer jeito, não deveria ser aceito como normal. Nunca. E o que deveria, aliás, preocupar gente como Michel Platini, presidente da Uefa, e os dirigentes. Quando as oitavas de final começam a ficar sistematicamente pouco atraentes, é algo para se olhar com mais atenção. Talvez com a mudança do critério dos cabeças de chave dos grupos, que entra em vigor na próxima temporada, tenhamos uma mudança nesse sentido. A Champions precisa disso.



