Espanha

Falha no sistema

Dois títulos da Copa Uefa, dois da Copa do Rei e um punhado de boas campanhas na liga espanhola fizeram do Sevilla um clube autossuficiente, ou pretensamente autossuficiente. Os dirigentes confiam no seu sistema de trabalho, e nem sempre dão a devida importância ao papel do técnico na caminhada do time. Mutias vezes, até estão certo. Mas há momentos em que o trabalho daquele sujeito de terno no banco de reservas tem efeito no resultado em campo. E, por isso, Antonio Álvarez se tornou o primeiro técnico a ser demitido no Espanholão 2010/11.

Pode-se dizer que foi uma decisão precipitada, considerando o momento da temporada. Foram apenas cinco rodadas do campeonato nacional e a Liga Europa só teve uma partida. Além disso, Álvarez tinha o crédito de ter feito um longo trabalho nas categorias de base e de assumir uma equipe oscilante na reta final da temporada passada e levá-la à Liga dos Campeões e ao título da Copa do Rei. Mas é possível compreender a decisão do presidente José María del Nido.

Apesar de ter mantido a política dos últimos anos (revelar jogadores e contratar apenas nomes baratos que possam se valorizar para futura venda milionária), o clube não teve sorte. A equipe neste começo de temporada mostra um futebol fraco e pouco competitivo. Ocupa a sétima posição na liga nacional e perdeu a invencibilidade apenas no último domingo.

Tal número, porém, é enganador. A tabela vem dando uma ajuda providencial, e os sevillistas não tiveram nenhum adversário forte. Todos (Levante, Deportivo, Málaga, Racing de Santander e Hércules) estavam na metade de baixo da tabela – e ainda estão, com exceção do último, que foi à oitava posição justamente por ter vencido o Sevilla.

Para piorar, a campanha continental dos andaluzes mal começou e já tem contornos de tragédia. A equipe foi eliminada pelo Braga na fase preliminar da Liga dos Campeões (perdendo em casa, inclusive) e iniciou a caminhada na Liga Europa com derrota no Ramón Sánchez Pizjuán (para o Paris Saint-Germain). Considerando todas as competições oficiais, o Sevilla venceu apenas um dos seis confrontos que fez em seu estádio: 3 a 1 contra o Barcelona na Supercopa, mas os catalães estavam com o time misto e, com os titulares, meteram 4 a 0 na partida de volta.

Um dos motivos dessa fragilidade é o início ruim das principais apostas para a temporada. Alexis pintou como bom zagueiro no Getafe (começou a carreira como lateral no Málaga) em 2006/07. Foi vendido ao Valencia, mas não vingou no Mestalla. Foi contratado pelo Sevilla em agosto, mas continua mostrando um jogo inconsistente e inseguro. Os italianos Guarente e Cigarini, ambos meio-campistas, também não ajudaram a dar mais solidez ao time.

Além disso, a última leva de jogadores formados no clube não parece tão promissora – como capacidade técnica ou como potencial de venda – como a de Jesús Navas, Sergio Ramos, Puerta e Reyes. Somando isso aos problemas físicos intermitentes de Luis Fabiano, Capel, Kanouté, Cáceres e, principalmente, Jesús Navas, o Sevilla virou um time mediano para o padrão espanhol. Perder para Braga, Paris Saint-Germain e Hércules não soa tão fora de contexto.

Era palpável a necessidade de mudar rapidamente. Ter paciência poderia até traria resultados, mas talvez isso custasse a permanência na Liga Europa e a briga por uma vaga na próxima Liga dos Campeões. Del Nido e Monchi Rodríguez, diretor esportivo, perceberam isso. E resolveram demitir Álvarez.

O novo treinador já foi anunciado. Gregório Manzano vem de grande trabalho no Mallorca. Em quatro temporadas, fez campanhas melhores que o esperado pelo nível de investimento dos baleares. Em 2009/10, perdeu uma vaga na última Liga dos Campeões por alguns minutos – e ficou sem a Liga Europa por problemas financeiros. Como não renovou com os mallorquinistas, ele sabidamente estaria em primeiro lugar na fila de qualquer clube médio para bom que precisasse de novo comandante.

Foi o que ocorreu. Agora em Nervión, Manzano precisará reagrupar o elenco. Primeiro, dando motivação para os jogadores buscarem alguns resultados imediatos, enquanto ele conserta os problemas do sistema sevillista. Que, como visto, não funciona tão sozinho assim.

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Equipe Trivela

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