Espanha

Excesso de produção

La Masía. Nos últimos anos, o mundo passou a ver esse termo (que, em espanhol, significa “casa de fazenda”) como uma espécie de local encantado. De lá brotam jovens com talento para o futebol. Todos pequenos, rápidos, habilidosos, inteligentes e feitos sob medida para manter o Barcelona no topo do futebol europeu. Ótima notícia, mas que se transformou em um problema para o clube catalão.

Desde a implementação do atual projeto do clube, com a eleição de Joan Laporta em 2003, La Masía passou a ser a fonte prioritária de talento. Aos poucos, jogadores contratados de outras equipes foram sendo substituídos por talento caseiro. Até que duas gerações se consolidaram e formaram a base atual, com Messi, Xavi, Valdés, Iniesta, Pedro e Puyol. Por um tempo, não houve problemas. Era a transição necessária para trocar a base importada pela feita internamente. Mas o momento mudou.

O grupo atual está consolidado e sua manutenção é fundamental para o trabalho de Pep Guardiola. Só que as categorias de base não pararam de produzir jogadores. Nas duas últimas temporadas, foi possível contentar uma geração de garotos com aparições na Copa do Rei ou jogos para cumprir tabela na Liga dos Campeões, além do Barcelona B. Mas já não dá mais. Alguns desses jogadores já acumulam conquistas e chegam a uma idade em que precisam jogar mais. E não conseguem dentro do próprio clube.

Em uma situação incomum para o mercado de verão, o Barcelona está envolvido em mais negociações para venda do que para compra jogadores. O único reforço confirmado até agora é o de Fontàs, nada mais que o zagueiro do time B que foi promovido (medida até atrasada, considerando a falta de defensores do elenco principal). Fàbregas deve ir a Les Corts, junto com Alexis Sánchez. E só.

Enquanto isso, os catalães já venderam três pratas da casa: Victor Sánchez (Neuchâtel Xamax), Oriol e Abraham (ambos Zaragoza). Também podem partir Montoya, Muniesa e Bartra (todos pretendidos pelo Betis), Jonathan dos Santos (Zaragoza) e Bojan (Roma). Tiago Alcântara foi sondado pelo Atlético de Madrid, mas renovou com os blaugranas. Todos são jogadores de formação técnica e tática supostamente boa e a preços interessantes, pois não têm grande projeção internacional e estão querendo trocar de ares.

Em curto prazo, isso não chega a ser um problema, pois o destino dos garotos não são equipes fortes . Mas será se alguns desses jovens seguir crescendo e parar em algum concorrente de peso, como Real Madrid, Manchester United, Milan ou Chelsea. Mais ou menos como foi com Piqué e Fàbregas, com a diferença que ambos não tiveram seu espaço limitado no Barcelona. Eles que aceitaram propostas da Inglaterra antes de serem promovidos.

O Real Madrid sempre conviveu com isso. Acabou recomprando muitos dos jogadores que ele próprio criou e não usou (Arbeloa, Granero e De la Red). O Barcelona talvez faça isso com seus ex-garotos que se desenvolvam. Enquanto isso, tem sido um clube vendedor. Fica a dica a quem quiser renovar seu elenco.
 

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Equipe Trivela

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