Ex-Real Madrid: ‘Esse era o verdadeiro Ronaldo. Cristiano é metade da metade do Fenômeno’
Antonio Cassano era conhecido por não medir as palavras. E, ao comparar dois dos maiores nomes da história do futebol, o ex-atacante italiano voltou a provocar debate. Em entrevista ao jornal espanhol “AS”, ele colocou Ronaldo Fenômeno muito acima de Cristiano Ronaldo e definiu o português como “a metade da metade” do brasileiro, a quem considera o centroavante mais impressionante que viu jogar.
A opinião se encaixa no estilo direto que marcou a carreira de Cassano, talento precoce do futebol italiano que passou por clubes como Roma, Real Madrid, Milan e Sampdoria. Para ele, o brasileiro reunia uma combinação de técnica, explosão e capacidade de decidir partidas que o colocava em uma categoria própria. Na avaliação do italiano, as lesões impediram que Ronaldo alcançasse um patamar ainda mais alto.
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Cassano coloca Ronaldo Fenômeno acima de Cristiano Ronaldo
Ao falar sobre os jogadores que mais o impressionaram ao longo da carreira, Cassano destacou três nomes com quem dividiu o vestiário: Ronaldo Nazário, Zinedine Zidane e Guti. O brasileiro, porém, recebeu uma menção especial. Para o italiano, nenhum outro centroavante que viu jogar conseguiu se aproximar de seu nível.
“Como centroavante, nunca vi ninguém parecido com ele. Era absolutamente fabuloso e decisivo. Esse era o verdadeiro Ronaldo, não o Cristiano, que é a metade da metade do Roni, o Fenômeno”, declarou o italiano.
A avaliação reflete a preferência de Cassano por jogadores que considera naturalmente talentosos, capazes de decidir partidas com criatividade, improvisação e recursos técnicos. O Fenômeno ficou marcado justamente por essa combinação: força física, velocidade, drible em espaços curtos e frieza diante do goleiro, características que o transformaram em um dos atacantes mais temidos de sua geração.
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Cristiano Ronaldo, por sua vez, construiu uma trajetória baseada em longevidade, capacidade de adaptação e números extraordinários. O português conquistou cinco Bolas de Ouro e cinco títulos da Champions League, além de se tornar o maior artilheiro da história do futebol masculino em jogos oficiais reconhecidos pela Fifa.
Ronaldo Nazário ganhou duas Bolas de Ouro e duas Copas do Mundo, em 1994 e 2002, além de ter sido protagonista de uma das recuperações mais marcantes do esporte após graves lesões no joelho.
Na mesma entrevista, Cassano voltou a colocar Messi em um patamar separado dos demais atletas. Para ele, o argentino está acima de todos os jogadores da história e continua sendo um fenômeno mesmo perto dos 40 anos. O italiano também citou Lamine Yamal, Raphinha e Rodrygo entre os nomes de que gosta no futebol atual, embora considere Messi incomparável.
A passagem pelo Real Madrid e o arrependimento de Cassano
A entrevista ao AS também serviu para Cassano revisitar o período em que vestiu a camisa do Real Madrid. Contratado em janeiro de 2006, depois de se destacar pela Roma, o atacante chegou ao elenco dos Galáticos com a expectativa de transformar seu talento em uma carreira de protagonismo no futebol europeu.
O resultado ficou aquém do esperado. Cassano reconheceu que seus próprios hábitos prejudicaram a adaptação ao clube espanhol e afirmou que não tinha a disciplina necessária para aproveitar a oportunidade. O italiano admitiu que estava acima do peso, preferia sair e comer a se dedicar aos treinamentos e não tratava a profissão com o rigor exigido naquele nível.
“Em Madri, meu comportamento foi uma m***”, resumiu. Em tom de brincadeira, acrescentou que deveria ter ido para a cadeia, uma forma exagerada de reconhecer os excessos daquele período. A declaração não foi uma crítica ao clube ou à qualidade dos companheiros, mas uma admissão de responsabilidade pelo que deixou de entregar em campo.
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Na visão do italiano, a qualidade técnica nunca foi o problema. Ele acredita que, se tivesse a maturidade atual durante sua passagem pelo elenco merengue, poderia ter permanecido por muitos anos no clube. Mesmo sem alcançar o protagonismo esperado, Cassano afirmou que guarda boas lembranças da experiência e considera uma honra ter vestido a camisa do maior clube da história.
A trajetória de Cassano ficou marcada pela distância entre o que seu talento prometia e o que efetivamente conquistou. Ainda assim, o italiano não trata a carreira apenas como uma sucessão de oportunidades perdidas. Ele reconhece que poderia ter alcançado mais, mas afirma que foi feliz com as experiências que viveu.