Espanha

Evra: ‘Vinicius Jr ainda tem que ficar falando de racismo sem parar. Ele é um alvo, é triste’

Ex-Manchester United falou sobre perseguição ao atacante brasileiro e traçou paralelo com seu caso envolvendo Luis Suárez

Vinicius Jr. voltou a assumir o protagonismo do Real Madrid em 2026 com boas atuações em LaLiga e na Champions League. Entretanto, o atacante brasileiro precisa lidar com o constante racismo na Europa, com o caso envolvendo Gianluca Prestianni, do Benfica, sendo o mais recente.

Em entrevista ao site “The Athletic”, Patrice Evra lamentou que Vinicius Jr. foi descreditado por sua acusação ao meia-atacante argentino. Quando ainda defendia o Manchester United, o lateral francês passou por algo semelhante quando denunciou Luis Suárez, então no Liverpool, por insultos raciais.

— É triste. Vinicius ainda tem que ficar falando disso (racismo) sem parar. Ele é o alvo, é assim que ele se sente — começou Evra.

Vinicius Jr acusa Prestianni de chamá-lo de “macaco”

Vini Jr acusou Prestianni de racismo em Benfica x Real Madrid (Foto: Miguel Lemos/ZUMA Press Wire/Imago)
Vini Jr acusou Prestianni de racismo em Benfica x Real Madrid (Foto: Miguel Lemos/ZUMA Press Wire/Imago)

Durante o jogo de ida dos playoffs do torneio da Uefa, o camisa 7 marcou o gol da vitória dos Merengues sobre as Águias por 1 a 0, no Estádio da Luz, e comemorou dançando com a bandeirinha de escanteio, em frente ao setor da torcida mandante. Os donos da casa entenderam o ato como uma provocação.

A confusão entre os jogadores de ambos os times se instaurou antes do reinício da partida. Nesse momento, Prestianni se aproximou de Vinicius Jr. e tapou a boca com a camisa antes de xingá-lo. O atacante imediatamente procurou o árbitro para avisar que o argentino do Benfica o chamou de “mono”“macaco”, em espanhol.

Apesar de outros jogadores do Real Madrid, como Kylian Mbappé, confirmarem o insulto racista, Gianluca Prestianni alega que não cometeu nenhuma ação preconceituosa. Após a partida, José Mourinho chegou a dizer que o brasileiro foi responsável por toda a situação devido sua celebração.

O meia-atacante dos Encarnados chegou a ser suspenso da partida de volta, quando os Merengues garantiram vaga nas oitavas de final da Liga dos Campeões, com base no código 14 do regulamento da Uefa. A entidade europeia segue investigando o caso.

— Quando essas coisas acontecem, você sente injustiça porque, mesmo que seja você que diga o que aconteceu, as pessoas acusadas se fazem de vítimas. Foi o que aconteceu com Luis Suárez (em 2011) e com o Vinicius agora. As pessoas reclamam mais da atitude dele — continuou o ex-jogador de 44 anos.

— Dizem: “por que ele está dançando? Por que ele está provocando?”. Dão uma desculpa para alguém xingá-lo só porque ele está dançando depois de marcar um gol — concluiu.

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O caso Evra-Suárez

Em outubro de 2011, durante uma partida entre Liverpool x Manchester United pela Premier League, Patrice Evra ficou indignado com o centroavante uruguaio após ele usar “palavras racistas ao menos 10 vezes” durante uma confusão na lateral do campo.

O lateral francês relatou o ocorrido ao árbitro, o que motivou uma investigação da Federação Inglesa de Futebol (FA). A mídia também deu grande repercussão à denúncia. Considerado culpado, Suárez acabou punido com oito jogos de suspensão e uma multa de 40 mil libras (cerca de R$ 272 mil na cotação atual).

Luis Suárez e Patrice Evra durante Liverpool x Manchester United, em 2012 (Foto: Imago/Sportimage)
Luis Suárez e Patrice Evra durante Liverpool x Manchester United, em 2012 (Foto: Imago/Sportimage)

Evra admitiu que foi “difícil” reagir adequadamente quando ouviu o insulto do atacante dos Reds. Por um lado, sabia que não poderia fazer nada porque poderia “sair como vilão e mau exemplo”. Do outro, o lateral dos Red Devils reconheceu que queria “dar um soco” no uruguaio.

— Então, você tem que se controlar. Fiquei muito orgulhoso de não ter reagido. Aí fizemos a reportagem e no dia seguinte era notícia em todos os lugares. Eu não queria toda aquela atenção — contou Evra.

— Quando defendi meu caso, eu disse: “Não conheço Luis Suárez o suficiente para chamá-lo de racista. (Mas) naquele momento, ele usou palavras racistas” — finalizou.

No reencontro dois meses depois, Luis Suárez se recusou a apertar a mão do lateral em Old Trafford. O francês desaprovou a atitude do centroavante uruguaio e o apreendeu. Já em 2015, na final da Champions entre Barcelona x Juventus, os dois se cumprimentaram.

Foto de Matheus Cristianini

Matheus CristianiniRedator

Jornalista formado pela Unesp, com passagens por Antenados no Futebol, Bolavip Brasil, Minha Torcida e Esportelândia. Na Trivela, é redator de futebol nacional e internacional.

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