Espanha

Especial dos especiais

Existem poucos chavões tão comuns nas vésperas de um Barcelona x Real Madrid do que falar que é um duelo mais que futebolístico. É um encontro de um símbolo da Catalunha contra um símbolo do poder central da capital espanhola. É um jogo em que orgulhos históricos entram em choque. Isso explica o motivo de a Espanha parar quando blaugranas e merengues se encontram. E faz o mundo reconhecer que a partida tem uma aura diferente de um clássico convencional, se é que há clássicos convencionais.

Não dá para negar isso, mas o Barça x Real desta segunda é diferente. Ele será mais do que o confronto dos maiores clubes da Espanha ou que o momento em que duas regiões colocam parte de suas diferenças a limpo. Será, acima de tudo, um baita jogo de futebol. Neste caso, é o aspecto técnico que se sobrepõe, que faz esse dérbi ser um dos mais esperados dos últimos tempos.

Óbvio que Barcelona e Real Madrid já protagonizaram clássicos tecnicamente fantásticos. Mas o desta temporada tem algo mais em relação à maioria. É um duelo do jogo leve e rápido dos catalães contra a solidez dos madridistas. De Messi com Cristiano Ronaldo pelo posto simbólico de melhor jogador do mundo (independentemente de quem ganhe a Bola de Ouro no fim do ano). E do time mais vitorioso do mundo nos últimos cinco anos com o técnico que o parou na última Liga dos Campeões.

A isso se soma o fato de as duas equipes, os dois técnicos, os dois craques, estarem em grande momento. Na última década, foi comum um estar em alta e outro, digamos, “mais ou menos”. Quando os galáticos merengues venciam, o Barça estava em transição. Quando os catalães iniciaram a atual fase vitoriosa, em 2005, o Real caiu. Mesmo nos anos em que foi campeão espanhol, com Fabio Capello e Bernd Schuster, ou na temporada passada, que foi vice batendo recordes históricos sob o comando de Manuel Pellegrini, os madridistas não apresentavam um futebol que aliasse competitividade, beleza estética, jogadores estelares e poder de dominação como tanto gostam seus torcedores. Sempre faltava um ou dois desses elementos.

Hoje, Barcelona e Real Madrid estão com equipes que podem ser lembradas daqui décadas. São times coletivamente funcionais, com grandes craques, capazes de produzir goleadas constrangedoras mesmo em adversários decentes e que despontam como, possivelmente, os dois melhores do mundo neste momento. Até porque Chelsea, Manchester United, Internazionale, Milan ou Arsenal não estão no mesmo patamar. Não neste momento, nesses últimos dias de novembro de 2010. A sensação (salientando, neste momento) é que só um pode evitar que o outro alcance todas as glórias que puder.

Por isso tudo, o clássico desta segunda é diferente, mesmo se comparado com outros Barcelona x Real. É um duelo de símbolos regionais, de um conflito cultural histórico. Mas é também um baita jogo de futebol. Tecnicamente, não é possível se arrumar um jogo melhor.

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Equipe Trivela

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