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Espanholizar virou a nova moda na Premier League

Álvaro Negredo é mais um a se juntar à legião. Com a confirmação da transferência do Sevilla ao Manchester City, o atacante se torna o 14º jogador de La Liga que reforça um clube da Premier League nesta janela. Um fluxo migratório crescente nas últimas temporadas, que agora torna a Espanha como país estrangeiro com maior número de jogadores na competição – o madrilenho foi o 30º, igualando a quantidade de franceses.

Embora o mercado esteja aberto há apenas 17 dias, esta temporada já conta com o maior número de jogadores levados do Campeonato Espanhol ao Inglês nos últimos oito anos. Uma marca superada apenas em 2005/06, quando Rafa Benítez ainda estava empenhado em montar um Liverpool que falasse castelhano, trazendo sete jogadores de seu país – e inchando o total da liga para 15 atletas. Desta vez, o fenômeno é mais intenso e melhor distribuído entre os clubes.

Afinal, nove dos 20 clubes que disputarão o torneio já foram ao menos uma vez à La Liga trazer um reforço nesta janela. O mais assíduo é o Swansea, com Alejandro Pozuelo, Jordi Amat e José Alberto Cañas, tentando repetir a fórmula que já deu certo na temporada passada. O Manchester City, por sua vez, é o mais feroz. Desembolsou € 45 milhões por Jesús Navas e Álvaro Negredo. Não à toa, quatro das cinco contratações mais caras de atletas de La Liga à Premier League são dos Citizens – Sergio Agüero, Robinho, Yaya Touré e David Silva.

Acontece com o futebol espanhol uma situação que, na virada do século, era por clubes brasileiros e franceses: a boa fase da seleção nacional deixa os jogadores do país em evidência, enquanto o poderio econômico dos ingleses contribui com a debandada. No caso da Fúria, a mística do tiki-taka parece dar o rótulo de “jogador técnico” a qualquer um que defenda clubes espanhóis. E as apostas certeiras feitas recentemente com Juan Mata, Santi Cazorla e Michu, também influenciam bastante.

O caso do atacante do Swansea, aliás, é icônico. Os galeses pagaram pouco mais de € 2,5 milhões ao Rayo Vallecano e viram o novato deslanchar na Premier League – em um desempenho que dá a impressão de ter sido bem acima de seu natural. Agora, qualquer um quer tentar fazer uma pechincha para emplacar a nova sensação do campeonato.

Outra situação que pesa bastante é a depressão financeira enfrentada por muitos clubes espanhóis, exceção feita a Barcelona e Real Madrid. O reflexo disso é que clubes médios como Sevilla e Betis, acostumados a disputar a Liga dos Campeões, não resistem às ofertas polpudas feitas pelos ingleses. Isso quando times pequenos, que brigam para não cair na Premier League, levam nomes de certo destaque no elenco desses médios espanhóis.

É bem possível que alguns desses novatos vindos de La Liga tenham sucesso em seus primeiros meses na Premier League, como Jesús Navas, Iago Aspas ou Gerard Deulofeu. Entretanto, enquanto os ingleses fantasiam que todo jogador trazido da Península Ibérica vingará, os clubes espanhóis definham. E o dinheiro ganho com estes negócios parece mais útil para salvar dívidas do que propriamente investir nos times.

Número de jogadores de La Liga contratados em definitivo por clubes da Premier League:

2013/14 – 13 jogadores – € 72,6 milhões
2012/13 – 7 jogadores – € 56,4 milhões
2011/12 – 5 jogadores – € 98,9 milhões
2010/11 – 9 jogadores – € 80,6 milhões
2009/10 – 10 jogadores – € 15,1 milhões
2008/09 – 10 jogadores – € 107,9 milhões
2007/08 – 8 jogadores – € 81,05 milhões
2006/07 – 3 jogadores – € 6,9 milhões
2005/06 – 15 jogadores – € 87,5 milhões
2004/05 – 13 jogadores – € 48,2 milhões

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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