Como Enzo Fernández pode devolver uma virtude perdida pelo Real Madrid há dois anos
Desde a aposentadoria de Toni Kroos, Blancos enfrentam dificuldades no meio-campo
O Real Madrid convive com uma carência em seu elenco há cerca de duas temporadas, quando Toni Kroos decidiu se aposentar dos gramados. A dificuldade em controlar os grandes jogos e ter um responsável pela “pausa” e cadenciar a posse vem sendo recorrentemente apontada como um grave problema dos Blancos e a solução de José Mourinho seria Enzo Fernández.
De acordo com o jornal “Marca”, os Merengues colocam ele como o alvo número um para este mercado de transferências à pedido de Mourinho, que entendeu a necessidade de um meio-campista com caráter mais cerebral. A partir disso, existe também a vontade do jogador do Chelsea, que já teria indicado o seu desejo de morar em Madri.
— Eu gostaria de morar na Espanha. Gosto muito de Madri, me lembra Buenos Aires. Eu moraria em Madri. Um jogador mora onde quiser. Eu me viro com o inglês, mas com o espanhol eu me sairia melhor — revelou Enzo meses atrás.
A fala, inclusive, não caiu bem em Stamford Bridge, que, com outros elementos, originou uma grande crise entre o argentino e o Chelsea. Mesmo com um segundo semestre conturbado na Inglaterra, Enzo é atraente o suficiente para o jogo que José Mourinho pensa para o Real Madrid.
O conceito e o encaixe de Enzo Fernández no Real Madrid
Durante muitos anos, em um dos períodos mais gloriosos do Real Madrid em sua história, viu-se um meio-campo formado por Casemiro, Luka Modric e Toni Kroos. Leia-se uma âncora defensiva, um motor e um temporizador, respectivamente. A saída do brasileiro foi compensada de outras formas pelo sistema blanco, o que acabou por originar outra conquista de Champions League. No entanto, a função exercida por Kroos jamais foi preenchida desde sua aposentadoria, há dois anos.
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Não é à toa que o Real Madrid está há duas temporadas sem títulos de expressão. Um período muito focado no ajuste ofensivo com Kylian Mbappé e Vinicius Júnior, mas de muitas experiências para suprir a falta de um temporizador no meio-campo.
Atualmente, Aurélien Tchouaméni, Federico Valverde, Eduardo Camavinga, Jude Bellingham e Arda Güler são as principais opções para setor. Porém, nenhum é cerebral por característica. Bernardo Silva chegará ao Santiago Bernabéu após a Copa do Mundo, mas está mais próximo do perfil de Modric do que de Kroos. Por isso, a urgência por meio-campista segue.
Em uma estrutura sem um jogador para ditar ritmo, temporizar, organizar blocos e, principalmente, ser decisivo a partir os passes, é mais difícil estabelecer o controle da posse e envolver o adversário, justamente uma das debilidades do Real Madrid nos grandes enfrentamentos recentes.
Além do aspecto tático e conceitual, Enzo Fernández entrega bastante um números. Ótimo finalizador de fora da área, o argentino anotou 13 gols e contribuiu com seis assistências pelo Chelsea durante 2025/26, estatísticas excelentes para um jogador com a sua função.
Imaginando Enzo na equipe de José Mourinho, vários cenários podem ser criados. Um como um segundo jogador de meio, com função posicional, deixando que o terceiro homem, seja ele Bellingham ou Bernardo Silva, mais próximo dos atacantes. Valverde, com toda a sua intensidade e grandes capacidades tomando decisões, pode ser visto do lado direito novamente, em uma espécie de “falso ponta”. Ao mesmo tempo, em certos contextos, o argentino pode ser o primeiro organizador, possibilitando a presença de mais agentes criativos à sua frente.
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