Quando retornou ao Sevilla, o diretor Monchi colocou a casa abaixo para construir outra à sua imagem. Mandou mais de 20 embora, contratou 16 – sem contar Chicharito que chegou e foi embora em seis meses – e escolheu Julian para conduzir o projeto. Os primeiros resultados são bons. Neste domingo, venceu o por 2 a 1 e chegou à final da Liga Europa, mas velhos conhecidos da torcida também contribuíram ao placar.

Somente três dos 15 jogadores que entraram em campo no RheinEnergieStadion de Colônia não foram contratados no começo da temporada e estão entre os poucos há mais de um ano no Ramón Sánchez que tiveram minutos com Lopetegui. Um deles é Jesús Navas, responsável pela assistência do gol decisivo de Luuk de Jong. O outro é Éver Banega, dono do meio-campo.

 

O terceiro é Franco Vázquez, que entrou na etapa final e completa o grupo de jogadores que sobreviveram à limpa realizada por Monchi, ao lado do goleiro Tomas Vaclik, que está machucado, e Sergio Escudero, reserva não utilizado. Nolito e Daniel Carriço também estavam há mais tempo no clube, mas já saíram para Celta de Vigo e Wuhan Zall, da , respetivamente – sem falar, claro, na garotada da base.

Desses, Vaclik é o que tem menos tempo de casa. Chegou em 2018 e foi titular nesta temporada até se machucar. Aos 31 anos, idade ainda boa para goleiro, é o que tende a acompanhar por mais tempo este projeto que se inicia no Sevilla.

O núcleo mais experiente começa mesmo com Escudero, que teve um papel de coadjuvante, apoio a Sergio Reguilón, emprestado pelo Real Madrid, e Franco Vázquez, também mais reserva. Ambos na casa dos 30 anos. Banega, 32, puxou as cordinhas no meio-campo e foi o oitavo que mais jogou pelo Sevilla na campanha – sua última antes de se transferir ao Al-Shabab, da Arábia Saudita.

Foi particularmente importante em uma vitória por 2 a 1 sobre o Athletic, na 35ª rodada, quando construiu a virada de falta e deu o passe para o segundo gol, anotado por Munir. Também foram dele as assistências Reguilón, contra a , e para o gol solitário na semifinal diante do Wolverhampton.

Navas, aos 34 anos, é simplesmente o jogador com mais minutos acumulados nesta temporada – 4.059 – e, ao contrário do que costuma acontecer com os mais experientes, ele não se transferiu para uma posição menos exigente fisicamente. Foi efetivado como lateral direito e atuou em todas as 38 rodadas do , uma vez a partir do banco de reservas e uma vez não chegou ao fim dos 90 minutos. Contribuiu com sete assistências na liga.

Quando se diz que o Sevilla sabe como vencer a Liga Europa tem que ser por causa da memória institucional que esses jogadores representam. Especialmente Navas, que foi campeão dos dois primeiros títulos dessa sequência, entre 2005 e , e Banega, que chegou em 2014 e pegou os últimos dois do tricampeonato sob o comando de Unai Emery.

É notável que um time que foi montado praticamente do zero há cerca de um ano tenha conseguido tanto sucesso nesta temporada e depõe a favor das qualidades de Monchi e Lopetegui. Mas também foi apenas praticamente do zero. O elenco do Sevilla ainda tem jogadores que conhecem bem o clube, que sabem o que ele representa e que correspondem nas horas mais decisivas.