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Em um Real Madrid sedento pelo ataque, James comandou a vitória maiúscula sobre o Sevilla

O Real Madrid começou 2017 como já havia terminado 2016: vencendo. E apresentando um excelente futebol, mesmo que nem todas as suas estrelas estivessem em campo. Os merengues receberam o Sevilla no Estádio Santiago Bernabéu, no primeiro confronto das oitavas de final da Copa do Rei. E a vitória do time de Zinedine Zidane foi inapelável, especialmente pelo volume de jogo ofensivo do time da casa no primeiro tempo. Os andaluzes podem até reclamar do pênalti que resultou no último tento, mas a vitória por 3 a 0 condiz bastante com a maneira que os madridistas sobraram em campo, colocando um pé na próxima fase.

As novidades de Zidane para o jogo vinham especialmente na defesa e no ataque. A trinca de frente era composta por três jogadores que costumam começar no banco: Marco Asensio, Álvaro Morata e James Rodríguez. O colombiano, aliás, tinha mais uma oportunidade para mostrar serviço, diante dos rumores de que pode ser negociado nesta janela de transferências. Jorge Sampaoli, por sua vez, também realizou algumas mudanças. Em especial, a entrada de Paulo Henrique Ganso no meio de campo.

O Sevilla, contudo, não conseguiu ser a equipe dinâmica de outros momentos da temporada. O Real Madrid era senhor do jogo, se posicionando no ataque e abafando a posse dos andaluzes. Tanto que os merengues nem demoraram tanto para abrir o placar: aos 11 minutos, a partir da pressão de Casemiro, roubando a bola, James Rodríguez teve espaço para anotar um lindo gol. Fintou a marcação e bateu de fora da área, cheio de veneno, no canto da meta de Sergio Rico. A deixa para que a doutrinação se desse.

O Real Madrid criava a maioria absoluta das chances de gol. A movimentação de James e Asensio nas pontas era essencial, fechando em diagonal e permitindo o apoio constante de Marcelo e Carvajal. Além disso, Modric também trabalhava de maneira brilhante na cadência, a partir do meio de campo. Boa atuação quase premiada com um golaço de voleio, que passou rente à trave. Quando o Sevilla esboçava sair um pouco mais, veio o segundo gol. Toni Kroos cobrou escanteio e Varane saltou para completar de cabeça. Vantagem condizente com aquilo que se produzia.

Só então que o Sevilla viu a urgência da ocasião e tentou sair um pouco mais. Vitolo poderia ter diminuído, mas parou em Kiko Casilla. E as esperanças foram por terra aos 43, em lance bastante discutível. Em lance cheio de empurrões na área, o árbitro só viu a queda de Modric e resolveu marcar o pênalti. Na cobrança, James cobrou com segurança e ampliou a tranquilidade do Real Madrid.

No início do segundo tempo, a goleada até poderia ter sido formada, mas o Real desperdiçou algumas oportunidades. Hora, então, de se concentrar no controle do placar. Sampaoli botou Pablo Sarabia na vaga Ganso logo na vaga do intervalo, mas surtiu pouco efeito. Exceção a uma chance com Escudero, o Sevilla pouco assustou. Casemiro fazia ótima partida na proteção. Com menos emoções, o duelo seguiu ao seu final com a vitória assegurada ao Real Madrid. Houve tempo, ainda, para a torcida reconhecer as boas participações de Asensio e James, ambos bastante aplaudidos ao serem substituídos.

A vitória é importante para o Real Madrid muito além da tabela da Copa do Rei. Logicamente, ganhar de um rival como o Sevilla de maneira tão categórica dá uma injeção de ânimo. Mas vale ainda mais pela apresentação no ataque, sufocante, e pelas opções que surgiram do banco de reservas. Sampaoli, por sua vez, terá um abacaxi para descascar. Nem tanto pela continuidade na Copa do Rei, e sim pelas outras competições. A falta de intensidade demonstrada pelos rojiblancos é algo a se corrigir. Principalmente quando o confronto direto com a Real Sociedad já aparece como o próximo compromisso no Espanhol.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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