O Barcelona conseguiu uma vitória tranquila em casa nesta quarta-feira. Os 6 a 1 sobre o Sporting de Gijón vieram sem que o time precisasse de uma criatividade acima da média, ou mesmo exigisse um funcionamento coletivo primoroso. O que vimos em campo tem a ver com o talento dos jogadores, acima de qualquer outro fator. O Sporting, um time na zona do rebaixamento lutando contra o descenso, não teve força para ameaçar um time desconfortável em um esquema tático desequilibrado de Luis Enrique. Vale destacar os golaços que o time marcou, especialmente com Messi, Suárez e Neymar, o badalado trio.
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Neymar, melhor do jogo
Neymar, aliás, foi cobrado por suas atuações abaixo dos companheiros Messi e Suárez. Não eram críticas injustas, mas o que pouco se fala é que Neymar é um dos jogadores que mais conserta os problemas táticos do Barcelona de Luis Enrique. Deixou de ter tantos gols e assistências quanto nos seus primeiros anos no clube, mas contribui muito mais na construção das jogadas do time.
O exemplo do gol de Suárez mostra isso: ele está aberto pelo lado esquerdo, mais próximo da linha do meio-campo do que da área, e acha um passe perfeito para o uruguaio, que aparece livre. Como o gol foi contra, não entra como uma assistência de Neymar, mas sua participação no lance foi decisiva.
Bagunça tática e gols
Sem ter uma solução para a lateral direita, Luis Enrique mais uma vez colocou o time em um 3-4-3, como já tinha jogado contra o Atlético de Madrid. A diferente desta vez é que o adversário era fraco. Sergio Roberto ficou no banco. Na linha de zagueiros, Mascherano, Umtiti e Jordi Alba, improvisado. No meio, Rafinha, Rakitic, Busquets e Denis Suárez. O ataque tinha o trio MSN.
Só que na prática, não era bem assim. Para equilibrar o time, quem ficava aberto do lado esquerdo era Neymar. Claro que o brasileiro não funcionava como um ala, nem tem característica para isso, mas ele funcionava mais como um meio-campista pelo lado esquerdo do que um atacante por ali, como foi em tantos outros momentos.
As jogadas de lado de campo ofensivas não ficaram prejudicadas, já que Neymar, pela esquerda, era sempre muito perigoso. No lado direito, Rafinha se posicionava mais atrás, mas ainda ajudava o time. Defensivamente, o time não foi testado pelo Sporting, então não sofreu. O meio-campo é o principal ponto do time, que ainda não consegue ter um desempenho à altura do que já rendeu. Rakitic e Denis Suárez acabaram sendo os dois meias centrais para armar e distribuir o jogo.
Os gols saíram com naturalidade. Mascherano fez um lançamento longo para Messi, que completou de cabeça, de primeira, por cima do goleiro, logo a nove minutos. Aos 11, Neymar fez um passe maravilhoso para Suárez, que tirou do goleiro e, sem ângulo, tocou para o meio. O zagueiro Juan Rodriguez marcou contra. Em 11 minutos, 2 a 0 Barcelona.
O Sporting conseguiu marcar logo que chegou pela primeira vez ao ataque, com Carlos Castro aproveitando uma bola de Álvarez que bateu na trave, aos 21 minutos. Só um gol de honra. O jogo era só do lado do Barcelona. Aos 27, jogada pela direita, com cruzamento para a área de Rakitic, a defesa afastou mal e Suárez, no meio da área, pegou de primeira para marcar 3 a 1.
O segundo tempo teve mais três gols. O primeiro veio com Paco Alcácer, aos quatro minutos da etapa final com um passe de Messi que o centroavante, no meio da área, aproveitou. Ele entrou no lugar de Luis Suárez, que saiu no intervalo. O técnico Luis Enrique, vendo que o jogo estava fácil demais, tratou de poupar alguns jogadores. Depois de Suárez nem voltar no intervalo, tirou também Lionel Messi aos 16 minutos.
Aos 21 minutos, Neymar cobrou uma falta com uma imensa categoria. A bola foi no ângulo e o goleiro, que até chegou até a bola, não conseguiu defendê-la. Era impossível. Luis Enrique ainda tirou Rafinha e colocou Sergio Roberto – no meio-campo, como ele prefere. Ainda houve tempo para Ivan Rakitic marcar o sexto gol, em uma bomba dentro da área depois de passe justamente de Sergi Roberto.
Coletivamente, o Barcelona de Luis Enrique ainda sofre muito e, por isso, o time sofre muito contra equipes bem montadas, especialmente quando possuem qualidade individual também. Foi o caso do PSG, na Champions, ou o próprio Real Madrid na liga, no confronto do primeiro turno. Este é um problema que Luis Enrique terá que resolver. Ou, ao menos, os jogadores precisarão se arrumar em campo para ter desempenhos melhores nos jogos mais importantes. Mas contra o Sporting, é mais do que suficiente.



