Espanha

Elementos desconexos

Temporada após temporada, é sempre a mesma coisa. Olha-se o elenco do Atlético de Madrid, vê-se que o ataque tem Forlán e Agüero e fica a sensação de que há talento para ser a terceira força da Espanha, ainda que sem possibilidade de brigar com Real Madrid e Barcelona. Quando a bola começa a rolar, não é isso que se vê. O time realmente tem potencial e o ataque funciona bem, mas a equipe não deslancha.

Nesta semana, os colchoneros capricharam. Perderam três partidas em oito dias, incluindo uma virada sofrida em casa para o Aris, da Grécia, complicando sua situação na Liga Europa. Além disso, caíram no Vicente Calderón para o Espanyol e para o Levante em Valência. O próprio técnico Quique Sánchez Flores reconheceu que a equipe vive uma situação de colapso. Justo no momento em que o calendário favorecia uma arrancada rojiblanca.

O Atlético de Madrid tem um grupo desconectado. O ataque é fantástico, mas joga praticamente sozinho. O resto da equipe foi montado com jogadores supervalorizados (Ujfalusi, Simão, Reyes) ou que claramente não elevarão o status do time no cenário continental (Paulo Assunção, Raúl García, Perea e Tiago). Vejam que não são nomes ruins, mas são jogadores medianos ou que não valem o valor gasto pela diretoria para levá-los à beira do rio Manzanares.

Um problema crônico está no meio-campo. Há vários anos o clube procura um volante que marque com eficiência para deixar a defesa menos desprotegida e tenha boa técnica para reforçar o sistema de criação – que não é dos mais brilhantes. Paulo Assunção, Tiago e Raúl García até fazem bem a parte defensiva, mas não têm chegada na frente. Reyes e Simão ficam abertos demais e não conseguem se comunicar.

O ataque colchonero só tem números aceitáveis por causa de Forlán e Agüero, que muitas vezes resolvem as coisas por conta própria. Eles são responsáveis por 50% dos gols da equipe no Campeonato Espanhol até o momento. Simão até tem seus méritos, com quatro gols, mas Reyes, em 13 partidas, não marcou nenhum.

Um sonho de consumo era Mascherano. O argentino marca bem e, no início de carreira, sabia levar a bola para o ataque. Com o tempo, perdeu essa segunda característica. Mesmo assim, poderia ficar mais fixo atrás e dar liberdade ao colega de meio-campo (outro sonho do Atlético na época era Riquelme). No entanto, o volante valorizou-se muito no Liverpool e ficou inatingível financeiramente.

Entre as dezenas de contratações polêmicas, exageradas ou mal avaliadas da direção colchonera, as posições de meias internos (os volantes da linha de quatro) foram as mais movimentadas. Além dos atuais postulantes às vagas (Raúl García, Paulo Assunção, Tiago e Mario Suárez), já estiveram no setor Cléber Santana, Maniche, Costinha, Thiago Motta e Banega (por empréstimo). Nenhum deu a consistência necessária.

A contratação do corintiano Elias, dada como fechada pela imprensa espanhola e brasileira e como quase certa pelo jogador, seria mais uma da série. Mas há uma chance de dar certo, pelas características do brasileiro.

O meia-volante não tem o poder de marcação de Costinha, Thiago Motta e Raúl García. No entanto, compensa pela capacidade de levar a bola para os meias de armação, ajudar em tabelas e aparecer como homem-surpresa no ataque. Dos nove nomes tentados pelo Atlético, Maniche tinha essa característica, mas só quando vestia a camisa da seleção portuguesa. Em clubes, nunca convenceu.

Com Elias, o Atlético continuará precisando de um volante que fique mais firme na marcação. Mas Sánchez Flores terá mais um jogador para avançar e ajudar na frente. Isso tiraria um peso de Forlán e Agüero (responsáveis por 50% dos gols do time em La Liga) e integraria melhor Reyes e Simão.

Além disso, o brasileiro nem está tão caro pelo que já gastou o time madrileno recentemente, se os € 7 milhões divulgados pela imprensa estiverem corretos. O clube pagou mais que isso em Cléber Santana (€ 8 milhões), Raúl García (€ 13,5 milhões) e Maniche (€ 9,5 milhões). Costinha chegou por € 6,5 milhões, mas já tinha mais de 30 anos e, na prática, também é uma contratação mais cara. Até porque o ex-corintiano defende a seleção brasileira e tem bom potencial de revenda.

O sucesso de Elias no Atlético de Madrid depende muito de sua capacidade de adaptação ao futebol europeu e de o clube controlar suas crises psicológicas. Mas, tecnicamente falando, a contratação pode se encaixar muito bem em um time que precisa de unidade tática para ser grande como quer se considerar.

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo