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Economia de guerra no Espanhol

As aparências enganam. Após seis rodadas, a liderança do Campeonato Espanhol é ocupada por dois times de uniformes similares: listras verticais azuis e grenás, com calção azul. Fora isso, Barcelona e Levante não têm nada em comum. Tanto quanto o orçamento, o que diferencia os dois times é o estilo de jogo. Enquanto os catalães gostam de fartura em todos os fundamentos, os valencianos vivem em economia de guerra, extraindo cada ponto do pouco que produzem.

Em Barcelona, posse de bola é obsessão. O time não tem menos de 50% da posse desde antes de Messi nascer (atenção: é ironia). Enquanto isso, os levantistas têm uma média de 38,5% de posse em seus jogos. Nesta temporada, apenas o Racing de Santander fica menos tempo com a bola nos pés. Na frente, os azuis-grenás de Valência marcaram apenas 8 gols, mesmo número que os azuis-grenás de Barcelona fizeram apenas em um jogo, contra o Osasuna.

O sucesso inicial desse Levante mostra uma grande adaptação às limitações da equipe. A base é formada por jogadores veteranos que não tinham muito espaço em equipes maiores, como o goleiro Munúa, os laterais Javi Venta e Del Horno e os zagueiros Nano e Ballesteros. Diante deles, uma dupla de volantes mais nova, Iborra e Xavi Torres, capaz de se sacrificar. Com isso, o Levante sofreu apenas três gols no campeonato, melhor marca ao lado do Sevilla, e recebeu apenas 3,67 arremates por partida (apenas o Barcelona recebeu menos), mesmo permitindo que os adversários tivessem a posse da bola por tanto tempo. Na frente, o time faz o básico: contra-ataques e bola parada.

Com essa receita simples, o time foi capaz de vencer o Real Madrid e tirar o Betis da liderança do campeonato. Ainda assim, o discurso no Ciutat de Valencia é discreto. Juanlu, por exemplo, diz que “aconteceu uma vez em 100 anos, não acredito que ocorra muito mais vezes”. O meia até se remete à temporada passada, quando o time teve uma boa fase e até se aproximou da vaga na Liga Europa, mas caiu no final e teve de se preocupar com o rebaixamento.

Ele tem razão. O normal é que o Levante não consiga manter esse nível por muito tempo. O elenco é enxuto e a equipe titular depende demais de jogadores veteranos. Por exemplo, dos titulares na partida contra o Betis, apenas quatro tinham menos de 30 anos. Uma hora o fôlego acabará. Mas a torcida tem todo o direito de curtir esse pequeno momento de grande. Mas sem esbanjar muito na festa, porque essa não é a cara da equipe.

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Equipe Trivela

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