E o Atlético segue perdido

Esse é um daqueles casos que só um psicólogo seria capaz de explicar. Time grande, com torcida, dinheiro para investir, ótimos jogadores, boa infra-estrutura e simplesmente não vai. Não consegue vencer partidas importantes, treme em momentos decisivos e é sempre obrigado a se contentar com menos do que poderia alcançar. Esse cenário, comum em diversos campeonatos, na Espanha é aplicado ao Atlético de Madrid.
Leo Franco, Perea, Heitinga (Pablo), Ujfalusi e Antonio López; Paulo Assunção (Maniche), Simão, Sinama-Pongolle (Maxi Rodríguez) e Raul García; Forlán e Aguero. Essa foi a escalação do técnico mexicano Javier Aguirre para o confronto contra o Málaga, que tem o mesmo número de pontos do Atleti (32), mas segue uma posição atrás nos critérios de desempate, pela 20a rodada da Liga espanhola.
Ou seja: uma partida decisiva para as pretensões da equipe em se manter na zona de classificação da Copa Europa e ainda sonhando com a Liga dos Campeões. O empate em 1 a 1 não pode ser considerado como um péssimo resultado, mas para um clube com a história do Atlético e, acima de tudo, com os investimentos feitos e o elenco montado, precisava mostrar muito mais.
A dupla de ataque formada por Aguero e Forlán é, tranquilamente, uma das mais perigosas do mundo. O miolo de zaga com Heitinga e Ujfalusi não fica devendo para a maioria dos times europeus. No meio talvez falte um pouco de criatividade, mas Maxi Rodríguez é um jogador que desperta interesse de qualquer gigante do continente. Por que, então, esse time não vai para frente?
Para os torcedores e imprensa de Madrid, o culpado é Aguirre, que não consegue impor uma atitude vitoriosa ao time, deixa com que seus atletas se apequenem diante das maiores dificuldades. No cargo desde 2006, ele conta com total apoio do presidente Enrique Cerezo.
Talvez um dos problemas do Atlético realmente esteja no banco de reservas. Afinal, é difícil imaginar que José Mourinho, por exemplo, não sacudiria essa equipe com excelente resultados. Porém, como explicar a boa campanha do time na Liga dos Campeões, então?
Pela LC, os rojiblancos enfrentam nas oitavas-de-final o Porto, nos dias 24 de fevereiro e 11 de março. Graças à uma ótima campanha na primeira fase, quando terminou em segundo no Grupo D, atrás somente do Liverpool, com 12 pontos ganhos e invicto – vitórias sobre PSV Eindhoven (2) e Olympique de Marselha, e empates com Liverpool (2) e os franceses. E se não fossem erros absurdos de arbitragem, os ingleses teriam sido derrotados em ambas oportunidades.
A diferença de postura do time na competição europeia é evidente. Na LC, o Atlético entra com moral, querendo resgatar seu passado glorioso. Por isso, mesmo contra rivais fortes, atua encarando de igual para igual mesmo fora de casa. Não perde pontos bobos e que fariam a diferença posteriormente. Já no Campeonato Espanhol é exatamente isso que acontece.
Há muitos anos a Liga espanhola não tinha um nível tão baixo, infelizmente. Tanto que o Barcelona sobra sem fazer muitos esforços e o Real Madrid, mesmo com seus altos e baixos e uma crise política que não tem fim, segue em segundo, isolado. Se o Atleti não vacilasse tanto, estaria em terceiro tranquilamente, um lugar que talvez seja seu por direito – ao menos no papel.
Esse empate com o Málaga é apenas um indicativo disso, mas outros jogos comprovam essa fraqueza. Nas próximas três rodadas o clube enfrenta adversários que ocupam a parte inferior da tabela: Valladolid (C), Recreativo (F) e Getafe (C). Três vitórias seguidas catapultariam a campanha dos rojiblancos e ainda os deixariam com moral para sonhar alto na LC. Cabe ao time se impor e provar que sua qualidade não é apenas teoria, e sim prática também.



