Espanha

Duas peças fundamentais

A vitória sobre o Zenit foi sintomática. Primeiro: mostrou que o time do Real Madrid está muito forte para a temporada, dado seu ótimo início e sorte. Segundo: quebrou um incômodo jejum de dois anos sem vitórias fora de casa na Liga dos Campeões, algo que para um time nove vezes campeão do torneio, tinha um peso muito grande. Terceiro: por fim, ficou claro que, hoje, os dois principais jogadores do time são Iker Casillas e Ruud Van Nistelrooy.

Um dos maiores clichês do futebol é a história de que todo grande time começa por um excelente goleiro. Casillas está hoje no mesmo patamar de Gianluigi Buffon, aclamado por todos como o melhor da posição no mundo. Aos 27 anos, o jogador do Real está no auge da forma e tem feito partidas impressionantes. Contra o Zenit, o Real não fez um jogo espetacular. Casillas salvou a equipe em diversas oportunidades no segundo tempo.

Já Nistelrooy é o responsável por garantir as vitórias. Com 32 anos, o centrovante holandês não tem a mesma agilidade de oturora, mas o faro de gol e seu posicionamento melhoraram impressionantemente. O jogador é garantia de gols como poucos no mundo. À medida que o tempo passa, parece que ele se torna mais letal.

Na coluna da semana passada o próprio Real já havia sido abordado, mas sob a ótica do capitão Raúl, que luta por um lugar entre os titulares. O esquema tático do time foi explicado, com as principais armas do técnico Bernd Schuster, mas é importante ressaltar como o treinador alemão tem acertado a mão no time. Com liberdade, os atletas têm criado bastante e rendido seu melhor futebol.

Schuster soube analisar o elenco que tinha e ver a melhor maneira de dispô-los em campo. Assim, Van der Vaart e Robben, abertos, tem sido fundamentais para o bom momento de Nistelrooy. No sistema defensivo, a dupla Pepe e Cannavaro ganhou tranquilidade para jogar e se entrosar, enquanto na lateral-direita Sergio Ramos dá conta do recado sem pestanejar. Já na esquerda, Schuster monta o time de acordo com o adversário. Contra os russos, por exemplo, começou com Heinze, mais marcador, ao contrário de Marcelo, bem mais ofensivo e titular na campanha da Liga Espanhola.

Jogando assim, o Real tem demonstrado um bom futebol como há tempos não jogava. Para esta temporada, as contratações foram poucas, mas acertadas, casos de Van der Vaart e De la Red. Se em um primeiro momento o holandês chegou meio que a contragosto, o meia se encaixou perfeitamente no time, enquanto o espanhol foi praticamente uma reparação do erro cometido por sua saída para o Getafe.

Além disso, por mais absurdo que possa parecer essa afirmação, a saída de Robinho tem feito bem a esse time. Teoricamente, ele ocuparia a mesma faixa de campo de Van der Vaart, ou seja, Schuster provavelmente mexeria no esquema tático. Fora o fato de sempre haver aquela pressão enorme por atuações espetaculares do avante brasileiro, que acabava prejudicando a equipe, uma vez que ele não vinha jogando nada há tempos.

Bem diferente da época dos Galácticos, hoje o Real Madrid pode dizer que tem um time entrosado e que não faz mais loucuras.

A torcida Merengue está feliz, a imprensa está feliz e a diretoria está feliz. Todos estão felizes. E se tratando de Santiago Bernabéu, isso oferece uma situação de trabalho sensacional. Não à toa os resultados estão aparecendo.

De olho nos Ches

Essa temporada da Liga espanhola promete ser uma das mais disputadas dos últimos anos. Além do Real Madrid, que como já foi bem explicitado, tem jogado muito bem, o Barcelona não vive um ótimo momento, enquanto Valencia, Atlético de Madrid e Villarreal começaram de maneira bem satisfatória a temporada. Isso sem falar no Sevilla, que é sempre uma incógnita com suas contratações-apostas.

Quem tem demonstrado um estilo de jogo sóbrio e eficiente é o Valencia. Se o Atleti impressiona pelo dinamismo, os Ches se destacam pela regularidade. Após cinco rodadas, foram quatro vitórias e um empate, o que os coloca na liderança da competição, ao lado do Submarino Amarillo (que também merece o louvor, apesar de ser um time mais feio de se ver jogar). E mesmo com a contusão de Silva, o time manteve seu bom nível.

Chega a ser impressionante como o Valencia mudou da temporada passada para a atual. Ou seja, a diferença do nível dos treinadores Ronaldo Koeman e Unai Emery. Por isso, a declaração de Joaquín dada nesta semana é emblemática.

“A equipe é praticamente a mesma, o que se fez foi colocar um pouco de ordem e que todos nós soubéssemos cada um o que fazer. O treinador sabe o que tem e não se dedica a inventar coisas. Felizmente, neste ano temos treinado”.

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Equipe Trivela

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