Os casos de doping voltaram a ficar em evidência no esporte depois de seguidos escândalos nos últimos meses. Lance Armstrong no ciclismo, Asafa Powell e Tyson Gay no atletismo, Alex Rodríguez no beisebol. O próprio futebol entrou na mira, com a Real Sociedad acusada de fazer parte de um esquema de compras de substâncias ilícitas entre 2002 e 2008, enquanto Franz Beckenbauer criou suspeitas ao declarar que tomava injeções de vitaminas.
A polêmica da semana foi levantada por Bernd Schuster atual treinador do Málaga e craque de Barcelona e Real Madrid durante seus tempos de jogador. O alemão trouxe um novo ponto de discussão ao admitir o uso de substâncias dopantes no futebol. Desde que eles sejam para recuperar os atletas de lesão, não para aumentar o desempenho.
“Desde que seja para tratar uma lesão, não tenho problemas com isso. Eu não tenho problemas com isso. Se um jogador quer chegar ao seu nível físico máximo duas ou três semanas mais rápido, o doping faz sentido. Não é sobre jogadores que atingindo 120, 150 ou 180 por cento. Não é um aumento de desempenho, mas permitir que os atletas cheguem ao seu nível usual o mais rápido possível”, disse, em entrevista ao jornal Bild.
“Nós sempre tomamos algo. Não estimulantes, no sentido clássico. Mas os médicos sempre nos dão algo, entretanto. Nós nunca questionamos o que eles nos dão. Não é para correr em campo com 200% do seu potencial, mas para diminuir as chances de contusão”, completou.
O debate é válido. Alguns tratamentos questionáveis já são utilizados no futebol. O doping seria mais um deles, em nível potencializado. Mas como seria feito o controle nos períodos pós-tratamento? Os jogadores assumiriam, por conta própria, o uso de elementos que colocam em risco a saúde? Acelerar a recuperação já não seria uma forma de, indiretamente, aumentar o nível de desempenho?
No atletismo, existem correntes que defendem até mesmo a liberação de doping a todos para igualar as condições dos atletas, enquanto no futebol americano a coibição é mínima. No futebol, porém, a possibilidade é nociva não só aos jogadores, como também à própria prática. Liberar o doping, mesmo que seja em ocasiões especiais como Schuster propõe, tende a tornar o esporte muito mais físico. Por mais que existam casos em que o uso de substâncias ilícitas sejam encobertos, parece melhor mantê-las distantes em qualquer caso.



