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Di María chamou a responsa por C. Ronaldo e pode fazer isso por Messi na Copa

Nenhum outro jogador do planeta pode desfrutar da honra que Ángel Di María tem. Tabelar com Cristiano Ronaldo no Real Madrid, passar a bola para Lionel Messi na seleção argentina. Aqueles que inegavelmente são os melhores jogadores do mundo há cinco anos são seus parceiros. E no momento mais importante de sua carreira, El Fideo não se limita a ser apenas um coadjuvante. Foi o melhor jogador do Real Madrid na decisão da Liga dos Campeões. Chega à Copa do Mundo como o jogador da Argentina em melhor fase.

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Di María joga em alto nível com a camisa merengue há quatro anos. Porém, nenhuma das três anteriores tão elevada quanto esta. Quando Gareth Bale foi contratado pelos merengues, o argentino era um dos principais cotados a perder o espaço para o galês. Assim como Mesut Özil, tinha sido colocado na parede. O alemão preferiu mudar-se para o Arsenal. O camisa 22, por sua vez, aceitou o desafio. Só não foi mais importante na temporada do que Cristiano Ronaldo. Ainda assim, na reta final, jogou mais do que o craque do time, que estava longe de sua melhor forma física.

Contra um Atlético de Madrid encarcerado ao redor de sua própria área, Di María foi a chave para a vitória. Suas arrancadas abriram o caminho para o Real Madrid. Foi fazendo fila pelo lado esquerdo do ataque que o meia criou as melhores oportunidades para os merengues. Nas duas jogadas mais fantásticas, só pôde ser parado em faltas duras de Raúl García e Miranda. E o solo do argentino durante os primeiros 60 minutos de jogo se potencializou quando Marcelo e Isco entraram em campo. Com a ajuda da dupla, Fideo implodiu o Atlético.

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Se a solução do Real Madrid era cruzar, Di María era o melhor caminho para isso. Das 47 bolas levantadas na área pelo Real Madrid, 23 vieram dos pés do meia. Nada melhor do que confiar no maior garçom da temporada europeia. Somando Liga dos Campeões e Campeonato Espanhol, o argentino serviu 22 gols dos blancos, mais do que qualquer jogador nas cinco grandes ligas europeias. Na decisão, nenhuma assistência saiu dos pés do camisa 22. Nem precisou. Afinal, a jogada do segundo gol teve méritos totais de Di María, arrancando pela direita e chutando na saída de Courtois. No rebote, Bale marcou o gol da virada.

O reconhecimento ao Fideo pela partida magnífica que fez em Lisboa é mais do que merecido, por tudo o que jogou na temporada. Foi a peça fundamental na mudança tática promovida por Carlo Ancelotti. Como terceiro homem do meio-campo, deu consistência ao time e potencializou os ataques. Tornou-se um arco, para aproveitar as flechas do ataque e manter o estilo de jogo vertical dos merengues. Mais do que isso, chamou a responsabilidade.

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Di María supriu a atuação apagada de Cristiano Ronaldo no Estádio da Luz. E pode se tornar o protagonista da Argentina na Copa do Mundo. Com Messi chegando ao Brasil cercado de dúvidas, o meio-campista é a maior certeza de Alejandro Sabella. Ainda mais porque desempenha um papel fundamental, o ponto de equilíbrio entre a contestada defesa e o poderoso ataque dos albicelestes. Se 2014 já é brilhante para Di María, poderá ser ainda mais depois do Mundial.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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