Espanha

Dembélé não encontrou proposta fora do Barcelona e aceita renovação até 2024

Contrato de Dembélé se encerrou em junho, mas diante de poucas propostas que o agradaram, ele aceitou a renovação com o Barcelona

Em uma das novelas mais longas dos últimos meses, Ousmane Dembélé assinou um novo contrato com o Barcelona, desta vez até junho de 2024. O jogador ficou sem contrato em junho e não queria renovar. Ao ficar livre no mercado e não receber propostas tão interessantes quanto imaginava que teria, o francês decidiu permanecer na Catalunha e com uma redução de salário.

“Me sinto muito feliz pela renovação. Desde pequeno, o Barça é o clube dos meus sonhos e tenho vontade de começar a temporada para dar tudo pelo clube. O Barça sempre é minha primeira opção, agora todos estamos contentes e com muita vontade de começar”, afirmou o jogador ao site do Barcelona.

“O Barça sempre tem que estar para ganhar títulos e a ganhar a Champions é o meu sonho. Darei tudo, trabalharei muito em campo, com o técnico… E espero que este ano seja importante para mim e para o Barça”, continuou Dembélé.

Durante a temporada 2021/22, Dembélé jogou 32 vezes, marcou apenas dois gols, mas fez 13 assistências, líder do time nesse quesito. Atuou quase sempre na ponta direita e teve um entendimento muito bom com Pierre-Emerick Aubameyang, contratado em janeiro.

Dembélé é apresentado em 2017 pelo então presidente Josep Maria Bartomeu (LLUIS GENE/AFP via Getty Images)

Substituto de Neymar que não vingou

Dembélé foi uma contratação que não se provou nos seus primeiros anos. Ele chegou na mesma janela que Neymar saiu, em agosto de 2017, e custou caro: € 140 milhões pagos ao Borussia Dortmund na época.

O jogador, que tinha brilhado antes pelo Rennes, em uma temporada, era destaque na Alemanha, mas nunca conseguiu se firmar no Barça – sequer conseguiu ser titular com constância no clube.

Por seu baixo desempenho e alto salário, ele se tornou um problema com o passar do tempo. Além de render pouco em campo, ainda se machucava com uma frequência alta, ficando longos períodos afastado do time.

Sem conseguir extrair o seu melhor futebol, era difícil negociá-lo, porque o seu salário era alto demais e poucos clubes tinham capacidade de contratá-lo – ou de atraí-lo, por assim dizer. Os valores envolvidos na sua contratação passavam por direitos federativos altos e salários nas alturas. Assim, ele ficou até o fim do seu contrato, em junho de 2022.

O problema é que nesta última temporada, Dembélé subiu de rendimento. Ele começou a jogar melhor, ser mais aproveitado e, em um time carente após a saída de Lionel Messi e sem grandes referências técnicas no ataque, assumiu um papel importante. O rendimento, que já era bom, melhorou mais ainda com a chegada de Xavi. Os seus últimos meses de Barcelona foram de bom nível, o que fez o técnico pedir à diretoria que renovasse o contrato do francês.

Era uma negociação difícil, porque o Barcelona pelo qual Dembélé assinou em 2017 era completamente diferente do que é de agora. Com problemas financeiros frutos da gastança exacerbada – e da qual Dembélé é um claro exemplo –, o Barcelona precisava reduzir a sua folha salarial. Assim propôs redução nos salários de vários jogadores, incluindo na proposta de renovação do atacante francês. Ele não aceitou. Preferiu sondar o mercado para ver o que seria oferecido a ele.

Dembélé é apresentado em 2017 pelo então presidente Josep Maria Bartomeu (LLUIS GENE/AFP via Getty Images)

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Chelsea, PSG… e ninguém mais

Como muitos jogadores estão percebendo, de Neymar e Cristiano Ronaldo a Paulo Dybala e o próprio Dembélé, os salários que recebiam estavam muito acima do mercado, em um futebol inflacionado nos últimos anos por superclubes fazendo contratações pagando muito caro e com salários muito acima do que poderiam pagar. Dembélé foi sondado pelo Chelsea, mas seu salário era um impeditivo.

O PSG, que poderia pagar o salário dele, não o queria mais como em janelas anteriores, porque já tem um ataque peso pesado em termos de folha salarial com Neymar, Messi e agora o renovado Kylian Mbappé. Sem Chelse e PSG, não sobravam clubes com capacidade de pagar salários tão acima da média quanto aqueles que o Barcelona pagava – e ainda paga, em certa medida.

Assim, a renovação voltou à mesa e pareceu a melhor opção. Mesmo tendo que reduzir 40% dos seus rendimentos, segundo o AS. Segundo outras fontes, ele teria vários gatilhos salariais que poderiam fazer com que recebesse um valor similar ao que tinha no contrato anterior, desde que cumpra determinadas metas. A redução do salário não é citada pelo presidente do Barcelona, Joan Laporta, mas ele deixa a entender isso quando fala sobre “um esforço do jogador”.

“É um dia importante para o Baça, Ousmane continua. Tenho uma grande admiração por sua qualidade como pessoa e como jogador, quero agradecer a ele que sempre quis ficar. Fez um esforço pelas circunstâncias que temos e quero agradecer também a todos que trabalharam para que ele possa seguir no Barça”, disse Laporta.

“Estamos muito contentes, ele tem um talento extraordinário, incomparável. É um talento muito específico com uma grande qualidade, nos traz muita coisa e Xavi sempre quis que ele ficasse também. Este ano temos que lutar por ganhar títulos”, continuou ainda o presidente do Barcelona.

Seja como for, a renovação é de curto prazo, apenas dois anos, e as especulações sobre o jogador voltarão a acontecer no fim desta primeira temporada. Se jogar bem, para uma transferência; se não jogar bem, porque o clube tentará provavelmente se livrar dele.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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