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Florentino quer que Ancelotti ponha no time todos os seus caprichos

Entre outros fatores como a boa atuação de Neymar , a derrota do Real Madrid foi bastante atribuída às mudanças promovidas por Carlo Ancelotti no time titular. A imprensa espanhola, em especial, criticou a escalação de Gareth Bale, apagado durante o jogo. E segundo o jornal El País, a insatisfação não ficou por conta apenas dos jornalistas. O periódico informou que os jogadores merengues não gostaram de o italiano ter escalado o galês em vez de Karim Benzema e que o veem como um “presidencialista”, alguém que escala o time de acordo com as vontades do mandatário Florentino Pérez.

De fato, o Real Madrid sentiu a falta de uma referência lá na frente. A contratação multimilionária é bastante útil pelas pontas, mas, posicionado como o homem de frente, não soube o que fazer. E essa foi a única maneira que Ancelotti viu de escalar Bale sem tirar Ángel Di Maria, que vem tendo temporada fantástica, do time titular.

O treinador sabia também que teria o que explicar caso não escalasse a contratação mais cara da história do futebol para a partida mais importante e esperada da temporada até então. Estava em uma verdadeira encruzilhada e não saiu dela intacto. Além de sofrer a derrota, o italiano teria desagradado até mesmo o presidente, por não ter achado lugar na escalação inicial para Illarramendi e Isco, contratados para esta temporada. E El País informa ainda que, ironicamente, o próprio Pérez não teria gostado da ausência de Benzema.

Pelo lado dos jogadores, a reclamação pela saída do francês foi em relação ao papel que o jogador faz em campo de apoiar o meio de campo, movimentar-se também pelas pontas e se colocar em profundidade, coisa que Bale não fez. Além da maneira estranha como escalou o galês, Ancelotti inventou no meio de campo, colocando o zagueiro Sergio Ramos como cabeça-de-área, à frente de Pepe e Raphäel Varane e pouco atrás de Sami Khedira e Luka Modric.

O mesmo El País mostrou que, nas treze escalações que Carlo Ancelotti fez na temporada, o treinador promoveu nada mais, nada menos, que 42 mudanças. Ele está claramente tendo problemas para encontrar espaço para tantos talentos, e isso é o lado “ruim” de se contar com tantos jogadores de alto nível. Especialmente pelo preço investido, Bale não era necessário ao Real, foi apenas uma demonstração de força por parte de Florentino Pérez. Parece injusto que o próprio mandatário agora queira criticar as decisões do italiano. Até porque o coloca em posição bastante desconfortável com seus comandados. E se as estrelas já não gostam de ser preteridas, imagine quando percebem que a mão do presidente está envolvida nas decisões técnicas.

Foto de Leo Escudeiro

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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