Espanha

Decisivo em todas as frentes

Paolo Cannavaro é um zagueiro decente. Tem 29 anos e defende o Napoli, time de sua terra natal. Também passou pelo Parma e, como dezenas de jogadores que tiveram contrato com os parmesões, teve a glória de ser emprestado ao Verona. E, nem que sua mamma insista, ele não deve considerar que seu irmão Fabio um dia foi o melhor jogador do mundo. Nem em 2006, quando recebeu o prêmio da Fifa ao capitanear a Itália ao título mundial.

A eleição de melhor jogador do mundo não é feita com base em critérios objetivos. Cada eleitor indica seus preferidos por motivos que estão em sua cabeça. Alguns podem, ter uma abordagem mais científica, matemática, técnica. Outros podem priorizar preferências pessoais. Há quem visualize o ano solar (janeiro a dezembro), que é, teoricamente, o que a Fifa premia. Outros podem, inconscientemente, dar mais espaço para a temporada anterior ou a que acaba de começar. Pode-se ainda pensar na média de atuações ou apenas em quem se destacou nos momentos mais importantes do período.

Qualquer que seja o universo criado na mente dos votantes, os melhores do mundo muito provavelmente serão Messi e Cristiano Ronaldo. Eles são decisivos e constantes, aparecem nos grandes momentos, jogam em grandes times, conquistam títulos e recebem grande atenção da mídia. Não à toa, foram os dois últimos premiados pela Fifa, pela France Football e pela World Soccer. A questão é que 2010 foi um ano diferente. Foi um ano de Copa do Mundo. Isso não torna Messi e Cristiano Ronaldo piores ou melhores, mas coloca um elemento a mais na equação.

Não se deve dar à Copa do Mundo o peso total da decisão, como ocorreu em 2006. Fosse assim, Diego Forlán seria considerado o melhor de 2010. Todo mundo acharia estranho. Mas o Mundial tem poder de potencializar a causa em favor de algum jogador que esteja entre os melhores do planeta, ainda que alguns degraus abaixo dos ocupantes do topo. É aí que entra Xavi.

O meio-campista do Barcelona foi fantástico em todos os critérios que se possa adotar. Jogou muito em 2010 e também em 2009/10. É taticamente fundamental para equilibrar o time mais espetacular do momento. Trata-se de um sujeito sobre o qual não recai rejeição pessoal. Sobressai-se nas partidas decisivas, como nos 5 a 0 sobre o Real Madrid no final de novembro, sem perder a constância jogo a jogo (sobre ele, Tim diria: “Xavi passa meses sem errar um passe”). Essas qualidades colocam o catação no grupo imediatamente abaixo de Messi e Cristiano Ronaldo. A seu lado poderiam estar Iniesta, Kaká, Sneijder, Lampard, Gerrard, Drogba, Eto’o, Ibrahimovic, entre outros. Vai do quão iluminada é a fase de cada um.

Mas 2010 teve Copa do Mundo (acho que já mencionei esse fato). E o Mundial da África do Sul consagrou uma Espanha que mostrou um futebol parecido com o do Barcelona. Toque de bola impecável, paciência e muita homogeneidade tática. Esse conjunto esteve acima do talento do maior craque blaugrana. Enquanto a Espanha comemorou seu primeiro título, a Argentina de Messi caiu nas quartas de final, perdendo por 4 a 0 da Alemanha. E esteve acima também do outro grande craque, pois os espanhóis foram os responsáveis pela eliminação de Portugal de Cristiano Ronaldo nas oitavas.

Xavi é o homem que dita o ritmo do clube com melhor meio-campo do mundo e da seleção com melhor meio-campo do mundo. Ele é o grande símbolo dos times que têm um sistema de jogo realmente diferente, que encanta e é competitivo, que faz os observadores pensarem em como aquele futebol consegue ser viável.

Por isso, em 2010 ninguém merece mais que Xavi a Bola de Ouro Fifa/France Football. Messi e Cristiano Ronaldo podem voltar à disputa em 2011, 12, 13…

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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