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De volta à elite, Villarreal dá exemplo de administração

O Villarreal não precisou esperar muito tempo para ressurgir das cinzas. O horizonte era nebuloso para o Submarino Amarelo após a queda em La Liga na temporada passada. Não apenas pelas consequências financeiras do rebaixamento, com redução dos ganhos com as bilheterias de € 60 milhões para € 15 milhões, mas também pelo desmanche que aconteceu no elenco. No entanto, o time encontrou seu rumo e assegurou o retorno à elite espanhola.

Prêmio mais do que merecido para um clube que é apontado por muitos como exemplo na Espanha. A gestão é elogiada pela forma sustentável como administra as finanças. No fim de 2012, o clube renunciou até mesmo € 5 milhões de euros que o governo da Comunidade Valenciana lhe devia. “Existem outras prioridades a nível social. O Villarreal deve ser do que seus torcedores e seu potencial lhe permitam, sem receber um dinheiro que é vital para outras coisas”, declarou o presidente Fernando Roig, na época.

Pouco antes, Roig havia vendido 2,4% de suas ações na rede de supermercados Mercadona, redirecionando parte dos € 71 milhões recebidos para equilibrar as contas do Villarreal e saldar suas dívidas. Além disso, o clube se desfez de jogadores importantes como Diego López, Borja Valero, Nilmar, Marco Rubén e Giuseppe Rossi, arrecadando quase € 50 milhões.

A luta pelo acesso se desenhava sob o comando de Manolo Preciado, mas um novo baque abateu o Submarino Amarelo. O treinador faleceu de ataque cardíaco na véspera de sua apresentação e deixou o planejamento vago. Foi substituído pelo novato Júlio Velazquez, técnico de pouca experiência. O time fechou o primeiro turno de maneira sofrível, no meio da tabela, apesar da boa arrancada.

Momento certo para acordar e iniciar a recuperação. Velazquez saiu e deu lugar a Marcelino Toral, primeira opção da presidência após a morte de Preciado – que preferiu fugir da depressão que se vivia no clube. Da 23ª à 42ª rodada, o Submarino Amarelo sofreu apenas uma derrota, para o campeão Elche. Além disso, foram cinco vitórias nos últimos cinco jogos. Resultados obtidos graças ao estilo mais direto aplicado por Marcelino, bem como pelo protagonismo do meia argentino Héctor Canteros e do atacante nigeriano Ikechukwu Uche.

Na rodada final, uma verdadeira decisão aguardava o Villarreal em El Madrigal. O time treinado por Marcelino Toral recebeu o Almeria, terceiro colocado e que garantiria o vice-campeonato com uma vitória. Por fim, a sorte sorriu ao time da casa com triunfo por 1 a 0, gol de Jonathan Pereira no início do segundo tempo.

Acesso garantido e festa comandada pelo capitão Marcos Senna. Um símbolo das fases mais gloriosas do clube e que, aos 36 anos, preferiu permanecer, a despeito da queda. Ao lado de Bruno Soriano e Cani, o brasileiro foi um dos principais remanescentes e liderou o elenco mesclado entre promessas da base e veteranos como Olof Mellberg e Javi Venta.

De volta à primeira divisão, o Villarreal tem boas perspectivas. A administração já demonstrou ter consciência o suficiente para conduzir o Submarino Amarelo a caminhos seguros, sem acumular as dívidas tão comuns aos clubes espanhóis. Uma inteligência que permite à torcida sonhar com mais 12 anos consecutivos fazendo parte da elite e, quem sabe, voltando às competições continentais, nas quais teve presença constante.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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