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De crise em crise, Atlético se afunda

José Antonio Reyes surgiu como um dos tantos jogadores rápidos e talentosos que o Sevilla lança de tempos em tempos. Foi importante para o clube andaluz em suas primeiras temporadas após retornar à primeira divisão. Isso convenceu o Arsenal a pagar uma fortuna por ele. Mas, se alguém aí acredita que ele se tornou um craque, é bom avisar. Ele passou por Highbury, depois foi emprestado ao Real Madrid, não foi contratado em definitivo e acabou parando no Atlético. Fez uma temporada apagada (37 jogos, nenhum gol), passou pelo Benfica e voltou ao Vicente Calderón. Pela seleção espanhola, não atua desde 2006.

Não é um currículo de impressionar. E, mesmo assim, ele ainda é titular do Atlético de Madrid, é tratado por parte da torcida como um dos jogadores que formam o time que supostamente pode encarar Barcelona e Real, e foi alvo de milhões de euros de investimento da diretoria colchonera. Na última semana, resolveu xingar o técnico Gregório Manzano após ser substituído (disse “Que cambie a su puta madre. Me cago en su puta madre”. A tradução é desnecessária). Como punição, não foi nem relacionado para a partida contra o Zaragoza neste domingo.

Todo o caso é um sintoma da crise que tomou conta do clube espanhol que mais gastou dinheiro antes desta temporada. Um jogador que não pode se considerar uma estrela do time se deu o direito de atacar o técnico. E, dentro da lógica que começa a ganhar corpo dentro dos vestiários, isso fez sentido. A falta de comando é tão grande que dá margem a isso.

Gregório Manzano não é o nome adequado para o que o Atlético imaginava fazer na temporada. Costuma trabalhar com times sem grandes pretensões, usando jogadores limitados e estilo de jogo conservador. Os colchoneros esperavam um futebol rápido, ousado e supostamente cheio de estrelas no elenco.

Desde que chegou ao Vicente Calderón, o técnico passou a adotar um rodízio de jogadores para descobrir a melhor formação para cada situação. Reyes, no final das contas, nem pode reclamar tanto. Ele havia sido o único jogador a atuar em todas as partidas do Atlético na temporada até agora. Mas a insatisfação começou a crescer. Os jogadores não engoliram muito a ideia, ainda mais porque o princípio do rodízio incentivou a concorrência interna pela titularidade. Sem algum craque destacado para servir de referência (como poderia ser Agüero ou Forlán) ou um veterano respeitado por todos (como Caminero na campanha de 1996, no último título nacional do clube), o time perdeu o sentido coletivo.

No intervalo da partida contra o Zaragoza, o Atlético vencia por 2 a 0 graças à atuação destacada do jovem Adrián (uma das boas contratações do clube). Ainda assim, a torcida pedia por Luis Aragonés, técnico histórico do clube madrileno e responsável por iniciar o trabalho que levou a Espanha ao título mundial em 2010 (ele comandou a Furia no título da Eurocopa 2008).

Salvo uma série de bons resultados que acabe recuperando a confiança da equipe, a tendência é que o Atlético se arraste por mais um tempo até se convencer que é preciso mudar. Há dois anos, ocorreu mais ou menos isso. Mas havia uma vaga na Liga Europa (e a dupla Forlán-Agüero) para levar os colchoneros a um título continental que salvou a temporada. Talvez a sorte não seja a mesma desta vez.

 

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Equipe Trivela

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