‘Cheirei cocaína acreditando que meu corpo estaria melhor para aguentar o treino’
Ex-promessa da Espanha lamenta 'maior erro da vida' e espera que sua história sirva de aprendizado no futebol
Dani Benítez tinha 26 quando acabou suspenso do futebol. Revelado no Mallorca, era uma das grandes promessas do esporte na Espanha, e foi alçado ao status de ídolo no Granada, clube com presença constante em LaLiga, que nesta temporada está na segunda divisão do país. Mas a história nos Rojiblancos não teve final feliz.
Agora com 38 anos, o atacante relembrou o momento em que testou positivo para cocaína em um exame antidoping enquanto defendia o Granada. A infração foi flagrada em 2014 e o deixou longe dos gramados por dois anos como punição.
— Cheirei uma carreira de cocaína acreditando que meu corpo estaria melhor para aguentar o treino — afirmou ele no documentário “O Sonho Perdido”, da emissora espanhola “Movistar”.
O conteúdo reforçou como isso foi um divisor de águas na vida do jogador, “que tinha tudo e perdeu”. Depois de ter acusado o uso da substância ilícita no antidoping, voltou a Maiorca e se afundou na depressão.
Segundo ele, começou a ter recaídas e buscar consolo em drogas e bebidas. “Arruinei tudo o que toquei. Tinha filhos e não estava presente para eles”, disse.
— Fiquei assim por sete meses. Sete meses que me passava pela cabeça todos os dias me suicidar. Chegou o momento de inflexão: ou saio do caminho ou mudo radicalmente.
Dani Benítez quer que sua história sirva de aprendizado
Benítez declarou no documentário que o objetivo era contar sua história “para que as pessoas pudessem aprender com alguém que tinha tudo, mas que, por causa de um erro, por causa de uma bobagem, perdeu tudo”.
Ele começou a carreira no futebol profissional em 2007 ao ser emprestado pelo Mallorca ao Pontevedra. Na temporada seguinte, defendeu o Elche, e chegou a ser negociado com a Udinese, da Itália, antes de se transferir ao Granada em 2009.

Os Rojiblancos representaram estabilidade ao atleta, que não costumava passar mais do que um ciclo nas equipes em que atuava. Foram 128 jogos no time, com 20 gols e oito assistências. Até que a droga entrou em cena.
— Era sexta à noite. Dei uma festa em casa que durou até tarde. No dia seguinte tinha treino, não sei se às 7h ou 8h da manhã, mas estava muito bêbado. Uma pessoa me disse: ‘cheira uma carreira (de cocaína), isso vai te ajudar a acordar, e vai treinar’ — rememorou ele.
— Foi o maior erro da minha vida. Vou levar para sempre. Nunca havia consumido drogas. Me uni a pessoas que não devia.
Benítez também detalhou como o flagrante aconteceu. O jogador disse que até confessou o uso de cocaína ao médico do clube quando foi selecionado para o exame antidoping. “Ele falou: ‘reze tudo o que puder'”.
O espanhol só pôde voltar ao futebol em 2016 e acertou com o Alcorcón, atualmente na terceira divisão do país. Esteve também no Racing Ferrol, Poblense e Armilla. Fora da Espanha, passou pelo futebol do Chipre com o Limassol e por Andorra, ao vestir a camisa do Sant Julia.
O último clube que defendeu foi o CD Huétor Tájar, da quinta divisão espanhola, entre 2024 e 2025.
— Aquele erro me deu a oportunidade de começar uma nova vida. Estou trabalhando todos os dias, não preciso de luxos. Vivo com o mínimo. Minha vida tem sido uma loucura — declarou Benítez.
— O eu de agora nem olharia para o Dani de antes. Não perderia tempo em dar conselhos a uma pessoa que sabe que não vai escutar.
Nos últimos anos, outras estrelas do futebol também foram suspensas por doping, como Papu Gómez e Paul Pogba, nestes casos envolvendo outros tipos de substâncias.



