
Messi parece ter voltado de vez ao nível que o credenciou como o melhor jogador do mundo por quatro temporadas seguidas, entre 2009 e 2012, e Cristiano Ronaldo terá que melhorar muito em relação ao que apresentou até agora em 2015 se quiser empatar no número de prêmios com argentino. Se conseguir reproduzir o patamar em que esteve nos últimos dois anos, quando levou a Bola de Ouro, o desafio deverá ser muito bom. O português de fato foi o que mais se destacou neste período, mas a revista The Economist achou pelo menos um aspecto que mostra como, de certa maneira, Messi foi melhor que o rival do Real Madrid: a importância dos gols.
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Em 2013 e 2014, o argentino fez 86 gols, enquanto o português balançou a rede 105 vezes. Em questão numérica, é clara a superioridade de Cristiano Ronaldo, mas, de acordo com o índice EPA (Expected Points Added, ou Pontos adicionais Esperados), adaptado do beisebol, os tentos de Messi tiveram mais importância que os do camisa 7. Analisando força do time, retrospecto na temporada, números como mandante e visitante, entre outros dados, os analistas chegam a números de probabilidade de, por exemplo, um determinado time, em um determinado estádio, marcar um gol em determinado momento do jogo. A partir disso, mede-se a importância do gol. Aqueles marcados em momentos mais improváveis e necessários valem mais do que aqueles feitos em partidas já definidas.
“Nem todos os gols são feitos da mesma maneira: seu valor depende inteiramente do contexto em que eles ocorrem. Alguns acontecem aos 45 minutos do segundo tempo de um empate em 1 a 1, garantindo a vitória; outros, em um momento da partida em que um time já está vencendo por 3 a 1”, destaca a Economist.

No período analisado, Messi marcou cinco gols nos 20 minutos finais de duelos que estavam empatados, definindo as vitórias. Cristiano Ronaldo, por outro lado, cansou de fazer gols em jogos em que a vitória do Real Madrid já estava quase definida. Na semifinal da Champions League de 2013/14, quando o time bateu o Bayern de Munique por 4 a 0, por exemplo, fez dois gols, mas o jogo já estava 2 a 0 para os merengues quando marcou o primeiro. Da mesma forma, seu gol na final daquela mesma edição da competição, fechando o placar em 4 a 1 contra o Atlético, não teve o mesmo valor que, digamos, o gol de Sergio Ramos que possibilitou levar o jogo para a prorrogação. Situações específicas à parte, Messi acumulou 40,3 de EPA, com uma média de 0,47 de EPA por gol, enquanto Cristiano Ronaldo acumulou 41,6 de EPA, uma média de 0,43 EPA por gol.
Quando entra na equação a importância das partidas em que os gols foram marcados, a disputa entre Messi e Cristiano Ronaldo no índice fica bastante desigual, com o argentino disparando para 59,5, média de 0,69 de EPA por gol, enquanto o português vê sua média pouco se mover, para 0,48 de EPA por gol. A Economist cita como exemplo do poder de decisão do argentino o gol marcado contra o Irã, aos 46 minutos do segundo tempo, definindo a vitória por 1 a 0 da Argentina na primeira fase da Copa do Mundo, colocando em comparação ao único gol de Ronaldo no Mundial, contra Gana, sem tanta importância, já que, embora tenha decidido a vitória por 2 a 1, não foi suficiente para o objetivo dos portugueses de diminuir a desvantagem no saldo de gols para os Estados Unidos, que acabaram se classificando.
Infelizmente os gols parecem ser o fator mais imediato para que se avalie um jogador, e muita gente se baseará neles para afirmar quem é melhor. O número de gols, ou a importância deles, não deveria ser o principal diferenciador entre os craques. Ou vai dizer que aqueles 20 minutos finais de primeiro tempo de Messi contra o Manchester City, no Camp Nou, não foram uns de seus melhores pelo Barça? Não fez nenhum gol, mas encantou a todos, mais expressivamente Pep Guardiola, que não podia acreditar no que via. Ou que não era fantástico ver Cristiano Ronaldo jogar na Premier League, quando ainda não era essa máquina de gols em que se transformou no Real e quando sua habilidade era seu principal recurso? O gol é o clímax do futebol, mas o esporte é muito mais que isso. Que todos esses dados sirvam apenas para que a dupla siga tão competitiva quanto tem sido nesses últimos anos, com cada um dos craques forçando o outro a superar seus limites para ser reconhecido, no fim do ano, como o melhor do planeta.


