Contra sua vontade, Sergio Ramos deixa a seleção espanhola com muitos títulos e uma importância enorme
O zagueiro de 36 anos deixou muito claro que o técnico De La Fuente impôs a aposentadoria ao jogador que mais vezes defendeu a Espanha na história
Um dos maiores jogadores da seleção espanhola anunciou nesta quinta-feira que não atuará mais no futebol internacional. E fez questão de deixar bem claro que não se aposentou, mas foi aposentado pelo novo técnico Luis de la Fuente. Sergio Ramos defendeu a Espanha durante 16 anos, conquistou três títulos importantes e se despede como o jogador que mais vezes vestiu a camisa vermelha, com 180 jogos.
Seu último compromisso com a seleção foi contra o Kosovo em março de 2021. Sergio Ramos teve muitos problemas físicos na temporada seguinte, a sua primeira pelo Paris Saint-Germain. Atuou apenas 13 vezes. No fim, embora tenha voltado a jogar regularmente, não chegou à lista final de Luis Enrique para a Copa do Mundo do Catar. E agora ficou sabendo que nunca mais estará em uma.
“Chegou a hora. A hora de dizer adeus à seleção. Nossa querida e emocionante Roja. Nesta manhã (quinta-feira), recebi uma ligação do atual técnico que me comunicou que não conta e não contará comigo, independente do nível que eu demonstrar ou do que fizer na minha carreira esportiva. Com muito pesar, é o fim de um caminho que eu esperava que se estendesse e que terminasse com um sabor melhor na minha boca, em linha com todos os sucessos que conquistamos com nossa Roja”, disse o jogador de 36 anos em uma publicação no seu Instagram.
“Honestamente acredito que esta jornada merecia terminar por escolha minha ou porque minhas atuações não estão à altura da seleção. Não por causa de idade ou outros motivos que, embora não tenham sido me ditos diretamente, eu certamente senti. Porque idade em si não é uma virtude ou um defeito. É apenas um número que não é necessariamente relacionado ao desempenho ou à habilidade. Admiro e invejo jogadores como Modric, Messi e Pepe. Eles são a essência de tradição, valores, meritocracia e justiça no futebol. Infelizmente, não será assim comigo porque o futebol nem sempre é justo e futebol nunca é apenas futebol”.
“É algo que tenho que aceitar, com essa tristeza que compartilho com vocês, mas também de cabeça erguida e grato por todos esses anos e pelo seu apoio. Saio com memórias inesquecíveis, todos os títulos que conquistamos e comemoramos juntos e tremendo orgulho de ser o jogador com mais partida da história da seleção da Espanha. Este escudo, esta camisa e estes torcedores, todos vocês, me fizeram feliz. Eu continuarei a apoiar meu país com paixão de alguém com sorte o suficiente de tê-lo representado 180 vezes. Minha gratidão a todos vocês que acreditaram em mim”, encerrou.
Sergio Ramos estreou pela seleção espanhola em março de 2005, em amistoso contra a China. Ainda era uma jovem revelação do Sevilla que começava a se destacar e em alguns meses chegaria ao Real Madrid. Foi titular na Copa do Mundo da Alemanha, no ano seguinte, o torneio que antecedeu a época de ouro da seleção espanhola. Ele foi o lateral direito nos dois primeiros títulos dessa sequência – a Eurocopa de 2008 e o Mundial de 2010 – embora já fosse usado ocasionalmente como zagueiro em seu clube. Com isso, Luis Aragonés podia encaixar Gerard Piqué e Carles Puyol no miolo da defesa.
Foi centralizado em 2012, quando também estava mais fixado como zagueiro pelo Real Madrid. A lesão e depois aposentadoria de Puyol abriu espaço para que fosse o parceiro de Piqué, com Álvaro Arbeloa assumindo a lateral direita no segundo título europeu. Nos anos seguintes, firmou-se como um dos melhores do mundo em sua nova posição, embora não tenha sido suficiente para evitar decepções consecutivas da Espanha, que não se encontrou nas Copas de 2014 e 2018 e na Euro de 2016, sempre com Sergio Ramos na sua retaguarda.
Ramos estava perdendo espaço mesmo com Luis Enrique. Ele teve uma temporada cheia de problemas físicos antes da Eurocopa de 2020 – disputada em 2021 por causa da pandemia. Ainda poderia ter sido convocado, mas não foi. O primeiro grande torneio da Espanha sem ele desde a Euro 2004. Seguiu com pouco tempo em campo no ano seguinte, mas havia jogado todas as partidas importantes do PSG antes da pausa para o Catar. Foi preterido novamente, e parece que De La Fuente, sucessor de Luis Enrique, decidiu arrancar o band-aid.
Ramos fez 23 gols pela seleção espanhola. Mais recentemente, teve uma sequência incrível em que marcou em oito de nove jogos entre setembro de 2018 e 2019, aproveitando a sua força no jogo aéreo e a técnica para bater pênaltis que desenvolveu. No entanto, será mais lembrado pela sua solidez defensiva, pela liderança e por uma história linda e longa em que ajudou a conduzir a Espanha ao seu período mais vitorioso.
Sergio Ramos não é o jogador mais adorável do mundo, e poucos que não o tiveram em seu time são seus fãs, mas ele tem razão: merecia ter deixado a seleção em seus próprios termos.



