Espanha

Concentração de renda

A Internazionale deu ao Genoa cerca de € 24 milhões para ficar com Diego Milito. A Juventus pagou a mesma quantia à Fiorentina para contratar Felipe Melo. O Manchester United gastou quase € 18 milhões em Luis Valencia, ex-Wigan. Cerca de € 1,5 a menos do que o Liverpool passou ao Portsmouth para comprar Glen Johnson. O Manchester City investiu ainda mais que isso para tirar Lescott do Everton, Barry do Aston Villa e Santa Cruz do Blackburn. O Bayern de Munique também teve de desembolsar uma boa grana para “se reforçar” com Mario Gomez.

Na estrutura das transferências futebolísticas, funciona sempre assim. Os clubes mis ricos trocam jogadores entre si, no que são sempre as contratações mais bombásticas da temporada (Cristiano Ronaldo, Kaká, Ibrahimovic, Eto’o…). No entanto, eles também acabam gastando um dinheiro considerável para comprar os melhores nomes dos times médios de seu país. Essas equipes pegam esse dinheiro para se reforçar com revelações dos pequenos. E, assim, parte dos milhões de euros das potências acabam parando no bolso dos clubes menores, reduzindo a desigualdade econômica de um campeonato.

Se o leitor está atento, percebeu um detalhe: nas transferências citadas no primeiro parágrafo, todas realizadas no último verão europeu, não há nenhuma entre clubes espanhois. Não foi acidente: simplesmente inexistiam exemplos. Barcelona e Real Madrid concentraram as atenções do noticiário internacional com investimentos fantásticos, mas isso não serviu para enriquecer La Liga como um todo.

As contratações mais vultosas (por mais de € 10 milhões) dos dois grandes da Espanha atrapalharam um pouco a balança comercial do país. Cristiano Ronaldo e Xabi Alonso chegaram da Inglaterra, Ibrahimovic e Kaká estavam na Itália, Chygrynsky atuava na Ucrânia, Benzema defendia um clube francês e Keirrison era cornetado no Palmeiras (pertencia à Traffic).

Há uma exceção: Albiol trocou o Valencia pelo Real Madrid por cerca de € 14,5 milhões. Nem ela, porém, serviu para tornar mais “normal” a relação entre grandes e médios. Pelo mesmo montante, o Sevilla levou Negredo do Santiago Bernabéu. Ou seja, pensando em “blocos”, os médios e grandes ficaram no empate em relação a contratações de vulto.

A situação poderia ser atenuada caso clubes estrangeiros fossem buscar talentos na Espanha. Não foi o que ocorreu, até porque a crise econômica mundial ainda se faz presente na Europa e os investimentos têm sido moderados. O Sevilla não aceitou a proposta feita pelo Milan por Luis Fabiano (€ 14 milhões). O Valencia precisava de muito mais que os € 14,5 milhões de Albiol e contava com as vendas – não concretizadas – de Villa e David Silva. A maior negociação entre um clube médio da Espanha e o exterior foi de Heitinga, que deixou o Atlético de Madrid e se juntou ao Everton por € 6,5 milhões.

Esse fenômeno mercadológico, só visto na Espanha nesta temporada, acentuou a diferença técnica entre grandes e o resto. Barcelona e Real Madrid tiveram aportes financeiros e reforçaram suas equipes, mas os pequenos e médios não ficaram com rebarbas. Haverá benefícios indiretos (faturamento com TV, bilheteria e patrocínio) pela maior exposição do campeonato como um todo. Mas, quando esses recursos chegarem às tesourarias dos clubes, a temporada já está mais que encaminhada.

Não é de surpreender que Barça e Real já se isolem na liderança. As melhores equipes médias, Sevilla, Atlético de Madrid e Valencia, ficaram com seus principais jogadores e até podem fazer um brilhareco, mas o fato de não terem vendido ninguém de peso dificultou a formação de elencos mais sólidos.

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Equipe Trivela

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