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Com um time “de raiz”, Betis surpreende

Um Betis que não queria ser Betis. Não que o clube tivesse vergonha de si próprio, mas, entre o final da década de 1990 e o início da de 2000, com Manuel Ruiz de Lopera no comando, era uma instituição que queria forçar sua entrada no grupo dos grandes. Gastou muito dinheiro em reforços, chegou a ser o responsável pela maior contratação da história do futebol. E ganhou o que? Um título e um vice da Copa do Rei. Se quisermos abusar da generosidade, conquistou três Ramóns de Carranza.

É verdade que o Betis fez boas campanhas no período e até teve uma participação na Liga dos Campeões. Não passou de fase, mas venceu o Chelsea. Mas não foi assim que o Betis fez sua história e conquistou uma das torcidas mais fanáticas e barulhentas da Espanha. Foi com equipes que mostravam força, mesmo com jogadores mais aguerridos que milionários. É esse time que a torcida tem visto no retorno à primeira divisão. E, por enquanto, não há motivos para lamentar.

O Betis de Manuel Ruiz de Lopera fez barulho, mas acumulou dívidas e acabou na segunda divisão em 2009. Desde sua saída, o processo é de reformulação. O maior símbolo disso é o estádio, que, em 2010, voltou a se chamar Benito Villamarín depois de dez anos com o nome do ex-presidente. Mas o resultado prático desse novo rumo está no elenco. Do time-base – Casto; Chica, Mario, Dorado e Nacho; Iriney e Beñat; Salva Sevilla, Montero e Jonathan Pereira; Rubén Castro (Santa Cruz) –, apenas quatro jogadores (Chica, Mario, Montero e Santa Cruz) não estavam no clube no título da Segundona na temporada passada.

Quem também já estava em Heliópolis era o técnico Pepe Mel. De carreira discreta, com apenas uma passagem pela elite (em 2001/02, no comando do Tenerife), ele soube agrupar o elenco. Montou o time em um 4-2-3-1 que pode se transformar em 4-3-3, mas os números são secundários. O fundamental é a confiança que esse time tem, mesmo sem grife. Voltou à primeira divisão falando em entrar em campo como protagonista. E é isso que tem feito nessas três primeiras rodadas.

As vitórias sobre Granada e Mallorca serviram para se reacostumar com o ambiente da elite, mas o verdadeiro teste era a visita a San Mamés. E, diante de um Athletic Bilbao necessitado da vitória, os sevilhanos se impuseram. Construíram a vitória com um 3 a 1 no primeiro tempo e, não fosse a expulsão de Mario na metade do segundo tempo, poderiam vencer sem tantos sustos. Acabaram tomando o segundo gol no final, mas ficaram com os três pontos e a liderança do campeonato, ao lado do Valencia.

É evidente que esse time não tem fôlego para ocupar as primeiras posições por muito tempo. É um grupo cheio de jovens e alguns veteranos que ajudam a dar peso ao grupo, mas falta talento e solidez ao elenco para suportar a disputa do campeonato inteiro. Outro perigo é o de a confiança se perder na primeira série de maus resultados. De qualquer modo, é um novo Betis que se vê na primeira divisão. Um Betis sem megalomania e sem gastar mais do que pode. Que joga com determinação e em um estádio chamado Benito Villamarín.

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Equipe Trivela

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