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Com Pellegrini de saída, Málaga promete cenário de devastação

Manuel Pellegrini viveu três temporadas inesquecíveis com o Málaga. Assumiu o clube em 2010, uma época de bonança financeira com a chegada do Xeique Abdullah Al Thani. Quando o dinheiro desapareceu, o técnico se manteve no comando e conduziu os boquerones a uma campanha inesquecível na Liga dos Campeões. Uma ligação fortíssima, que terminará daqui a duas semanas, quando dirigirá a equipe pela última vez.

Cotado como próximo treinador do Manchester City, Pellegrini confirmou que não continuará em La Rosaleda na próxima temporada. Segundo a imprensa espanhola, o chileno estava até disposto a seguir no clube, caso recebesse um compromisso de investimentos dos donos do clube. No entanto, por sua declaração no adeus, as perspectivas do Málaga não devem ser as melhores para os próximos anos.

“Separamos nossos caminhos por motivos de projeto. Vou embora por temas desportivos, mas meu amor pela cidade será eterno. Esperamos deixar o clube classificado para as competições europeias, com a missão cumprida e com a desgraça que este projeto evitou. Tivemos um acordo muito gratificante. Cada um tem o direito de seguir seu caminho”, afirmou o técnico.

Pellegrini operou um verdadeiro milagre com o Málaga nesta temporada. Pegou um time desmanchado, que se reforçou apenas com medalhões, e obteve ótimos resultados. Apostou no coletivo e montou uma defesa fortíssima, capaz de manter a competitividade na Liga dos Campeões e durante a maior parte de La Liga. Um ótimo cartaz para surgir no mercado especulado por grandes clubes europeus.

Já o Málaga deve sofrer na próxima temporada. Sem Pellegrini, o elenco também deve perder alguns de seus principais nomes, entre eles o meia Isco, pretendido por Manchester City e Real Madrid. Além disso, dez jogadores ficarão sem contrato ao fim da temporada, entre eles Martín Demichelis, Joaquín e Javier Saviola.

Para piorar, os boquerones devem mesmo ficar de fora das competições europeias. A equipe permanece na sexta colocação de La Liga, dois pontos à frente do Betis, e só depende de si para permanecer na zona de classificação à Liga Europa. Contudo, a Uefa mantém a punição ao clube por não ter quitado suas dívidas e dificilmente o recurso movimentado terá efeitos. Nesta quarta, a entidade até diminuiu a suspensão do Málaga em torneios continentais de dois anos para apenas um, mas não indicou aliviar a inadimplência além disso.

Se os torcedores do Málaga se preparavam para um apocalipse no início dessa temporada, evitado por Pellegrini, podem esperar por um ano realmente difícil em 2013/14. Caso o Xeique Abdullah Al Thani mantenha sua convicção em não investir mais no clube, a queda de desempenho é iminente. Dependendo da imobilidade da diretoria, é temível até mesmo a ameaça de queda à segunda divisão. Uma pena dura demais para uma torcida que produziu cenas grandiosas nos últimos três anos.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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