Copa do ReiEspanha

Com golaço de Koundé e “lei do ex” de Rakitic, o Sevilla abriu ótima vantagem sobre o Barça na semifinal da Copa do Rei

Desde que Julen Lopetegui assumiu, o Sevilla se firmou como uma das equipes mais competitivas da Espanha. Os andaluzes possuem um time bem estruturado e um tanto quanto pragmático, mas que se vale de um elenco talentoso. Essas virtudes ficaram evidentes nesta quarta-feira, pela Copa do Rei. Melhores em campo no Estádio Ramón Sánchez-Pizjuán, os sevillistas bateram o Barcelona por 2 a 0 e abriram uma excelente vantagem no primeiro duelo pelas semifinais do torneio. O goleiro Bono fez a diferença, especialmente diante de Messi. Ainda assim, a vitória acabaria construída por um gol de placa anotado por Jules Koundé e também pela “lei do ex” firmada por Ivan Rakitic, para reforçar o sofrimento blaugrana.

O Barcelona iniciou a partida com uma trinca de ataque formada por Ousmane Dembélé, Lionel Messi e Antoine Griezmann. Também mereciam destaque Pedri e Frenkie de Jong no meio-campo. Já o Sevilla mais uma vez contava com Papu Gómez de titular, aberto na ponta esquerda. Compunha um trio de meias ao lado de Ivan Rakitic e Suso. No ataque, Youssef En-Nesyri vem em ótima fase.

O Sevilla parecia disposto a equilibrar o jogo e a buscar o ataque durante os primeiros minutos. No entanto, não demorou para Bono se tornar personagem da noite. O goleiro fez sua primeira grande defesa aos 11. Griezmann deu um ótimo passe por elevação, Messi saiu de frente para o gol e o marroquino conseguiu desviar o chute de primeira com o pé. Apesar do perigo, a igualdade prevalecia. Griezmann seria travado na área pouco depois, antes de Koundé tirar tinta da trave em chute cruzado. Era um aviso.

O placar acabou inaugurado aos 25 minutos, num lance “a la Messi” assinado por Koundé. O zagueiro disparou pelo lado direito do ataque. Passou primeiro por Griezmann e depois contou com a indecisão de Sergio Busquets, atrapalhado por Fernando Reges. O melhor de Koundé ficou ao drible da vaca em cima de Samuel Umtiti, antes que o beque tocasse na saída de Marc-André ter Stegen. Gol de craque, que mostra bem o gabarito do jovem defensor francês.

O Barcelona teria dificuldades para responder na sequência do primeiro tempo, mesmo ficando mais tempo no campo de ataque. O Sevilla protegia bem a sua área, sem dar muito espaços aos adversários. O ataque blaugrana não construía. E, nos últimos minutos da etapa inicial, os andaluzes até acreditaram que seria possível construir um placar mais elástico. Os rojiblancos acertavam as transições rápidas e só não ampliaram porque Ter Stegen realizou uma defesaça, espalmando o chute cruzado de Sergio Escudeiro.

Na volta ao segundo tempo, o Sevilla adotou uma postura mais conservadora. Os andaluzes trabalhavam com sua vantagem, se fechando um pouco mais na defesa e buscando os contra-ataques. O Barcelona dominava o campo ofensivo e arriscava mais, travado pela defesa adversária. E logo Bono provaria sua capacidade de decisão. Antes dos dez minutos, o goleiro buscou um chute de Messi no cantinho e também salvou em cima da linha a tentativa de gol olímpico de Dembélé. Os ataques dos sevillistas eram mais raros, sem que acertassem as conclusões.

Com as substituições, Lopetegui renovou o fôlego do Sevilla. O Barcelona, por sua vez, não via sua pressão dar resultados. Os blaugranas tinham dificuldades para converter seu domínio em gols. Assim, quando puderam matar a partida, os andaluzes não desperdiçaram. Num contra-ataque aos 39, Oliver Torres lançou Ivan Rakitic pela esquerda. O croata invadiu a área com enorme liberdade e apenas tirou do alcance de Ter Stegen. O antigo maestro barcelonista não comemorou, em respeito ao ex-clube. E o Barça sequer conseguiu descontar no fim. A melhor chance veio numa cobrança de falta de Messi, que Bono defendeu no cantinho. Terminou de consagrar sua grande atuação.

A partida de volta acontecerá apenas em 5 de março, no Camp Nou. Até lá, muita coisa pode mudar. Ainda assim, o Barcelona precisará suar um bocado para conseguir destravar uma equipe tão sólida quanto o Sevilla. O milagre será tão grande quanto o vivido diante do Granada. Na outra semifinal, Athletic Bilbao e Levante farão a partida de ida nesta quinta-feira.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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