Com Denis Suárez, Barcelona tenta aproximar os seus reservas dos titulares
Messi, Neymar e Suárez. O Barcelona tem o melhor ataque titular do mundo. Mas quando um desses jogadores se machuca, ou Luis Enrique deseja simplesmente dar um descanso para uma de suas estrelas, em um jogo teoricamente mais tranquilo, a qualidade decai demais. Entram Munir e Sandro Ramírez. Improvisa-se Turan ou Aleix Vidal pela ponta direita. O clube catalão precisa de reservas melhores para o seu setor ofensivo – e até mesmo para o meio-campo, onde Iniesta e Rakitic, em menor nível, também são intocáveis.
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O Barcelona exerceu a cláusula de recompra para trazer Denis Suárez de volta para o Camp Nou. Pagou módicos € 3,2 milhões por um jogador de 22 anos, já com duas temporadas profissionais de La Liga no currículo. Ele assinou contrato por quatro anos e, depois de passar pelo Sevilla e pelo Villarreal, tem expectativas altas de, desta vez, ser um jogador mais importante para o elenco do clube catalão. Pelo menos um reserva importante.
Denis Suárez nasceu na Galícia e começou carreira no Celta de Vigo. Aos 17 anos, foi comprado pelo Manchester City. Teve apenas duas chances no time principal, ambas na pouco prestigiada Copa da Liga. Após duas temporadas, trocou os reservas do City pelo time B do Barcelona, que tem um caráter mais profissional. Esperava ter mais facilidade de ser promovido no gigante espanhol do que no clube inglês.
No fim das contas, até conseguiu, mas foi uma jornada. Primeiro, Suárez foi emprestado ao Sevilla, pelo qual disputou 31 partidas do Campeonato Espanhol, mas apenas 16 como titular. Jogou bastante na Copa do Rei. Era geralmente utilizado por Unai Emery atrás do atacante. Também chegou a jogar pelos lados do 4-2-3-1 e até mesmo como meia central.
Em seguida, foi vendido ao Villarreal, com a cláusula de recompra, uma prática comum do Barcelona com seus jovens. Teve mais minutos no time amarelo: foi titular nas campanhas na Liga Europa – semifinal – e Campeonato Espanhol, em que terminou em quarto lugar. Foi o maior assistente do torneio europeu, com seis passes para gol. Atuou pelos flancos da linha de quatro do meio-campo. Mais vezes pela esquerda do que pela direita.
Como podemos constatar, trata-se de um jogador versátil, bem ao gosto de Luis Enrique. O técnico do Barcelona, segundo o Sport, pensa nele como um reserva imediato de Iniesta. Mas ele também atuaria naturalmente na posição de Neymar, pela ponta esquerda, ou até mesmo no lugar de Messi, no outro lado do gramado. Pode eventualmente substituir até mesmo Rakitic. De qualquer maneira, Denis Suárez reforça um elenco curto, que teve problemas para rodar seus titulares na última temporada.
A campanha do Barcelona na conquista da Tríplice Coroa, em 2014/15, teve uma característica particular. Luis Enrique realizou um rodízio durante os primeiros meses e viu seu time voar fisicamente na reta final. Na temporada passada, porém, a situação foi inversa. O auge foi entre outubro e março, quando o time ficou 38 jogos invicto, mas, na hora H, fraquejou na Champions League e viu até mesmo o título espanhol ser ameaçado.
Sob embargo de transferências, no começo da temporada passada, o Barcelona vendeu Pedro, reserva imediato do ataque, para o Chelsea. Não fez força para manter Deulofeu ou trazer Tello de volta do Porto. Negociou o próprio Denis Suárez, acreditando que as novas crias de La Masia – como Munir e Sandro Ramírez – dariam conta do recado. Não deram, e a séria lesão de Rafinha complicou ainda mais as coisas. O Barcelona jogou 62 partidas, e Suárez atuou os 90 minutos em 51 delas. Neymar, 47. Messi, que perdeu dois meses por causa de lesão, 44.
O fato de Luis Enrique não ter sentido confiança em ninguém no elenco para dar um pouco de descanso a suas estrelas denota um erro de avaliação. A volta de Denis Suárez já é um primeiro passo para corrigi-lo. Ainda se espera que o Barcelona contrate um atacante mais experiente para ser o reserva imediato do trio de ataque, principalmente para o lugar do centroavante Suárez. Mas o elenco já começa a ser reforçado.