Cazorla e o fim dos 636 dias sem jogar: “Voltar a me sentir como um jogador de futebol é muito especial”

Santi Cazorla atravessou um calvário ao longo dos dois últimos anos. O meio-campista fez sua última partida oficial em outubro de 2016.levado pelo Villarreal para seguir sua recuperação, Cazorla disputou 15 minutos do amistoso contra o Hércules. Depois de tudo, o simples já representa demais.
“É difícil expressar o que se passa por sua cabeça depois de tanto tempo fora dos gramados. Voltar a me sentir como um jogador de futebol é muito especial. Receber este carinho das pessoas, este acolhimento que me deram. Apenas isso já vale a pena, pelo sofrimento do tempo em que fiquei fora”, apontou o veterano.
Quando anunciou o retorno de Cazorla, ídolo do clube na década passada, o Villarreal não foi incisivo quanto a datas e prazos. Não trouxe detalhes sobre o tempo de permanência do veterano. O club afirmou apenas que ele se juntaria ao elenco durante a pré-temporada, fazendo sua preparação com a equipe. Mais do que um período probatório para mostrar como está apto, seria também uma maneira de evitar cobranças sobre o meia. O veterano, aliás, não esconde sua gratidão pela maneira como o processo vem sendo conduzido pelo Submarino Amarillo.
“As pessoas no Villarreal me trataram bem desde o primeiro dia, é como se eu não tivesse deixado o clube. O relacionamento com os companheiros e com o técnico me deixam à vontade, e isso é importante para a minha progressão. Tomara que possa recompensá-los deste trato pessoal, voltando a jogar. Realmente, não se pode pagar e nem retribuir o que o Villarreal tem feito por mim. Não apenas quando cheguei, aos 18 anos, mas sobretudo por abrir as portas depois de dois anos parado. Eles me deram calma no dia a dia, sem pressão. Só o Villarreal pode fazer isso. A diretoria me chamou porque queria ajudar que eu voltasse a ser um jogador. Minha única obsessão tem sido devolver este carinho”, apontou.
Além disso, Cazorla falou sobre a relação de adoração que possui com a torcida do Villarreal, muito pela idolatria que construiu em sua principal passagem pelo clube, antes de se transferir ao Málaga: “Quando saí, em 2011, sempre disse que não era um adeus, era um até logo, porque desejava voltar. Hoje estou aqui e tomara que possa jogar novamente, defender estas cores, porque me sinto um a mais nesta grande família”. Revelado pelo Submarino Amarelo, após ser trazido da base do Oviedo, o meia defendeu a equipe por sete temporadas. Foi protagonista em boas campanhas ao final da década, especialmente no vice-campeonato espanhol em 2007/08, que o impulsionou à seleção espanhola, com a qual conquistou duas Eurocopas.
Por fim, Cazorla falou sobre as próprias cobranças que se coloca, apontando que precisa aproveitar mais o momento de alívio: “As pessoas me dizem que preciso valorizar onde estou agora e onde estava 20 meses atrás, mas só penso em me livrar da dor e estar em campo o quanto antes. Não aproveito o que estou fazendo, como os treinamentos com os companheiros ou a sensação de voltar a ser um jogador. Realmente, era impensável jogar uma partida como a de ontem e não desfrutar. Sou muito exigente e quero melhorar a cada dia, mas preciso saber onde estou e curtir o momento”. Depois de tantas dificuldades, o veterano de 33 anos merece o descanso da mente enquanto trabalha o corpo, finalmente são.



