EspanhaLa Liga

Campanha contra o Real Madrid começa em campo, com um time que joga mal salvo por seu craque

O técnico do Real Madrid, Rafa Benítez, disse nesta terça-feira que o clube sofria com uma campanha contrária ao presidente Florentino Pérez, a ele, o treinador, e ao clube. Sim, é incrível, um clube do porte do Real Madrid, com sua estrutura, recheado de craques, tem um técnico que usa a campanha “estão todos contra nós”. A campanha que o técnico diz haver contra o Real Madrid parece começar em campo, com os jogadores atuando muito mal. Em parte, por culpa dele mesmo. Foi o que se viu na vitória por 3 a 1 do Real Madrid sobre a Real Sociedad, em um jogo que o time mais uma vez ficou devendo.

LEIA TAMBÉM: Elenco do Real Madrid disputou uma muito competitiva partida de FIFA 2016

O primeiro tempo teve dois pênaltis, os dois bem questionáveis. No primeiro, Benzema trombou com Berniche e caiu. O árbitro apontou a marca da cal. Cristiano Ronaldo chutou por cima do gol, o que gerou mais insatisfação em um estádio Santiago Bernabéu inquieto.

No segundo, Bale cruzou da linha de fundo na direita, a bola desviou na perna de Berniche e rebateu no braço do jogador. O árbitro, de novo, marcou o pênalti. Desta vez, Ronaldo tratou de cobrar com perfeição para guardar e abrir o placar. A comemoração, curiosamente, foi com ele pedindo desculpas, discretamente, à torcida.

Só que a atuação, como nos últimos jogos, não foi boa. O time dava espaços no meio-campo, marcava mal, dando espaços e vendo Bruma, pelo lado esquerdo do ataque da Real Sociedad, causar muitos problemas ao lateral direito Danilo. O time parecia sem alma, mas sobretudo sem organização, em um posicionamento que deixava os jogadores distantes, sempre, um do outro. O gol de pênalti foi a única coisa a se comemorar no primeiro tempo.

A torcida, que já tinha vaiado o técnico Rafa Benítez antes mesmo da bola rolar, não via nada em campo que justificasse se empolgar com o time. E a torcida ficou ainda mais insatisfeita quando viu, logo a quatro minutos do segundo tempo, a Real Sociedad empatar. Pepe falhou em um corte dentro da área, a bola sobrou para Bruma, que chutou colocado, no ângulo. Um golaço.

A pressão sobre o time aumentava. A atuação, porém, não melhorou. Veio o segundo gol, é verdade, graças ao seu maior talento. Em um escanteio a bola veio difícil, Cristiano Ronaldo pegou de primeira e marcou. Um gol que, acima de tudo, é de alívio. Eram 22 minutos, o que ajudou a tirar um pouco da pressão. A Real Sociedad ainda atacava, levava até algum perigo, mas nada como antes.

Aos 41 minutos, veio o lance definitivo do jogo. Em um contra-ataque, Bale correu muito com a bola, chegou à linha de fundo e cruzou rasteiro para Lucas Vázquez, que completou bem para o gol, com tranquilidade. Mais um gol, desta vez para selar a vitória por 3 a 1 em casa. Um gol importante, que dá a vitória e leva o time a 36 pontos, na liderança provisória da liga, até que os rivais joguem.

O problema é que o futebol do Real Madrid continua sendo muito aquém do que se espera. O time não joga como se espera, não mostra alternativas de jogo, tem problemas na marcação, o que expõe os seus jogadores de defesa, como o lateral Danilo, que joga praticamente no mano a mano com o atacante de lado rival, que neste jogo foi Bruma.

Vem ano e vai ano, o Real Madrid segue querendo ser mais um time de posse de bola, mas segue sendo um especialista em contra-ataques. É um dos melhores do mundo nesse quesito. Quando se trata de manutenção da bola, porém, o time piorou muito sob o comando de Benítez em relação ao que era com Ancelotti. Tem a ver com características de jogadores, claro, mas também tem a ver com um jeito de organizar o time que é muito distante desse tipo de jogo. Até aqui, o técnico merengue não conseguiu fazer com que o time jogue um futebol ofensivo e atraente. É um time que resolve os jogos meio na marra, meio no talento. Organização? Isso não se vê no time do técnico Rafa Benítez.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo